Nas férias, fuga de cães cresce 20%

Nas férias, fuga de cães cresce 20%
A médica veterinária Cláudia Gomiere passeia com a cadela Viúva, que chegou há três meses ao CCZ

É chegada a época de férias e muitos aproveitam o merecido descanso para viajar. Porém, aqueles que têm pets precisam ter cuidados redobrados. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em Bauru, estima que a fuga de cães cresça em torno de 20% neste período e, assim, acende alerta sobre o risco de deixar os animais sozinhos em casa por muito tempo.

Perdido, o Pata está no CCZ desde janeiro do ano passado
Perdido, o Pata está no CCZ desde janeiro do ano passado

De acordo com a médica veterinária do órgão, Cláudia Gomiere, o CCZ costuma receber, em média, 30 cães perdidos, mensalmente. Nas férias escolares do início ou do meio do ano, a demanda do local chega a aumentar até 20%.

Segundo Cláudia, os cães têm necessidade de conviver com o ser humano. Logo, deixá-los sozinhos por muito tempo provoca elevado grau de estresse. “Eles aproveitam para escapar, em busca dos proprietários, sempre que alguém vai alimentá-los”, acrescenta.

Alguns destes animais chegam ao CCZ, que os acolhe e aguarda até cinco dias úteis, na esperança de que os donos apareçam antes de colocá-los para adoção. “Só que o último lugar que o pessoal procura é o CCZ e, muitas vezes, quando o proprietário volta de viagem, já passou tanto tempo que desiste de recuperar o cão”, observa.

Além disso, a veterinária aponta que a maior parte dos fujões é formada por animais de grande porte, capazes de driblar qualquer pessoa que vá alimentá-los, pular um muro alto ou, até mesmo, quebrar um portão reforçado.

O QUE FAZER?

Nas férias de final do ano, o nível de estresse destes cães costuma crescer ainda mais, devido ao barulho dos fogos de artifício das comemorações, afinal, os bichos são extremamente sensíveis ao som. Portanto, os proprietários têm de tomar algumas precauções antes de deixá-los sozinhos em casa, conforme orienta Cláudia Gomiere.

O ideal é ter alguém que cuide dos cães por algumas horas, diariamente. Assim, eles se sentem seguros a ponto de sequer pensar em fugir de casa. Outra opção consiste em colocá-los em um hotel especializado, onde têm a oportunidade de conviver com humanos e outros animais.

Há, ainda, quem lance mão da homeopatia para acalmar os cães, procedimento considerado bastante viável pela veterinária, porque os florais dão resultado e não precisam de prescrição para adquiri-los (veja outras dicas no quadro no começo).

NO CCZ

Atualmente, o CCZ abriga oito cães perdidos, sendo que o mais antigo é o Pata. De raça indefinida, ele chegou ao órgão em janeiro de 2017, justo durante as férias do início do ano. Já idoso, o animal aparentava ter dono, porque estava bem cuidado e alimentado.

O apelido surgiu de uma fratura antiga que o cão apresenta na pata direita, provavelmente, decorrente de um atropelamento.

Até hoje, o Pata não foi adotado, nem recuperado pelo tutor.

SERVIÇO

Se alguém perder o cão, o recomendado é procurá-lo, também, no CCZ, que fica na quadra 2 da rua Henrique Hunzicker, na região do Jardim Redentor, em Bauru. O órgão funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e o telefone é o (14) 3103-8055.

Placa de identificação deve contar com DDD

E quem vai viajar com o animalzinho também precisa seguir algumas dicas. Com o calorão, muitas famílias começam a se programar para ver o mar e, se a ideia é levar o pet, alguns detalhes precisam ser planejados para garantir o bem-estar do mascote e não estragar a diversão da família.

Entre eles, está a importância de usar uma plaquinha de identificação, com o nome do cão e do tutor, além do telefone com DDD, o que pode ser de grande ajuda, caso o animal escape.

Tem gente que não se esquece da placa, mas deixa de colocar o código de área, fato que dificulta o reencontro da família com o melhor amigo.

Se a opção for deixá-lo em um hotel canino, é preciso se lembrar de fazer a reserva com antecedência, bem como levar ração e petiscos com os quais o bichinho está acostumado. E mais: o cheiro familiar de brinquedos, caminha ou cobertor também faz a diferença.

Um dos principais problemas de saúde, em cães, é a exposição à dirofilariose, mais conhecida como doença do verme do coração.

Transmitida por mosquitos encontrados com maior frequência no Litoral, ela é causada por uma larva que se desenvolve no coração dos bichos, provocando sintomas que podem demorar anos para aparecer, mas que costumam ter graves consequências.

“Além da vermifugação correta, é indicado o uso de uma coleira repelente, que também ajuda a prevenir a leishmaniose”, alerta Alessandra Costa Araújo, médica veterinária do Hospital Veterinário da Unip, em Bauru.

No entanto, ela frisa que os cuidados com o pet são importantes ainda durante o transporte. “O ideal é que sejam levados em caixas ou protegidos por cintos de segurança próprios, com pausas ao longo do trajeto para beber água. Se o animal for muito agitado e a viagem, longa, também é recomendada a sedação leve para evitar que ele se estresse”, afirma, salientando que o atestado veterinário atualizado é requerido, até mesmo, para viagens de carro.Portanto, a visita a um profissional qualificado é imprescindível para evitar quaisquer problemas.

Um cantinho só para eles

Embora não fujam como os cães, os gatos – geralmente, de rua – também são abrigados pelo CCZ. Recentemente, eles ganharam um refúgio, idealizado pela veterinária Cláudia Gomiere. No local, 40 animais, que não são domesticados e, portanto, estão inaptos para adoção, passam a maior parte do tempo.

O refúgio foi construído para abrigar os 40 gatos que vivem soltos pelo CCZ
O refúgio foi construído para abrigar os 40 gatos que vivem soltos pelo CCZ

O refúgio foi construído pelos próprios servidores no CCZ, em um espaço próximo ao gatil, onde ficam os gatos disponíveis para adoção. O local é composto por areia, pedras, troncos de árvores e até um lago ornamental. Todos os materiais foram doados pelos funcionários do órgão e do Zoológico Municipal.

Por Cinthia Milanez / Fotos: Malavolta Jr.

Fonte: JCNET

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