Número de animais atropelados em terra indígena cresce 18,2%, em dez anos

Número de animais atropelados em terra indígena cresce 18,2%, em dez anos

As mortes foram registradas na Rodovia BR-174, e o número saltou de 389, em 2004, para 460 casos.

Por Annyelle Bezerra

RR Waimiri Atroari mortes

Nos últimos dez anos, o número de animais atropelados, na Terra Indígena Waimiri Atroari, na Rodovia BR-174, cresceu 18,2%, saltando de 389, em 2004, para 460, no ano passado, de acordo com dados inéditos levantados por pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Cobras, mucuras, saguis, pacas, cutias, tatus, sapos e até jacarés compõem a lista da fauna vitimada na rodovia que liga Manaus a Boa Vista/RR, conforme pesquisa realizada pelos mestrandos da UFRPE, Fabiana Cerqueira e Geraldo Moura.

Os dados mostram ainda que, nos últimos 17 anos, 8.449 animais silvestres foram vítimas de acidentes com automóveis, na terra indígena. O número equivale a quase dois atropelamentos, por dia. Com 761 casos, o ano de 2012 foi responsável pelo pico máximo de mortes de fauna silvestre, na região.

Segundo o Sistema Urubu, rede social de conservação da biodiversidade brasileira, proposta pelo Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), neste ano, 31 animais já foram atropelados, no Amazonas.

O professor do Instituto de CiênciaS Biológicas (ICB), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o biólogo Ronis da Silveira, afirma que qualquer estrada ou trilha que passe por dentro de um bioma ou área florestada acaba afetando o movimento dos animais. “Por mais que haja uma estrada, há 50 anos, naquele local, ela será nova e não prevista pelo animal. E é durante esse movimento que ocorrem as fatalidades”, afirma.

Segundo o biólogo, um exemplo da movimentação instintiva das espécies é o caso de uma preguiça real, monitorada através de uma coleira pelo ZAC que migrou, na última quinta-feira, do fragmento de floresta do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para a mata da Ufam, atravessando a Avenida General Rodrigo Otávio, zona sul de Manaus.

“O que nos resta a fazer é buscar medidas paliativas, pois nunca se chega a zero casos, mas dá para reduzir. Nossa malha viária é pequena em comparação com outros estados. Poderíamos ser um exemplo para eles”, afirma.

Sauim-de-Coleira

Para o também professor da Ufam e coordenador do Projeto Sauim-de-Coleira da universidade, Marcelo Gordo, os atropelamentos de animais selvagens são apenas um dos problemas causados pelas estradas, principalmente, as que cortam trechos de florestas ou vegetação nativa.

Segundo estatísticas do Projeto Sauim-de-Coleira, somente este ano, oito sauins já foram atropelados, dentro da universidade. O número, já alcança a média anual de oito a dez atropelamentos de sauins, registrados pelo projeto, nos últimos anos, no local.

A entrada do campus da universidade, devido o grande fluxo de veículos e a abertura da mata para a implantação de torres de energia é, segundo o biólogo Silveira, o principal ponto de travessia de animais e consequentemente de atropelamentos, na Ufam.

Segundo o coordenador, o desrespeito dos motoristas aos limites de velocidade, em certos trechos e a não aceitação pelos motoristas da instalação de redutores de velocidade são os principais obstáculos para a redução do número de atropelamentos de animais, na Ufam e em Manaus.

Sem um setor específico para o atendimento dos animais, dentro do campus, o coordenador afirma que os laboratórios do Projeto Sauim-de-Coleira e de Zoologia prestam atendimento de forma improvisada e, em parceria com veterinários do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), Inpa, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e clínicas veterinárias particulares.

De acordo com dados da Semmas, de janeiro até a última quarta-feira, 14 sauins-de-coleira foram atendidos na unidade de conservação Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras. Do total, seis sauins foram vítimas de atropelamento, destes quatro morreram.

Fonte: D24am

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