O Banco de Inglaterra pressionado responde que notas “animal free” só em 2020

O Banco de Inglaterra pressionado responde que notas “animal free” só em 2020

O Banco de Inglaterra explicou porque é que só em 2020 pode retirar as novas notas que contêm gordura animal, como pedem diversas associações, designadamente, as de defesa dos animais.

“Ao tomar conhecimento da presença de tais produtos, o Banco teve logo o cuidado de alertar o público. De seguida procurou tratar com o máximo de seriedade as diversas questões que vários estratos sociais têm apresentado”, acrescentou.

No entanto, o Banco considerou que “neste momento” temos de “continuar com a nota de cinco libras que já está em circulação, desde Setembro, e a nota de dez que vai ser emitida, este ano como previsto”.

Novas 05 e 10 libras em 2016 e 2017

A nova nota de 10 libras(1300 CVE), a lançar depois do Verão, comemora o bicentenário da romancista Jane Austen.

A de cinco libras começou a circular em Setembro, mas foi depois de muita pressão que em Novembro o Banco de Inglaterra admitiu que sim há “vestígios de gordura animal nos plásticos polímeros utilizados no substrato de base do polímero das notas”. A Innovia, a empresa fabricante, veio por seu turno explicar que a matéria-prima – obtida junto dum fornecedor, cujo nome preferiu não publicar – confere propriedades anti-estáticas e anti-deslizantes às notas.

Mais de 100 mil pessoas assinaram a petição pela retirada da nota “por ser inaceitável para milhões de cidadãos vegans, vegetarianos, hindus, sikhs, jaís e outros do Reino Unido”. Só no primeiro dia recolheu mais de 20.000 assinaturas.

O mesmo material polímero — igual ao das nossas notas de 200 CVE — vai ser pois utilizado em todas as emissões de notas mais usadas até 2020.

Banha em tudo

A gordura animal, ou banha, é utilizada em produtos alimentares e em produtos de higiene. Nos churros de Espanha, no pudim de Natal inglês, nas batatas fritas belgas e francesas. É o ingrediente base de sabões, e sabonetes, velas, lubrificantes, sacos plásticos. Está na cerveja, seja a alemã ou outra, no filtro dos cigarros, o qual contém sangue de porco.

Em geral, essa informação é omitida ou está dissimulada na linguagem obscura da etiqueta. Mas na Inglaterra as poderosas associações contra o uso de animais têm o privilégio de carimbar com o seu logotipo os produtos adequados e as pessoas podem escolher se querem mesmo consumir “animais mortos” na sua cerveja ou snack e no fim lavar as mãos com …banha.

Em 2020 notas de 20 “animal free”

A garantia é dada pelo Banco Central inglês. A entidade garante ter dado indicações aos seus fornecedores para que encontrem alternativas. “Tais alternativas podem, por exemplo, incluir o uso de óleo de palma ou de coco como substituto”.

Por Alexandres Santos

Fonte: A Semana (Independent.co.uk)

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