O maior abrigo de animais do Líbano está correndo perigo

O maior abrigo de animais do Líbano está correndo perigo

Por S. E. Smith / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fundado em 2004, o Beirut for the Ethical Treatment of Animals (BETA – Beirute pelo Tratamento Ético dos Animais) é o maior abrigo de animais do Líbano, cuidando não somente de gatos e cães, mas também de animais selvagens abusados e animais de zoológico. Agora, o abrigo está correndo perigo, já que enfrenta uma crise financeira agravada pelo desastre em escala massiva de direitos humanos na região.

Sem a ajuda dos apoiadores, o BETA pode não conseguir permanecer aberto, deixando os animais residentes mais vulneráveis de Beirute sem seus defensores.

O BETA foi fundado na época da guerra. Seus primeiros resgates incluíram os animais abandonados dos pet shops e dos lares das pessoas mortas ou refugiadas da violência no Líbano. Temendo o destino dos animais no ambiente hostil, John Barrett cuidou disso com suas próprias mãos e até conseguiu organizar um transporte aéreo maciço para levar os animais até um local seguro.

Na década subsequente, Barrett ajudou a conseguir novos lares para milhares de cães e gatos enquanto defendia os direitos dos animais no Líbano, uma nação onde aos animais não são necessariamente concedidos o mesmo respeito que eles recebem no Ocidente.

BETA e Animals Lebanon, outro grupo ativista, se responsabilizaram por tarefas como obter ordens judiciais para apreenderem animais dos donos negligentes e abusivos, fornecer cuidado médico para os animais necessitados, fechar os pet shops abusivos, organizar campanhas de castração em massa e tentar colocar os animais em lares seguros e amorosos.

Ao longo de sua vida, o BETA vem lutando para se manter operante e depende de arrecadação de fundos para ajudar a manter as instalações muito básicas do abrigo. Enquanto os voluntários fazem seu melhor para manter o abrigo limpo e em ordem, ele não chega aos padrões de muitos abrigos do Ocidente, mas é o melhor que eles podem fazer com recursos limitados.

Somente no mês passado, o abrigo sem-eutanásia foi forçado a pedir US$ 40.000 para cobrir despesas com alimentos para as centenas de gatos e cães sob seus cuidados, e o custo mensal para operar o abrigo é de cerca de US$ 10.000.

Historicamente, muitos doadores de fora do país apoiaram o BETA e mantiveram a organização funcionando quando os amantes dos animais do Líbano não podiam. Agora, isso está mudando, já que as fontes de financiamento estrangeiro estão secando.

Barrett suspeita que isso possa estar acontecendo em parte pelo redirecionamento dos fundos para organizações que ajudam os refugiados humanos. E isso coloca o BETA em uma posição difícil.

O abrigo, já em uma situação difícil, não está fornecendo serviços somente para os animais libaneses; ele também está cuidando e realocando os animais pertencentes aos refugiados do Iraque e da Síria. Em outras palavras, o BETA tem a sua própria crise de refugiados.

Enquanto muitos refugiados lutam para manter seus animais – conforme ilustrado nas histórias comoventes de pessoas se agarrando aos seus amados animais conforme elas atravessam para a Europa – nem todos os refugiados conseguem. Em uma região no mundo onde castrar não é uma rotina, o abandono generalizado está contribuindo para aumentar ainda mais o número de animais de rua.

Se o BETA fechar, seria um golpe maciço para Beirute – e para todo o país. Sendo o maior abrigo da região, o BETA já deu a milhares de cães e gatos uma segunda chance na vida através dos anos, e suas instalações abrigam cerca de 500 gatos e cães em qualquer época.

O trabalho do BETA também inclui combater a crueldade animal e educar os membros do público sobre os problemas de bem-estar animal, com o objetivo de mudar a cultura a respeito dos animais no Líbano.

Sem os esforços do BETA, Beirute pode se tornar um lugar muito duro para os animais – especialmente com a pressão combinada da crise de refugiados, dos danos à infraestrutura devido às repetidas ações militares e da pobreza.

Fonte: Care 2

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