O lindo momento em que uma elefanta que carregou turistas a vida toda ganha a chance de se aposentar

O lindo momento em que uma elefanta que carregou turistas a vida toda ganha a chance de se aposentar

Por Aisling Maria Cronin / Tradução de Carla Lorenzatti Venturini

O lindo momento em que uma elefanta que carregou turistas a vida toda ganha a chance de se aposentar

Para muitas pessoas que visitam a Tailândia (e outros países do sudeste asiático nos quais o turismo de elefantes persiste), montar nas costas de um desses animais, ou até mesmo vê-los “pintar”, lhes é oferecido como parte da autêntica experiência tailandesa. Porém, poucas pessoas percebem o quão assustadora e destruidora a indústria do turismo de elefantes é para os animais envolvidos.

A fim de se tornarem “dóceis” o suficiente para permitir que humanos montem em suas costas, os elefantes devem ser precocemente separados de suas mães e forçados a passar por um destruidor processo de treinamento chamado um processo de treinamento de quebra de espírito chamado “phajaan. Ele envolve o confinamento do elefante em um pequeno espaço – geralmente não maior que uma gaiola que mal pode comportá-lo – onde eles são açoitados em submissão aos seus cuidadores, conhecidos como mahouts. Tacos e bastões com ganchos são frequentemente utilizados para essa proposta. O medo de ser açoitado pelo seu mahout é o que motiva um elefante a trabalhar.

Serem forçados a trabalhar doze horas por dia ou mais em condições úmidas e abafadas pode causar um sério dano à saúde dos animais. No mês passado, nós divulgamos a trágica história de um jovem elefante de passeio que desmaiou e morreu de exaustão em Angkor Wat, Camboja. Esse incidente foi um indicativo das condições altamente estressantes que muitos elefantes da indústria do turismo enfrentam. A Fundação para o Resgate e Sobrevivência de Elefantes da Ásia (EARS – Elephant Asia Rescue and Survival) comentou o triste caso, “Angkor Wat é um enorme complexo de templos com morros íngremes e não nos surpreende que, devido às temperaturas e ao peso que eles são forçados a carregar, esses animais ameaçados morram. Essas maravilhosas criaturas simplesmente não foram feitas para isso”.

Elefantes asiáticos são menores que seus primos africanos, mas ainda são os maiores mamíferos terrestres da Ásia, alcançando uma altura de até 3,3 metros e um peso de até cinco toneladas. Na selva, eles vivem tipicamente em rebanhos matriarcais fechados, liderados pela fêmea mais velha e experiente. Eles são seres extremamente sensíveis e inteligentes, que são frequentemente vistos em luto quando um ente querido morre. Bebês elefantes ficam ao lado de suas mães o tempo todo até chegarem à idade de quatro anos e começarem a dar seus primeiros passos independentes. Manadas de elefantes gastam a maior parte dos seus dias viajando, buscando comida e aproveitando a companhia uns dos outros: uma experiência que seus similares em cativeiro, forçados a trabalhar na indústria do turismo, nunca tem a chance de conhecer.

Às vezes, um elefante trabalhador é sortudo o bastante para ser resgatado de sua vida de labuta e levado a um santuário respeitável, onde eles podem viver o resto de suas vidas em paz. Isso aconteceu recentemente com uma elefanta chamada Sontaya em Pattaya, Tailândia.

Ela foi salva da sua exaustiva existência como elefante de passeio e levada ao Santuário de Elefantes de Boon Loot (BLES – Boon Lott’s Elephant Sanctuary).

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Ela foi dada ao santuário por seus donos, que estavam cansados de uma existência precária no seu acampamento de passeios e queriam dar uma vida melhor a eles mesmos e à Sontaya.

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O BLES afirmou que a situação abusiva dos elefantes que carregam turistas geralmente acontece devido à extrema pobreza de seus mahouts.

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“Após falar com alguns mahouts no acampamento, nós descobrimos que eles ganham míseros 20 Baht por passeio (o equivalente a US$ 0,57). Em um dia típico eles conseguem fazer cinquenta passeios. Isso significa que em um dia de trabalho, que normalmente é de doze horas, o mahout ganha uma média de 1000 Baht (US$ 28,45),” eles afirmaram. No caso de Sontaya, seus donos gostavam profundamente dela, mas viam que não tinham outra opção a não ser colocá-la para trabalhar.

Os donos de Sontaya estavam tristes por deixá-la ir,” o BLES explicou. “Era óbvio que eles haviam se apaixonado profundamente por ela e eu acho que todos nós derramamos algumas lágrimas quando eles a abençoaram, a abraçaram e nos ajudaram a colocá-la no caminhão.”

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O BLES ainda disse, “Muitos deles (mahouts) são incapazes de cuidar das suas famílias. Eles estão presos em uma rotina e são mal tratados pelos abastados donos dos acampamentos. Eles não recebem nada. Eles nem mesmo ganham casas e então vivem, com suas esposas e filhos, em pocilgas. Seus barracos são construídos com pedaços velhos de andaimes que eles encontram em construções. Não há banheiros, não há encanamento. Frequentemente, os mahouts não recebem nem mesmo um salário.” Está claro que se a indústria cruel de elefantes de passeio for eliminada, o desespero e a pobreza que levam os mahouts a maltratar seus elefantes devem ser levados em consideração.

Felizmente para Sontaya, ela rapidamente começou a se acomodar na sua casa nova…

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…e está começando a confiar em seus novos cuidadores, que estão ansiosos para garantir a ela que nunca será colocada novamente para trabalhar.

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Sontaya é uma moça especial,” disse o BLES. “Ela tem uma energia calma e sábia.”

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Essa moça especial agora poderá aproveitar uma vida cheia de paz, cercada de outros elefantes resgatados e mantida em segurança por humanos que estão comprometidos com o seu bem-estar.

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É tão maravilhoso saber que essa linda elefanta nunca mais será forçada a carregar turistas nas suas costas por horas a fio. Ao invés disso, uma vida de serenidade e alegria a espera! Você pode descobrir mais sobre o trabalho incrível do BLES via website ou página do Facebook.

Fonte: One Green Planet

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