O negócio sujo por trás do turismo de ‘selfies’ com animais

Viajar para outros países e conhecer uma nova cultura é legal, e sempre vemos pessoas nas redes sociais em fotos com animais, mas infelizmente esses animais não estão felizes nas fotos.

Depois das redes sociais e o turismo de selfies vem crescendo e com isso os maus–tratos em animais também. Você leu aqui a ‘Turista que Matou 31 Estrelas Do Mar A Troco De Uma Foto E Alguma Curtidas’.

Por trás cada vídeo ou foto com um animal selvagem um negócio sujo lucra, mas isso passa despercebido pelos turistas, que acham que os animais são bem tratados, mas não sabem que são torturados em seus treinamentos para tirar essas fotos.

De acordo com a Organização Mundial de Turismo, o turismo de vida selvagem representa entre 20% e 40% do valor anual gerado pela indústria turística no mundo – uma soma nada modesta de US$ 1,5 trilhão.

Em países como a Tailândia, o número de “shows” com elefantes pintando, jogando futebol ou mesmo pousando para fotos não para de crescer. Com isso aumentou também a lista de animais para fotos como tigres, cobras, macacos e claro os graciosos golfinhos, fazendo mais animais sofrerem.

Os animais são separados de suas mães, drogados e acorrentados.

Na Tailândia tem até um nome para essa fase de “formação” do animais phakaan , onde os elefantes de dois meses são separados de suas mães, presos e espancados . Alguns “treinadores” descrevem como uma atividade para quebrar seu espírito e colocar medo para controlá-los e mantê-los completamente dóceis para as fotos.

Outro grande animal que tem sido utilizado para sessões de fotos são ursos, que geralmente são treinados para desenvolver força nas patas traseiras para ficar sobre duas pernas. Este treinamento envolve forçar o animal a essa posição com correntes .

Em além de ficar de pé, por vezes, estes animais são treinados para sentarem como humanos, o que deixam eles limitados e com o tempo não conseguem mais andar corretamente, como ursos.

Tigres também estão ficando comuns em “santuários” para tirar fotos. Mas o que pouca gente sabe é que eles são drogados para que permaneçam completamente dóceis e não representem perigo para os turistas.

O turista acaba achando que o animal está mais seguros assim do que na selva onde pode ser caçado, mas na verdade eles tem uma vida indigna que envolve minúsculas jaulas, correntes e sedação.

Como ajudar os animais ?

Os abusos sofridos pelos animais são consequência da atividade turística local, já são obrigados a trabalhar exaustivamente sem alimentação ou cuidados apropriados, enquanto são violentados. Por isso, a principal forma de ajudar esses animais é não aderindo a passeios/pacotes turísticos que promovam interações com animais.

Outra dica, Não tire fotos interagindo com animais selvagens, pois isso não é bom para eles e assim não incentiva essa prática. Alem disso o correto é manter uma distância mínima e segura para que a observação não estresse ou altere o comportamento natural do animal. Lembre-se que animais silvestres podem apresentar comportamento imprevisível e não amigável com humanos.

E divulgue projetos que promovam um turismo com animais feito de forma responsável. Muitas iniciativas éticas são pouco conhecidas, mas pouco a pouco podemos ajudar a mudar isso.

Com fotos de Kirsten Luce – National Geographic.

Por Leandro Isola

Fonte: Elos com você

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.