Não se iluda ou contribua com o abuso contra elefantes

Não se iluda ou contribua com o abuso contra elefantes

Por David Neale / Tradução de Alda Lima

Estar na presença de um elefante é uma experiência incrível. Seu tamanho, por si só, é suficiente para impressionar, e seu caráter sociável e gentil o deixa com uma sensação de calma e satisfação de que a vida pode e deve ser amigável e pacífica.

No entanto, este temperamento calmo e de boa natureza é repetidamente explorado.

Mais recentemente, imagens de jovens turistas ocidentais bêbados na Tailândia, montados em elefantes bebê durante festas em piscinas chocou muitos, e com razão. Mas isso também deve servir como um lembrete do quão facilmente as pessoas podem ser ignorantes em relação às graves questões acerca do bem-estar animal.

Para enorme detrimento de um dos mais imponentes animais da natureza, nós aprendemos que, se física e psicologicamente abusarmos destes gigantes gentis, podemos forçá-los a estar em situações que nos convencemos serem engraçadas e divertidas.

Montar em elefantes: divertido ou cruel?

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As diversas possibilidades de passeios de elefante para viajantes que visitam destinos do Sudeste Asiático são um excelente exemplo. O que poderia ser mais “natural” do que passar algumas horas na companhia de um elefante, exercitando-os e banhando-os? Afinal, em muitos casos, estes elefantes foram “resgatados” de uma vida de trabalho duro em campos de exploração madeireira.

Ao longo de sua experiência num passeio de elefante, você vai estar nas mãos “cuidadosas” de um mahout, uma pessoa que entende seu elefante como nenhuma outra. No entanto, na maioria dos casos, essa pessoa vai ter em sua posse um instrumento para garantir que seu elefante permaneça sob controle. Proporcionar experiências de contato próximo com um animal tão poderoso traz inevitáveis questões de segurança.

Para mitigar os riscos e proteger sua segurança, o mahout vai usar uma ferramenta afiada ou gancho para “guiar” seu elefante aos lugares e posições que você deseja. A ferramenta bullhook ou similar também é usada em algumas situações para infligir punição física. Não importa o quão suavemente o bullhook seja usado com um animal na sua presença, em algum momento ele primeiro teve que ser estabelecido como um reforçador negativo. Isso significa causando dor e desconforto suficiente para que o animal se lembre e procure evitar aquela dor através do cumprimento de instruções. Um “jab-stick” menor de mão também pode ser usado para cutucar o elefante em lugares sensíveis, como atrás das orelhas, para garantir que ele está em conformidade com o desejado para o turista.

A utilização destes instrumentos remove a escolha e controle de um elefante sobre seu ambiente e ações imediatas. O majestoso animal é obrigado a cumprir com os desejos do treinador, independentemente de a ação estar de acordo ou não com seus interesses.

Espetáculos com elefantes

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Em outros lugares, elefantes também são obrigados a suportar a indignidade e a dor física da realização de truques de circo para entretenimento. Elefantes de cabeça para baixo ou girando em círculos só confirmam nosso papel como manipuladores de todas as coisas belas. Já os animais suportam a dor e indignidade vezes e mais vezes para não receberem mais punições físicas.

Quando você pára para considerar tudo isso do ponto de vista do elefante, de repente não parece tão divertido ou inocente.

Muitos destes elefantes começaram suas vidas na selva com suas manadas familiares, apenas para serem arrancados por mãos humanas, apanharem até sua submissão através de um regime de treinamento brutal, e forçados a uma vida de miséria abjeta em locais de exploração madeireira ou acampamentos para turistas. Outros tiveram o azar de serem vítimas de abusos desde o instante em que nasceram.

O Que Você Pode Fazer?

Se você realmente ama e respeita elefantes, não monte e ande neles, não pose para fotos com eles, e não pague para vê-los realizarem truques circenses.

Há lugares que têm verdadeiramente resgatado elefantes de uma vida de miséria, lugares que permitem que os elefantes sejam elefantes em companhia de seus pares e que não os obrigam a realizar truques ou fornecer passeios e “experiências de contato próximo.” Estes são os lugares que proporcionam um verdadeiro santuário.

Santuários confiáveis podem ser reconhecidos pelos seguintes aspectos:

* Seus elefantes vivem em grupos, e não são submetidos a confinamento isolado

* Seus elefantes não são acorrentados

* Não é usada violência em interações com os elefantes

* Não há reprodução de elefantes nas instalações

* Não há contato entre turistas e elefantes

Um desses lugares é o Elephant Transit Home em Udawalawe, Sri Lanka. Seus elefantes órfãos geralmente só podem ser vistos em seus horários de alimentação, quando podem ser observados de uma plataforma de observação por cerca de vinte minutos, enquanto recebem leite. Eles passam o restante do tempo no parque nacional, longe da vista das pessoas, se preparando para seu retorno à vida selvagem. Ali, o bem-estar dos elefantes vem em primeiro lugar — como deveria em todos os verdadeiros santuários.

Fontes das imagem no texto: Animals Asia

Fonte: One Green Planet

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