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Na cidade do filé com queijo, veganos se sentem em casa

Por Erik Piepenburg / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Como você chama um filé com queijo sem queijo e sem filé?

Parece uma piada. Mas não há nada do que rir quando se trata de veganismo na Filadélfia, EUA, a qual, nos últimos anos, vem evoluindo para um universo dinâmico de comida vegana, desde rosquinhas tradicionais até tacos aventureiros. O veganismo está tão em alta que a cidade declarou o último dia 1º de novembro como Dia Vegano da Filadélfia.

“Há uma nova energia aqui”, disse Mike Barone, o dono do Grindcore House, uma cafeteria vegana no sul da Filadélfia, um famoso bairro italiano que passou por um renascimento gastronômico perto da grande fonte Passyunk. “Você pode sair e ir para mais lugares que são veganos. Muitos outros locais estão se ajustando, e isso se tornou uma bola de neve”.

Os veganos motivadores da Filadélfia dizem que o que está acontecendo vem de viver em uma cidade curiosa por comida, onde é barato explorar novos horizontes.

EUA filadelfia cidadevegana 02“É acessível viver e fazer negócios aqui”, disse Jeff Poleon, sócio do Dottie’s Donuts, uma padaria completa onde as rosquinhas são feitas com leite de coco e substitutos para os ovos, e os glacês são feitos com manteiga de castanhas. “As pessoas estão dispostas a experimentar algo novo. O fato de que é vegano é quase secundário”. Poleon abriu uma loja de materiais de construção em março no oeste da Filadélfia.

Muito do crédito pelo boom do veganismo na cidade vai para Richard Landau e Kate Jacoby, uma equipe de marido e mulher cujo “restaurante de vegetais” Vedge abriu em 2011 em uma casa perto da famosa Rua 13. (Horizon, seu antigo restaurante, ajudou a cidade a se apaixonar pela comida vegana.) O cardápio enfatiza os vegetais das estações e proteínas fartas e saborosas como tofu e seitan (glúten de trigo).

“Nós estamos fazendo uma comida boa”, Landau disse. “Eu acho que a maioria dos nossos clientes nem se importa que é vegana”. Ano passado, a revista Philadelphia elegeu Vedge e V Street entre os melhores 50 restaurantes da cidade, dizendo que Vedge “é nosso lugar favorito para mandar qualquer pessoa que procura por um verdadeiro sabor do talento da Filadélfia”.

Em 2014, Landau e Jacoby abriram o V Street, um restaurante de comida de rua no bairro Rittenhouse Squase, que foca nas “coisas mais picantes e mais ousadas”, conforme Landau coloca. Lá você vai encontrar tacos com tempeh frito para acompanhar suas batatas fritas crocantes peruanas.

EUA filadelfia cidadevegana 03Também inflamando o fogo vegano da cidade está Nicole Marquis, que gerencia um mini império de restaurantes veganos. Bar Bombón, que abriu em agosto perto do Rittenhouse Square, transforma a típica gastronomia cheia de carne da América Latina em versões veganas de comidas como tacos de peixe e empanadas recheadas de chouriço.

“Eu estou tentando apelar para as massas, para aquela pessoa que nunca pensou ser possível comer uma refeição sem carne, mas experimenta e comida e diz, ‘Eu gosto disto’”, disse Marquis, cuja mãe é de Porto Rico.

Dentre os famosos restaurantes da Rua 13 está o Charlie Was a Sinner, também de Marquis, um restaurante que oferece pequenos pratos como tofu e linguiça de feijão e, para sobremesa, pot de crème de chocolate e bananas com rum. (O nome do restaurante “parece a primeira sentença de um livro”, disse Marquis.) O Hip City Veg, perto do Rittenhouse Square e de Univesity City, é o conceito fast casual de Marquis, que acelera o negócio com seu suculento sanduíche de “frango”. Novas localizações estão programadas para abrir em Washington, e perto da prefeitura na Filadélfia.

Apesar de seu veganismo ter raízes em uma “profunda missão pessoal de acabar com o sofrimento animal”, Marquis disse que ela se focou em uma “marca acessível com comida deliciosa”, ao invés de dar sermões.

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“Ninguém quer ouvir sobre fazendas industriais quando você está pedindo um sanduíche”, ela disse. “Mas nós temos o mesmo resultado: Há uma refeição cheia de carne a menos sendo comida cada vez que eu sirvo um sanduíche”.

O veganismo político ocorre no Grindcore House, uma cafeteria com uma frente vibrante com um logotipo desenhado ao estilo de uma banda de rock pesado. Além de servir queijos cremosos de época com um som de rock nos alto-falantes, Grindcore é um local de encontro para grupos ativistas pelos direitos dos animais e um local para veganos restritos, que evitam não apenas comer produtos vindos de animais, mas também drogas, álcool e cigarro. O local também atrai artistas, músicos e outros profissionais não veganos que chamam o sul da Filadélfia de lar.

“Os funcionários são bem acolhedores apesar do local parecer abrasivo”, Barone disse com uma risada.

Mark Mebus, sócio da pizzaria vegana Blackbird em Society Hill, disse que o entusiasmo que está regendo a cena vegana na Filadélfia o lembra de seus primeiros dias quando se converteu ao veganismo.

“Nós ouvíamos que os sabores naturais no ketchup continham pó de carne, então nenhum dos meus amigos comia ketchup por causa disso”, disse Mebus, cujo restaurante serve versões veganas de filé com queijo e calzones. “Nós éramos jovens. A gente se empolgava com tudo”.

Fonte: The New York Times

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