Núcleo de Proteção aos Animais de Bagé (RS) suspende atendimentos

Núcleo de Proteção aos Animais de Bagé (RS) suspende atendimentos
Entidade já fez mais de 40 mil atendimentos (Foto: Divulgação NBPA)

Após 17 anos de existência, o futuro do Núcleo Bageense de Proteção aos Animais (NBPA) é incerto. Por não haver um acerto formal, de um novo convênio com a prefeitura, a presidente da entidade, Patrícia Coradini, anunciou às 17h de terça-feira, a suspensão dos serviços. Desde então, não há nenhuma perspectiva para que o trabalho seja retomado.

O rompimento da atuação do núcleo no município decorre da falta de uma definição para a verba mensal. De acordo com Patrícia, o acerto com a prefeitura, vigente até o dia 31 de dezembro de 2016, previa o encaminhamento de R$ 45 mil; mais R$ 25 mil em ração e outros R$ 25 mil em remédios. Cabe salientar que, nestes dois últimos, os próprios itens eram repassados diretamente, e não o dinheiro em si. Ou seja, o total do investimento do poder Executivo com a entidade, a cada 30 dias, era de R$ 95 mil.

Quanto à aplicação dos R$ 45 mil, Patrícia explica que o montante era direcionado para manter o funcionamento do Centro de Atenção, da Casa de Saúde Animal e da unidade móvel; manutenção dos carros e pagamento do combustível; salário dos 11 funcionários e cinco veterinários e a compra de remédios para casos específicos, como os animais que realizam tratamento de quimioterapia.

No entanto, a presidente afirma que o valor oferecido pelo prefeito Divaldo Lara impossibilita o núcleo de prosseguir com todos os serviços. A entidade solicitou que o repasse de R$ 45 mil fosse alterado para R$ 50 mil, devido ao reajuste anual do salário dos funcionários, e que os valores para ração e medicamentos fossem mantidos. No total, o investimento mensal da prefeitura, num novo convênio, seria de R$ 100 mil – R$ 5 mil a mais, em relação ao que existia até o final do ano passado. Entretanto, a contraproposta do chefe do Executivo foi de R$ 50 mil mensais. Este englobaria todos os serviços e tipos de repasses. Ou seja, a metade do que fora reivindicado por Patrícia.

Se o NBPA aceitasse o valor oferecido por Divaldo, Patrícia ressalta que apenas o Centro de Atenção seria mantido. Os serviços de castração e de atendimentos (inclusive os emergenciais) ficariam inviáveis. “Apenas pedimos que mantivéssemos como estava. Só teríamos esse reajuste de R$ 5 mil, mas isso é por causa da correção do salário mínimo”, enfatiza.

Polêmica e repercussão

Logo que Patrícia divulgou a suspensão das atividades do NBPA, por meio da rede social Facebook, uma série de comentários começou a circular na internet. Inclusive, numa das postagens, a presidente do núcleo aponta que Lara teria prometido, durante a campanha eleitoral para prefeito, que manteria o convênio com a organização. “Aliás, tenho um vídeo gravado em que ele garante que, se fossem necessários cortes, que seriam nos cargos políticos. Essa nova decisão nos pegou de surpresa”, observa.

Sobre a credibilidade do trabalho da entidade, Patrícia garante que todas as prestações de conta estão disponíveis à população. “Eu e toda diretoria somos voluntários. Quem recebe são os funcionários. Sempre nas fiscalizações do Tribunal de Contas, nunca tivemos apontamentos”, salienta. Um ato está previsto para hoje, às 9h, na Câmara de Vereadores. A ideia da entidade é buscar apoio dos parlamentares à causa.

Articulação parlamentar

Com a proteção animal como “bandeira”, a vereadora Beatriz Souza (Rede Sustentabilidade) destaca que a causa está acima de qualquer questão partidária. Ou seja, mesmo que a legenda esteja coligada à gestão de Divaldo, ela não descarta a hipótese de divergências. Questionada sobre a possibilidade de que a decisão do prefeito seja mantida, a vereadora adianta que entrará em contato com a direção estadual da rede para definir os rumos locais do partido.

Um argumento que ela apresenta, quanto à necessidade de manter o repasse, é de que buscará, em fevereiro, uma emenda parlamentar, com o deputado federal João Derly (Rede), também defensor da causa. “Porém, essa emenda só pode ser enviada se existir um convênio”, comenta.

Contraponto

Em nota oficial, postada na rede social Facebook, na noite de terça-feira, Divaldo destacou que o governo tem buscado alternativas para solução de problemas “tão graves quanto à continuidade do trabalho do núcleo, como comida para as pessoas necessitadas, medicamentos para pacientes e recuperação de máquinas para a manutenção das ruas e estradas”.

Ele destacou, ainda, medidas iniciais, como a redução do próprio salário e do vice-prefeito, assim como o corte de cargos e secretarias. Em função dos problemas financeiros do município, o prefeito aponta a necessidade de tempo para reequilíbrio das contas. Por isso, alega que não dispõe de R$ 100 mil para o núcleo.

Ontem à tarde, o prefeito se reuniu em seu gabinete, com Patrícia e a vereadora Beatriz. Segundo informações repassadas pela assessoria de Comunicação Social e Memória, ambos os lados estão em “tratativas” para resolução do tema.

Fonte: Folha do Sul 

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