Novilho desesperado faz o impensável para escapar do abate

Novilho desesperado faz o impensável para escapar do abate
Por Ameena Schelling / Tradução de Alice Wehrle Gomide
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Este novilho estava pronto para morrer pela sua liberdade. Mesmo assim eles não o libertaram.

O episódio de partir o coração ocorreu no começo desta semana, quando o assustado animal escapou de seus cuidadores em uma doca na Austrália. Ele estava prestes a ser colocado em um navio de exportação indo para o Vietnã, onde ele então seria abatido.

Ele já tinha suportado uma jornada esgotante, colocado em um caminhão lotado e levado de sua casa para o barulhento porto, e estava estressado e assustado com todas as novas visões e ruídos. Quando os oficiais chegaram para recapturá-lo, ele estava “surtando”, eles disseram ao ABC da Austrália.

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Eles atiraram no novilho com dois dardos tranqüilizantes. Mas o animal se recusou a ser recapturado. “Ele nos olhou e com seu olhar disse ‘Ah não’”, Will Green, o guarda que respondeu ao incidente, contou a ABC.

Ao invés disso, o corajoso novilho virou – e se jogou de uma altura de 8 metros para a água infestada de crocodilos. Mesmo quando o sedativo começou a tomar conta de seu corpo, ele estava determinado a fazer qualquer coisa para escapar.

Esta triste história gera ainda mais questões sobre a indústria de importação de gado da Austrália, que vem atraindo a crescente preocupação dos amantes de animais ao redor do mundo. Cada ano o país exporta milhões de animais vivos para o abate – para países que possuem pouca ou nenhuma lei de proteção animal.

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Mais de 2,5 milhões de animais já morreram nos últimos 30 anos devido às terríveis condições da jornada, e os que sobreviveram se deparam com um destino muito pior do que os animais nas indústrias de abate. 

Uma investigação recente pelo Animals Australia mostrou que esses animais enviados para o Vietnã, o destino deste pobre novilho, estavam levando marretadas até a morte; outra investigação de 2015 revelou que as vacas enviadas para Israel tinham suas gargantas cortadas e eram penduradas enquanto ainda completamente conscientes.

Infelizmente, este novilho não teve um destino melhor. Com a ajuda dos pescadores locais, os oficiais laçaram o assustado animal.

Quando deparados com a opção de levá-lo de volta ao porto, ou içá-lo ao navio de exportação, eles escolheram a segunda.

Então eles envolveram o assustado novilho em uma rede de pesca e jogaram seu cansado corpo no navio que o levaria para sua morte.

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Se você quiser ajudar a acabar com a exportação de animais vivos da Austrália, acesse http://www.animalsaustralia.org/take_action/petitions/ban-live-export/. Junte-se a cerca de 500.000 pessoas que já assinaram a petição. Você também pode doar ao Animal Australia acessando http://www.animalsaustralia.org/features/live-export-billboards/.

Fonte: The Dodo 

Nota do Olhar Animal: Quando se pensa em uma ação focada apenas no bem-estar animal e não na abolição de sua exploração, saltam aos olhos o especismo e sua inconsistência ética se, hipoteticamente, substituirmos os animais não humanos pelos humanos. Seria aceitável defender a exportação de humanos já abatidos para o consumo de sua carne, contrapondo-se à exportação deles vivos, sob o argumento de que isso lhes pouparia o sofrimento causado pelo transporte? Claro que não, pois quando substituímos os personagens evidencia-se que problema não é como seriam transportados, mas sim o fato de serem escravizados, abatidos, consumidos. Em uma notícia relacionada ao consumo de carne de cães na China, em que argumentamos que não havia diferença RELEVANTE entre consumir cães ou bois, aves, porcos, alguns internautas “justificaram” dizendo haver diferença porque os bois foram criados com o propósito de serem consumidos. Este raciocínio é flagrantemente frágil, posto que os cães na China também são criados visando-se o abate, salvo alguns casos de sequestro de cães ‘de estimação’, mas que representam parcela ínfima do total de animais abatidos. No mais, se fossem criados humanos destinados ao abate, a matança estaria justificada? Estaria validada eticamente? Este argumento é especista, já parte do princípio de que há animais que podem ser abatidos e outros que não podem (os humanos, por exemplo) sem dar motivos lógicos para este tratamento diferenciado, sempre sendo baseado em diferenças irrelevantes entre a espécie humana e as demais espécies de animais, e desconsiderando a principal similaridade entre elas: a senciência. 

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