O fim do descarte de pintinhos não é uma vitória para os animais

O fim do descarte de pintinhos não é uma vitória para os animais

Você se importa com pintinhos? Então a matéria da Vox com o nome de “A melhor notícia para os animais da América” deveria te enfurecer.

Neste artigo, o autor Dylan Matthews compartilha o desenvolvimento da “determinação do sexo in-ovo”, uma prática que a United Egg Producers colocará em ação em 2020. A tecnologia determina o sexo do pintinho ainda dentro do ovo para que eles possam ser interrompidos antes de se desenvolverem. Embora tenha sido anunciado como uma vitória pelos ativistas dos direitos dos animais, e especificamente pela The Humane League (A Liga Humanitária) que concretizou isto, é um despertar decepcionante para grandes negócios. Com isto, eles conseguirão economizar e gerar mais dinheiro, melhorar a eficiência do abate, e ter os ativistas do bem-estar dos animais apoiando-os durante todo o processo.

Enquanto celebram o fato de que centenas de milhões de pintinhos não serão enviadas aos e câmaras de gás, tão frequentemente o foco do ativismo sobre tortura, o verdadeiro propósito desta mudança está sendo ignorada. A Unilever, a primeira grande corporação a anunciar o fim do abate em 2014, não dava a mínima para as vidas dos pintinhos e das galinhas que os produziam. Matthews não se esquece de incluir que os ovos identificados como machos continuarão a ser usados, principalmente para vacinas contra gripe produzidas a partir de ovos e comida para animais de estimação. Então, não somente as galinhas serão mantidas, manipuladas para produzirem mais ovos, e passando pela tarefa árdua e dolorosa de botar ovos frequentemente, mas o produto de seu trabalho continuará a ser uma mercadoria. Isso irá nos distrair de todas as outras depravações da indústria de ovos, nem que seja por um minuto. Mas como a ideia de fetos de pintinhos é aparentemente mais repugnante para o humano comum do que um ovo não fertilizado, eles esconderão o subproduto que continuaremos a comprar, e nos dirão que “está tudo certo”.

Sem dúvida alguma que os moedores, as câmaras de gás e o sumiço de todos esses pintinhos machos inúteis têm sido um fardo para os produtores de ovos e suas equipes de relações públicas em todo lugar. Agora, eles não somente irão economizar o tempo e a tarefa de todo aquele assassinato, mas eles também usarão um halo metafórico enquanto geram novos lucros das diferentes indústrias. A produção não para, e a única coisa que será “salva” é a quantidade de dias que as galinhas terão antes de serem abatidas. E em tudo isto, as galinhas continuam a ser as vítimas esquecidas que certamente não sentirão nenhuma diferença entre perder um ovo que eclode e perder um que não eclode.

Então por que milhares de supostos ativistas estão compartilhando a “boa” notícia? Bom, não é a primeira vez que eles são desviados do caminho. O artigo referencia antigas desorientações como o velho ativista pelo bem-estar dos animais que queria procriar galinhas com “duplo propósito” que poderiam botar ovos no começo, e depois serem abatidas pela carne. A ideia não ajudou as galinhas, mas também não ajudou os negócios, então foi rejeitada. A realidade aqui é que “vitórias” como estas somente acontecem quando as empresas conseguem lucrar. Então, a Vox escreve dessa forma para que seus leitores liberais possam clicar em compartilhar apenas vendo a combinação do título e da imagem daquelas fofas vidas “salvas”.

Enquanto todo mundo aplaude os “passos de bebê” para acabarem fazendo um tipo diferente de nugget com esses pequenos pintinhos, eu estarei aqui de luto pelas centenas de milhões que ainda serão mortas antes de 2020, as centenas de milhões que ainda serão injetadas em humanos e servidas como alimento para cães após 2020, e por todas as vidas dos animais que ainda consideramos nossas para explorar. Eu me recuso a apoiar a morte desnecessária e a venda de animais em qualquer estágio de seu desenvolvimento. Se você concorda comigo, eu espero que você se torne vegano. Somente um mundo vegano seria a “melhor notícia” para os animais.

Por Eva Lampert / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Ecorazzi

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