Mutirão tenta controlar superpopulação de gatos

Mutirão tenta controlar superpopulação de gatos

Combater a superpopulação de gatos em Natal (RN) é, atualmente, um dos maiores desafios das organizações não governamentais e grupos protetores dos animais. A cidade possui pelo menos cinco focos de concentração de felinos abandonados, entre eles o campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Um levantamento feito pela universidade mostrou que existem, no mínimo, 315 gatos vivendo no campus. Ontem (20), protetores de animais, com apoio da UFRN e da UnP, realizaram um mutirão para castração dos felinos.

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De acordo com bióloga Hélderes Peregrino, professora do Departamento de Fisiologia da UFRN e uma das idealizadoras do projeto, a superpopulação de gatos não é apenas um problema de saúde pública, mas de educação. A reprodução desregulada da espécie – casa casal de gatos tem potencial reprodutor para 66 mil descendentes em seis anos – resulta no abandono que, além de ser considerado crime (artigo 164 do código penal) é um ato de crueldade. “Local de animal doméstico não é na rua. Eles precisam do apoio do homem para sua sobrevivência e sanidade”, comenta a professora.

O plano para controle populacional dos felinos teve início na universidade em novembro do ano passado. De acordo com Hélderes, o objetivo era fazer uma ação integradora. “Na parte da extensão, nós fizemos o controle populacional, com a identificação dos gatos. Já na parte de pesquisa começamos a fazer a coleta sorológica, que identificará qual o potencial zoonótico desses animais. Ou seja, a possibilidade de eles espalharem doenças”, acrescentou.

A partir do levantamento – que indicou a existência de até 315 gatos no campus, dos quais 242 foram identificados individualmente – a universidade doou o material necessário para a cirurgia de castração, e um convênio foi firmado com a Universidade Potiguar para a cessão do centro cirúrgico. A UFRN também realizará uma campanha educativa contra o abandono durante a Semana de Ciência e Tecnologia.

De acordo com a professora, um estudo realizado nacionalmente mostra que 80% das população brasileira já teve contato com o protozoário causador da toxoplasmose, a qual também é transmitida pelas fezes contaminadas de gatos. Entretanto, a população de risco são mulheres em idade fértil, que se contaminadas podem gerar fetos com deficiência. “Mesmo assim, os estudos também mostram que menos dos 20% dos gatos tem capacidade de transmitir a doença. É preciso acabar com esse preconceito de que ao tocar no gato as pessoas vão pegar toxoplasmose ou asma”, reiterou.

Em Natal, há concentração de gatos nas avenidas Engenheiro Roberto Freire, Omar O’Grady, em um supermercado da Salgado Filho e nos parques das Dunas e da Cidade. Isso acontece, de acordo com a professora Hélderes, porque os animais costumam ficar a até 700 metros dos locais onde são abandonados.

No mutirão realizado neste sábado, a meta era castrar até cem gatos – dos quais 35 passaram pela cirurgia ainda pela manhã. Esses animais serão alimentados e ficarão recolhidos até segunda-feira e, logo depois, colocados para adoção. Segundo a jornalista Denise Azevedo, uma das coordenadoras do grupo independente Amigos do Pêlo, quem quiser adotar um gato pode visitar o animal no gatis da universidade, que fica por trás da Superintendência da Infraestrutura, e ir buscá-lo depois.

“Para nós, esse é um marco. A ideia sempre foi fazer o controle populacional dos animais. Só alimentar e cuidar o animal na rua não adianta. Com a castração, é possível evitar os maus tratos e o abandono”, pontuou Denise.

Mais de mil gatos já castrados

O grupo Amigos do Pêlo, formado no início de 2013, mantém castrações de gatos por conta própria. “Já castramos mais de mil gatos desde o início do grupo”, acrescenta a jornalista Denise Azevedo.

Karla Brandão é voluntária dio grupo Dog Cat há dez anos, e já participou de diversos mutirões de vacinação e doação de animais. Para ela, somente quem realmente é próximo aos animais continua no trabalho. “Cuidar de animais é um trabalho que tem apenas início, não tem meio ou fim. Muitas vezes as pessoas começam a se integrar e desistem”, aponta. Segundo a ONG, que tem foco no trabalho com cães, uma das maiores dificuldades é encontrar lares temporários.

Ontem pela manhã, 35 animais foram castrados. Nove veterinários voluntários e onze estagiários do curso de Medicina Veterinária da UnP também participaram do projeto. Nas fêmeas foi realizada a técnica do gancho – menos invasiva, que diminui o tempo da cirurgia para 15 minutos.

Para o coordenador do curso, Rodrigo Padilha, a iniciativa da castração ajudará a diminuir o abandono. “A superpopulação de animais já começa pelo abandono. As pessoas deixam de gostar, a gata tem filhotes e as pessoas abandonam”, explica o professor. “Algumas pessoas cuidam na rua, mas não é o cuidar que vai fazer eles se reproduzirem, como muitos pensam. É para que eles não morram de fome”, explica.

A jornalista Margô Ferreira, que também integra o grupo Amigos do Pêlo ressalta também a ausência de políticas públicas para controle populacional destes animais. “Essa é uma luta antiga. No ano passado, a Semurb (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo) nos prometeu um posto para castração em período integral, mas não nos deram mais resposta”, afirma. O município mantém, atualmente, apenas um curral público para animais de grande porte.

Fonte: Tribuna do Norte

Nota do Olhar Animal: A forma mais comum de transmissão da toxoplasmose é por meio do consumo de carne (especialmente a de porco) e de vegetais mal lavados. Para que alguém seja contaminado por um gato é necessário que haja contato com as fezes do animal contaminado. 

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