Nós escavamos florestas por óleo barato, mas esses animais estão pagando o preço

Nós escavamos florestas por óleo barato, mas esses animais estão pagando o preço

Por Aisling Maria Cronin / Tradução de Carla Lorenzatti Venturini

Os recursos que nós, humanos, obtemos da exploração comercial de florestas tropicais e outros importantes habitats de vida selvagem são aparentemente infinitos. Óleo de palma, por exemplo, é um recurso comumente usado, encontrado em uma grande quantidade de produtos, incluindo sabões, produtos de limpeza, biscoitos, chocolates e até mesmo na comida de animais de estimação. Ele aparece em aproximadamente 50 por cento dos produtos do dia-a-dia, graças a sua longa durabilidade e baixo custo para os fabricantes. Porém, essa conveniência tem um apreço muito alto para os ecossistemas dos grandes produtores de óleo de palma, como Indonésia e Malásia.

7.5 bilhões de florestas virgens costumavam cobrir a Terra, mas os humanos cortaram esse número pela metade. O Greenpeace International estima que 25 por cento do total do desmatamento causado pelos humanos nos últimos dez mil anos ocorreram apenas nas últimas três décadas. Nós provavelmente extraímos grandes quantidades de bens materiais das áreas florestadas do planeta, como óleo de palma, fibras de madeira e papel, mas o que isso significou para as espécies selvagens que habitavam essas florestas? A ideia é um tanto desoladora, na verdade: durante os últimos quarenta anos, 52 por cento da vida selvagem da Terra desapareceu. Muito desse declínio é atribuído à perda de habitat, já que as atividades humanas se expandiram para áreas que eram o lar de inúmeras espécies selvagens.

Considere o seguinte, quase oitenta por centro do desmatamento da Amazônia é causado pela produção da carne, já que duas mil árvores são derrubadas a cada minuto com o intuito de abrir espaço para fazendas de gado. A segunda maior floresta tropical do mundo – Congo, na África Central – também está ameaçada pelo corte comercial de árvores, agricultura, construção de estradas e pela guerra civil na República Democrática do Congo. O Ecossistema Leuser da Sumatra, Indonésia, está sendo dizimado pelas indústrias de óleo de palma e pela derrubada ilegal de árvores. Extensos incêndios florestais nesse ecossistema têm deixado a saúde de comunidades locais em sério perigo e levado espécies como o orangotango, o elefante pigmeu e o tigre-de-Sumatra ao ponto de extinção.

Paul Hilton – um fotojornalista da conservação que procura gerar a conscientização de muitos problemas enfrentados pelos animais e pessoas do Ecossistema Leuser – postou recentemente uma foto em sua conta do Instagram que expunha a devastadora situação dos animais selvagens dessa região, que são subjugados ao tráfico de animais selvagens.

Esses bebês recém-capturados agora não podem esperar nada além de uma vida de exploração e miséria nas mãos humanas.

“Enquanto as florestas tropicais são derrubadas para fibras, papel e expansão do óleo de palma, a vida selvagem é extraída,” disse Hilton. “Novas estradas facilitam para os caçadores alcançarem áreas antes inacessíveis das florestas. O comércio de vida selvagem é grande em Sumatra. Milhares de animais são retirados de suas florestas todos os dias para serem vendidos no mercado negro. Os meios de captura são traumáticos e brutais. Os animais são mantidos em minúsculas gaiolas sob condições horrorosas. Uma vez capturados, o futuro é desanimador para eles.”

Garantir que os consumidores se tornem mais informados sobre como as suas escolhas diárias de compra tem impacto sobre as vidas de pessoas e animais em países distantes – e guiá-los em direção a produtos menos prejudiciais – é a chave para acabar com a destruição do Ecossistema Leuser e de outras florestas tropicais vulneráveis do nosso planeta.

Fonte: One Green Planet

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