Não, aquele tigre do zoológico não está cumprimentando você: os comportamentos normalmente mal interpretados dos animais em cativeiro

Não, aquele tigre do zoológico não está cumprimentando você: os comportamentos normalmente mal interpretados dos animais em cativeiro

Por Corrine Henn / Tradução de Luciane Sarti

É certo supor que, em algum momento, cada um de nós já tenha tido a experiência de ver animais em cativeiro. Ter a oportunidade de ver animais selvagens, como tigres, elefantes e gorilas de perto é uma expectativa emocionante. Infelizmente, qualquer pessoa que tenha entrado em um estabelecimento que mantém animais selvagens em cativeiro possivelmente já testemunhou comportamentos estereotipados incomuns.

Muitos visitantes se divertem quando os animais parecem segui-los pelo estande. Em alguns casos, pensam que os animais estão “dançando”. A verdade é que esses são apenas alguns dos muitos comportamentos estereotipados apresentados por animais cativos. Esses comportamentos anormais constituem o “zoochosis”, o impacto psicológico provocado pelo cativeiro em animais selvagens.

O termo foi usado pela primeira vez em 1992 por Bill Travers para caracterizar os animais que viviam em zoológicos. Atualmente, o termo se refere a qualquer animal selvagem mantido em cativeiro que apresente comportamento anormal, incluindo animais que estão em zoológicos, aquários, laboratórios de testes e falsos santuários. Esses comportamentos não têm um propósito ou função claros e são destrutivos para o bem-estar mental e, muitas vezes, físico desses seres.

De acordo com um estudo, a importância do comportamento é tão significativa quanto os órgãos internos são vitais para a vida. Os animais que exibem comportamentos normais garantem a homeostase, equilíbrio necessário para assegurar a estabilidade e a manutenção das condições internas. Quando um animal mantido em cativeiro não é capaz de modificar ou controlar seu ambiente, ele passa a apresentar um comportamento estereotipado. Os cientistas acreditam que este comportamento anormal libera endorfinas e permite um alívio momentâneo.

Embora muitos estabelecimentos renomados gastem milhões de dólares em programas para manter esses seres “felizes”, fica claro que os comportamentos estereotipados representam o mal-estar dos animais em cativeiro. Nenhum ambiente pode competir com o ambiente que os animais teriam na natureza. Ainda que os seres nascidos em zoológicos e em outros estabelecimentos ganhem vida através de programas de reprodução, o número de animais sofrendo com esses comportamentos estereotipados só confirma ainda mais sua natureza intrinsecamente selvagem e seu sofrimento em cativeiro.

Como esses estabelecimentos lidam com tais comportamentos?

O debate sobre se os animais são seres emocionais e sencientes é constante, e embora os zoológicos e aquários prontamente afirmem que seus animais são saudáveis e ativos, esses estabelecimentos são igualmente rápidos em repudiar as alegações de que seus animais possam sofrer de depressão e ansiedade.

Nos últimos anos, temos visto um aumento no número de denunciantes e nos crescentes indícios de que o cativeiro afeta profundamente os animais explorados nessas exibições.

De acordo com Laurel Braitman, muitos zoológicos fazem uso de psicofármacos com o intuito de atenuar os comportamentos estereotipados, pois eles “custam menos que reconstruir um estande de dois milhões de dólares”.

Infelizmente, esta prática não é nova. Já vimos esses estabelecimentos administrarem psicofármacos para aliviar temporariamente os sintomas de um problema muito mais sério diversas vezes. Mais recentemente, o parque aquático SeaWorld foi alvo de críticas por dar benzodiazepinas às orcas. Para quem não sabe, foi após o lançamento do documentário Blackfish e o questionamento do público sobre o bem-estar dos animais que o SeaWorld decidiu revisar e reformular as exibições de seus parques.

Comportamentos estereotipados comuns

Caminhadas repetitivas no mesmo ritmo

O movimento realizado em um padrão distinto. Alguns animais apresentam movimentos lentos e prolongados enquanto outros realizam movimentos rápidos que duram curtos períodos.

Mordidas

O ato contínuo de sugar, morder ou lamber paredes ou grades nas exposições.

Balanço/sacudida da cabeça e torção do pescoço

Regurgitação

Frequente vista nos primatas, animais tem sido vistos regurgitando suas refeições depois de comer para comê-las novamente ou brincar com elas. John Hargrove conta em seu novo livro que observou esse comportamento em orcas. (Aviso: este vídeo contém cenas explícitas).

Automutilação e limpeza excessiva

Observadas normalmente em animais que são mantidos em confinamentos solitários.

O que você pode fazer?

Os zoológicos e outros estabelecimentos que lucram ao manter animais selvagens em cativeiro para entretenimento nunca colocarão o bem-estar dos animais em primeiro lugar. Sabendo como os animais sofrem no cativeiro, nós, como clientes, devemos recusar o financiamento desses abusos. Quando pararmos de financiar atrações cruéis que maltratam os animais, elas deixarão de existir. Então, vamos ajudar a esvaziar as jaulas?

Fonte: One Green Planet

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