Número de encalhe de tartarugas em Maceió (AL) cresce quase 300%, diz Biota

Número de encalhe de tartarugas em Maceió (AL) cresce quase 300%, diz Biota

Entre julho e agosto deste ano foram 31 ocorrências, contra 11 em 2015. Instituto afirma que maioria dos encalhes é provocada por lixo no mar.

Por Michelle Farias

As tartarugas marinhas deveriam viver mais de 100 anos, mas muitas não chegam nem a fase adulta. Segundo o Instituto Biota de Conservação, que trabalha com animais marinhos, essas mortes precoces estão relacionadas a doenças causadas pela poluição ou o emaranhamento em redes.

Entre julho e agosto deste ano, 31 tartarugas encalharam no litoral de Maceió, mais da metade só no último mês. No ano passado, nos mesmos dois meses, foram apenas 11 encalhes. Um aumento de quase 300%, de acordo com dados do Biota.

A maioria das tartarugas que encalham no litoral é da espécie tartaruga-verde. Entretanto, o Instituto registrou um aumento de encalhe de tartaruga-oliva. Entre julho e agosto foram nove dessa espécie, contra duas no mesmo período do ano passado.

“As olivas, por exemplo, costumam desovar no litoral de Sergipe. Elas usam nosso litoral como ponto de encontro e alimentação para depois migrarem para seus refúgios reprodutivos. Mas infelizmente esse ponto não é seguro”, afirma a integrante do Biota, Eliane Bernieri.

Ainda segundo o Biota, a grande quantidade de lixo, sem destinação correta que vai parar no mar é um problema crônico. “A maioria dos encalhes é provocado pela interação com a pesca seguido pelo lixo no mar. Para as tartarugas, tudo o que está boiando no mar pode ser alimento, com essa visão elas acabam se confundindo e sendo vítimas dos nossos resíduos. Isso provoca várias doenças e elas param de se alimentar. Há também o perigo de colisão com embarcações, que aumenta o fluxo no período de férias”, afirma Eliane.

Segundo o Biota, de janeiro a agosto deste ano, 76 tartarugas marinhas encalharam no litoral de Maceió. No mesmo período do ano passado, foram registrados 55 encalhes.
“Com as várias ações de conservação de longo prazo, é natural que a população desses animais aumente, expondo um número maior de animais a esses riscos”, explica a integrante do Biota.

Mas para ela, a população deve estar bastante envolvida nessas ações para que haja resultado. “Não adianta lutamos pela preservação dos animais marinhos se a nossa comunidade não ajudar a manter um habitat favorável à vida”, reforça Eliane Bernieri.

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Fonte: G1

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