Não há suspeitos na morte de especialista em vida animal que denunciava tráfico de marfim

Não há suspeitos na morte de especialista em vida animal que denunciava tráfico de marfim
Fotos: Getty Images

Esmond Bradley Martin tinha 76 anos e era um dos mais respeitados estudiosos do mercado negro do marfim e de cornos de rinocerontes. Foi vítima de um homicídio este domingo, em Nairobi, no Quénia, e as autoridades não têm pistas.

Martin juntou vários inimigos ao longo dos anos devido ao seu trabalho a denunciar as profundezas do tráfico de marfim em todo o mundo. O trabalho do activista tornou públicas as mortes de milhares de animais em vias de extinção, mortos por caçadores e traficantes de marfim. Mas não é certo que tenha sido morto por este motivo.

As autoridades do Quénia avançaram a teoria de que o homem tinha sido morto durante um assalto, com um golpe de faca no pescoço. Mas vários amigos contactados pelo jornal norte-americano The New York Times acreditam que a sua morte possa estar relacionada com motivos mais sinistros.

A mulher, Chryssee, estava fora de casa e quando voltou encontrou o marido morto no chão da propriedade em Nairobi. O cofre da família estava aberto e vazio, o que dá força à teoria do assalto.

Martin chegou a ser um enviado especial das Nações Unidas para a conservação dos rinocerontes pelo seu conhecimento e contactos com muitos dos elementos dos grupos ilegais que negoceiam em marfim.

Martin vivia no Quénia desde a década de 60 para investigar a vida selvagem local, tendo sido um dos responsáveis por chamar a atenção mundial para o problema da extinção dos rinocerontes e do tráfico ilegal de marfim.

De momento, o activista estava a investigar o re-surgimento do interesse do marfim em mercados como o do Vietname e da China.

Por Diogo Barreto

Fonte: Sábado / mantida a grafia lusitana original

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