O maior iceberg do mundo ameaça um habitat essencial de pinguins

O maior iceberg do mundo ameaça um habitat essencial de pinguins
O iceberg A68 se desprendeu da Antártida há três anos e agora ameaça um dos maiores santuários de pinguins do mundo. (Sebastian Schellbach-Kragh/Pixabay)

O iceberg A68 é o maior do mundo, com mais de 160km de comprimento e 46km de largura. Esse pedaço de gelo se desprendeu da Antártida há três anos e está flutuando em direção a um dos mais importantes santuários da vida selvagem do mundo. A ilha da Geórgia do Sul está na mesma linha da ponta da América do Sul, oceano Atlântico adentro.

Acontece que esse cubo de gelo gigante está indo em direção à ilha. Portanto, ele pode “atracar” nas águas rasas e bloquear rotas de pesca essenciais para pinguins e focas. A Geórgia do Sul, aliás, é uma das regiões mais importantes do mundo para a reprodução desses animais e também de peixes. O A68, portanto, pode danificar imensamente a fauna e a pesca ao redor do Atlântico.

Pinguins-imperadores na Geórgia do Sul. (Imagem de Sybille H. por Pixabay)

A formação do maior iceberg do mundo

Os icebergs, esses grandes pedaços flutuantes de gelo, surgem de blocos de gelo ainda maiores. Nesse caso, o A68 se desprendeu da Antártida e caiu no oceano. Ademais, os icebergs que se formam na direção da América e da Geórgia tendem a ir em direção à ilha. Isso faz com que vários desses pedaços de gelo derretam na região.

Imagem da NASA do iceberg A68 (NASA/ESA)

Por um lado, isso é bom. Isso porque os icebergs contêm nutrientes importantes para os organismos aquáticos. Assim, esses blocos de gelo espalham nutrientes pelo Atlântico. Por outro lado, os icebergs, em geral, são enormes! Isso quer dizer que eles podem bloquear a passagem dos animais e interromper áreas de caça de pinguins e focas.

Além do mais, a Ilha da Geórgia do Sul é uma região de reprodução dos pinguins. Portanto, se houver um iceberg do tamanho de Londres no meio do caminho, os pais podem não alcançar os filhotes antes que eles morram de fome. Esse impacto para a fauna das regiões polares pode ser gigante.

Ainda, todos os organismos que estiverem no solo embaixo de onde o iceberg afundar vão acabar morrendo. Conquanto esse bloco seja fino, em torno de 200 metros (o que é pouco para um iceberg), o tamanho do objeto faz com que ele seja muito pesado.

O professor Geraint Tarling, do British Antarctic Survey ainda afirma: “Os ecossistemas podem e irão se recuperar, é claro, mas há o perigo de que, se esse iceberg ficar preso, possa permanecer lá por 10 anos”.

O aquecimento global aumenta a formação de icebergs

Os icebergs se formam naturalmente. Contudo, o aquecimento global intensificou bastante esse processo – para variar. Além do mais, muitos hábitats de animais polares estão diminuindo porque o gelo está derretendo. Os ursos polares (do polo norte), por exemplo, estão altamente ameaçados por causa do derretimento dos seus territórios de caça.

(Siggy Nowak/Pixabay)

Se a a quantidade de gás carbônico na atmosfera continuar crescendo, a tendência é que mais desses icebergs gigantescos se desprendam dos polos. Isso pode ameaçar centenas de outras reservas naturais além da Geórgia do Sul. Isso sem falar nos prejuízos para a indústria pesqueira, afinal os peixes também se reproduzem e se alimentam nessas regiões.

Ainda há a possibilidade de que o A68 não bata na Geórgia do Sul, e acabe derretendo em águas mais quentes. Contudo, cientistas já estão monitorando o bloco por satélites da NASA para avaliar os efeitos nos próximos meses.

Por Mateus Marchetto  

Fonte: Socientifica

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