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Na luta contra os maus-tratos em Palhoça, SC

Apitaço na Ponte do Imaruim e a coleta de assinaturas em petição pública são exemplos de quem luta pelo bem-estar dos animais de rua em Palhoça

Por Isonyane Iris

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As histórias de maus-tratos aos animais, que se repetem cotidianamente por toda Palhoça, despertaram ações práticas por parte de quem não aceita a crueldade com os bichos. Na internet ou nos canais legais, cidadãos engajados saíram em defesa daqueles que não pode se defender sozinhos.

Nas redes sociais, os palhocenses estão se organizando para realizar um apitaço na Ponte do Imaruim às 18h do dia 24, Dia Mundial da Castração de Cães e Gatos. Também na internet, há uma petição pública colhendo assinaturas para exigir do poder público medidas que minimizem o problema dos animais abandonados nas ruas da cidade. “Devido à quantidade de cães soltos não castrados, não vacinados, não desverminados, com saúde comprometida nas ruas de Palhoça, venho por meio deste pedir ajuda da Prefeitura com castração e local para abrigar cães que não têm condições de circular pelas ruas, comprometendo a saúde e higiene dos moradores e visitantes”, pede o abaixo-assinado, que tinha reunido 247 assinaturas até o fechamento desta edição (veja como assinar em: peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR79211).

“É triste ver esses animais jogados pelas ruas, porque a Prefeitura não toma uma providência. Cada vez mais filhotes aparecem, isso com certeza só vai ter fim quando as pessoas pararem para entender que a castração é necessária. É triste porque eles preferem envenenar. Isso me machuca por dentro, nem todos nós temos condições de adotar vários, mas isso cabe à Prefeitura ter um lugar próprio para esses bichinhos”, reclama Maria Isabel Dutra, moradora da Pedra Branca.

E é justamente na Pedra Branca que ocorreu um caso recente de envenenamento. Comida envenenada foi encontrada na Praça Aroma das Camélias, na Rua dos Jasmins, na manhã do dia 3 de fevereiro. No mesmo dia foi registrado um Boletim de Ocorrência, e a polícia tentaria identificar quem colocou a comida lá através das imagens de câmeras de vigilância. Os alvos eram dois cães que “residem” nesta praça há mais de cinco anos. Os cães são conhecidos da comunidade e têm até nome: Xuxu e Pet.

Segundo moradores, os cães “são muito queridos e alimentados por todos que moram na redondeza”. Os cães seriam saudáveis – recebem remédio para pulga, carrapato e vermes – são levados para tomar banho regularmente. Os cães sobreviveram porque foram socorridos a tempo, mas a atitude colocou em risco não só a vida deles, como também de crianças que brincam naquela praça.

Abandono

Nesta quarta-feira, dia 11, uma cena lamentável foi registrada na Praça das Bandeiras, no Centro: um carro parou junto à praça e abandonou um cachorrinho ali. O animal ficou parado por um longo tempo, esperando pela volta do tutor.

Com seis cachorros em casa, Fernanda Silva Morais é moradora do bairro Jardim Eldorado e conta que não entende as pessoas que abandonam animais pelas ruas. “Eu já presenciei várias cenas chocantes, tem gente que é capaz de deixar o bicho amarrado em postes. Eu penso: se você não pode mais ficar, por que não doa para alguém ou mesmo por que pegou ele um dia? Muitas pessoas acham que bicho de estimação é objeto de estimação, usam e quando enjoam jogam fora. Cadê o coração dessas pessoas? Pelo amor de Deus, isso não é ser humano, isso são pessoas cruéis. Envenenar, matar a paulada, abandonar e até mesmo colocar fogo são ações de pessoas que não querem mais seus animais e que podem ser consideradas verdadeiros monstros”, conclui.

Ao sair de casa, no bairro Aririú, Sérgio Oliveira conta que se deparou com um cachorrinho vomitando sangue e que imediatamente tentou ajudar. “Eu estava saindo com meu carro quando percebi um cachorrinho se rastejando na calçada. Ele estava ensanguentado, até achei que tinha sido atropelado, mas percebi que o sangue vinha da sua boca. Na hora eu nem pensei, peguei uma toalha e embrulhei o bichano e levei até a veterinária. A doutora diagnosticou que ele tinha sido envenenado. Então eu pergunto: quem tem coragem de fazer isso com um pobre animal indefeso? Eu tratei, conseguimos salvar e hoje o Moleca está comigo. Ele é um amor, dócil, carinhoso, obediente. Será que o antigo tutor não percebia essas qualidade? Provavelmente não, porque para dar veneno a um animal querido como esse cão só sendo uma pessoa terrível mesmo”, afirma.

Opinião

As palavras de uma leitora que preferiu não se identificar por medo de represália dos vizinhos servem de estímulo na luta contra os maus-tratos:

“Escrevo para tratar da revoltante situação de abandono, desprezo e indignidade em que vivem os animais de rua nesta cidade. Em primeiro lugar, culpo os tutores irresponsáveis, pois a superpopulação animal – e nesta incluo cães, gatos, cavalos e vacas, já que nossa cidade é referência em diversidade de animais maltratados e esquecidos – sem dúvida alguma tem seu início na posse irresponsável. Certamente, se cada cidadão se responsabilizasse pelo seu animal e pelas crias deste, o mundo seria um lugar melhor de se viver e não seríamos obrigados a conviver diariamente com cenas chocantes e indignantes de sofrimento e angústia experimentados pelos animais de rua. Em segundo lugar, está o Poder Público, conivente com a falta de educação e crueldade do seu povo. Um município que não se preocupa com a conscientização da população, que não dá eficaz cumprimento às leis de proteção animal, que não pune os infratores, que não possui qualquer política pública de controle da superpopulação animal (castração, castração e castração) e da saúde desses animais (atendimento ambulatorial, vacinas, medicamentos), e que sequer cumpre as promessas que faz é um município que caminha para trás, que não respeita os cidadãos. Recolher os animais e confiná-los em ambientes desestruturados e desprovidos de condições de manutenção e cuidado certamente não é o que se espera, pois não resolveria o problema, apenas o agravaria, assim como agravaria a situação dos animais. Os estudiosos do assunto já pesquisaram sobre isso para que a Administração Pública, leiga no assunto assim como nós, possa apenas tomar as providências eficazes e menos onerosas ao caso, que são, como já dito, a castração e o atendimento ambulatorial, não só para animais abandonados, mas também para aqueles pertencentes à população de baixa renda. Resido no bairro Pedra Branca, que é monitorado por câmeras. Lá, o número de casos de abandono de animais é imenso, mas os moradores sempre acionam a empresa privada de segurança na tentativa de identificar os malfeitores através das
gravações. Dessa forma, é possível registrar o Boletim de Ocorrência e responsabilizar os culpados, medida que já foi tomada diversas vezes. Convido você, leitor, a fazer o mesmo! Denuncie os casos de abandono e maus-tratos que você conhece! Não se cale! As pessoas de bem não podem se calar, pois o mal jamais se cala.”

Fonte: Palhocense

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