O caso do bebê eterno

Por Juliano Zabka

Ainda que seja incapaz de raciocinar como um adulto, um bebê recém-nascido não é indiferente ao que lhe acontece. Ele pode ser [1] prejudicado pela presença do sofrimento, que é algo ruim em si mesmo. Também pode ser prejudicado pela ausência da felicidade, como nos casos de morte prematura, quando deixa de experimentar tudo de bom que a vida pode proporcionar agora e no futuro. E pode ser beneficiado quando vive situações de felicidade e quando não existe a presença do sofrimento. Ou seja, independente de qualquer inteligência ou racionalidade, um bebê é um ser capaz de ser prejudicado ou beneficiado, pois é um ser capaz de experimentar sensações. Os pais e mães sabem muito bem disso. O bebê é capaz de sofrer e de desfrutar!

Mas vamos imaginar o caso do bebê eterno: o bebê eterno seria o ser na condição de bebê para sempre. Nunca evoluiria para um adulto inteligente e racional. Sua existência seria pautada na possibilidade de desfrutar e sofrer, como vimos acima.

Contudo, se os bebês normais recebem toda a consideração merecida em virtude de poderem ser prejudicados ou beneficiados, o bebê eterno mereceria menos consideração só porque não evoluiria para estágios mentais mais aprimorados? Somos levados a crer que dar menos consideração ao bebê eterno seria um grave erro. O bebê eterno mereceria a mesma consideração sim, pois sofrer é ruim e desfrutar é bom, independente da capacidade intelectual do ser e da sua possibilidade de evolução.

Mas se fosse um grave erro desconsiderar o bebê eterno, não seria também um grave erro desconsiderarmos outros seres capazes de sofrer e desfrutar, como os animais? Afinal, o bebê eterno assim como os animais são seres capazes de sofrer e desfrutar e com uma racionalidade diferente de um humano adulto. E sabemos que ser mais ou menos inteligente não diminui o sofrimento de um corte, pancada ou tortura. Sofrer é ruim. É o que tem de pior na vida, seja você um Einstein ou não.

Estaríamos nós condenando seres tão merecedores de consideração ao inferno dos matadouros e frigoríficos? Condenando eles a serem trancafiados em jaulas minúsculas para serem mortos a pancadas, choques elétricos, degolados e esquartejados para que possamos mastigá-los e engoli-los cozidos, assados ou em molhos temperados em nome de um breve prazer do paladar? Eles são bebês impotentes perante nós. E o que nós somos perante eles?

Nutricionalmente não existem mais desculpas, pois todos os profissionais da saúde já bem atualizados sabem que uma dieta isenta de produtos animais é saudável, recomendável e totalmente possível. E eticamente o que devemos fazer a partir de agora?

Referências

[1] Como definir senciência e por que ela importa? Disponível em: http://especismonao.net/como-definir-senciencia-e-por-que-ela-importa/ 


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