Não dê um animal de presente no Dia das Crianças

Não dê um animal de presente no Dia das Crianças

Por Cynthia Gonçalves

Então mais um dia das crianças se aproxima e os pais procuram descobrir o que seu pimpolho quer ganhar nessa data especial. Todo ano a história se repete até que um dia a criança diz “eu quero um cachorro” ou “eu quero um gatinho”.

Os pais sem pensar muito correm atrás de um animalzinho para satisfazer o desejo da criança, colocam o pobre bichinho numa caixa de presente ou com um belo laço no pescoço e pronto, desejo realizado! Isso seria lindo se o final normalmente não fosse trágico!

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Primeiro porque toda criança conforme vai crescendo tende a perder o interesse no que deixou de ser novo. Segundo porque assim como a criança, os animais crescem, fazem xixi, cocô, precisam de atenção, carinho e cuidados. Terceiro porque infelizmente, principalmente os animais adotados em outubro são abandonados em dezembro, época de férias e quando o cãozinho ou gatinho começam a atrapalhar a rotina da família que não está preparada e muito menos orientada do que é tutela responsável.

Sem contar que o triste mercado dos animais de raça ficam superaquecido nestas épocas onde dar presentes é um costume. Matrizes sofrem para gerar dinheiro aos canis de fundo de quintal, sem nenhum suporte médico, sem nenhum respeito por aquele ser vivo que simplesmente virou fonte de renda, quanto mais filhotes mais dinheiro.

Cios são induzidos um após o outro, a matriz vira uma fábrica, não demora muito está debilitada e as consequências de tanta maldade são visíveis a quilômetros de distância. Faça um teste, jogue no campo de busca do Google a seguinte frase “maus tratos em matrizes de cachorro” coloque em imagem e assista ao show de horror que você consumidor patrocina.

Não menos pior é a pessoa que tem “bom senso” e vai até um abrigo adotar um animal abandonado. Gesto bonito, não? A pessoa adota, tira aquele animal de onde está sendo cuidado, presenteia a criança e depois simplesmente esquece, vai deixando sair pra rua, dormir sem nenhum teto que o proteja, quando lembra coloca água ou comida que de preferência é a mais barata. Veterinário? Pra que? É vira-lata mesmo, não tem dinheiro pra essas coisas… e assim caminha a humanidade mais desumana que existe.

O que as pessoas precisam entender é que animal não é brinquedo, está longe de ser um objeto! Eles tem sentimentos, sentem fome, medo, frio, sofrem diretamente as consequências da sua falta de responsabilidade. Eles precisam de atenção, um lugar confortável e aquecido para dormir, precisam de água limpa, comida de boa qualidade, vacinas, respeito e amor.

Se for para trazer um animal para fazer parte de sua família não compre, adote! Mas antes de adotar leia, entenda os prós e os contras, trate com dignidade esse serzinho que provavelmente já sofreu muito. Tenha por ele zelo, cuidado, conscientize seu filho e sua família de que aquele peludinho que faz festa quando você chega que procura o seu colo e lambe sua mão, não é um objeto e sim um membro da família.

Se não for para amar verdadeiramente deixem eles onde estão!

Fonte: O Taboanense

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