O documentário ‘Unlocking the Cage’ pergunta por que as corporações podem ter o status de ‘pessoa’, mas animais inteligentes não

O documentário ‘Unlocking the Cage’ pergunta por que as corporações podem ter o status de ‘pessoa’, mas animais inteligentes não

Por Robert Abele / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Sejam quais forem suas visões sobre os direitos dos animais, o envolvente documentário Unlocking the Cage (Destrancando a Jaula) das lendas da não ficção Chris Hegedus e D.A. Pennebaker (“O Quarto de Guerra”) tornam um caso digno reconsiderar a robustez das leis que explicitamente separam os humanos dos animais. Com um ritmo de suspense jurídico e inteligência emocional, ele narra o esforço do advogado entusiasta Steven Wise para reconhecer um chimpanzé como uma pessoa legal com proteções, ao contrário de uma “coisa” legal sem nenhum direito. Protetores ferozes do rótulo de “personalidade” irão zombar, e muito, mas em um país que concede esse status para corporações, Wise argumenta, por que nós negamos isso para algumas das criaturas mais cognitivamente complexas – símios, golfinhos, elefantes – que não são humanos?

O professoralmente descabelado Wise é um veterano de 30 anos do movimento pelos direitos dos animais, com um senso de humor que o torna um sujeito bem-vindo (e convenientemente faz com que ele não seja visto como “doido”). Apoiado pelos seus colegas de cruzada no Nonhuman Rights Project (Projeto pelos Direitos Não Humanos), cujo conselho inclui Jane Goodall, Wise elaborou uma abordagem jurídica inteligente sobre o que ele chama de um “primeiro salvo em uma guerra estratégica”: entrar com uma ação jurídica em nome de um chimpanzé específico, que está em cativeiro e é abusado, e argumentar pelos direitos limitados relacionando com a autonomia que significativamente poderia mudar a vida do animal para melhor.

Decidindo pelo estado de New York como seu laboratório jurídico, Wise localiza uma quantidade de primatas como demandantes dignos de nota, incluindo um par chamado Hercules e Leo, mantidos para propósitos de pesquisa na Escola de Medicina Stony Brook, e Tommy, um ex-chimpanzé do showbiz (do filme de 1987 com Matthew Broderick, “Project X”) vivendo em um isolamento sombrio em uma cela improvisada com uma televisão.

Conforme o caso de Wise se move através do sistema, desde um juiz local amigável até arbitrários curiosos da divisão de apelação e, finalmente, a Suprema Corte de New York, nós vemos todos os ajustes finos, passos errados e picos de sorte que marcam a vida de qualquer campanha legal cheia de paixão. Uma série de novas descobertas científicas ao redor do mundo sobre quão inteligentes esses animais são, podem reforçar o argumento de “personalidade”, mas um juiz que não é capaz de ver além de simplesmente melhorar as leis estabelecidas de proteção aos animais é um retrocesso. E falar sobre o sofrimento histórico de escravos, mulheres e crianças ajuda? Ou é uma analogia incômoda que provavelmente irá ofender?

Tudo isto gera um tipo enxuto de suspense intelectual que Hegedus e Pennebaker apresentam com sua costumeira precisão observadora. A perseverança de Wise é notável, assim como suas habilidades de porta-voz. (Quando informado por um entrevistador de que o dono de Tommy se gabou que o chimpanzé amou sua nova habitação, Wise diz, “Se Tommy está tão feliz, o dono deveria se mudar com ele”.)

Unlocking the Cage, apesar de suas câmeras estarem na mão para um empurrão histórico pelos direitos dos animais, não deve ser confundido com um documentário qualquer pronto para te dar um tapa na cara sobre a sensibilidade de sua causa. Hegedus e Pennebaker são muito inteligentes para se empolgarem em excesso sobre algo que eles claramente acreditam, quando simplesmente aderir às expectativas, para um homem confiante no que faz, fornece uma dinâmica suficiente. Então, tem aquela coisa que somente uma câmera pode fazer: deixar que a gente olhe dentro dos deprimidos olhos dos animais cativos. Tais momentos mostram seus pontos tão efetivamente como qualquer argumento legal vindo das bocas dos humanos.

Fonte: Los Angeles Times

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