China carne futuro planeta

O que o movimento grandioso da China para cortar o consumo de carne pode significar para o futuro do nosso planeta

Por Nil Zacharias / Tradução de Roberta M Bordin

Parece que a visão que os governantes do mundo todo possuem em relação à carne e aos laticínios está, finalmente, começando a mudar. Recentemente, o governo do Reino Unido recomendou que os cidadãos consumam menos laticínios, a Holanda lançou um conjunto de orientações nutricionais que recomenda limites no consumo de carne devido a preocupações de sustentabilidade.  E agora, em um anúncio grandioso, o governo Chinês lançou um novo conjunto de orientações dietéticas que tem o potencial de atingir uma redução de 50% no consumo de carne no país.

O Ministério da Saúde Chinês, o órgão do governo responsável por serviços de saúde e diretrizes para leis e regulamentos relacionados à saúde, está pedindo aos cidadãos que limitem a ingestão de carne e ovo para somente 200 gramas diárias (na China, o consumo total per capita de carne e ovo é de, aproximadamente, 300 gramas por dia).

Estas novas diretrizes foram desenvolvidas pela Sociedade Chinesa de Nutrição com o objetivo de reduzir a obesidade entre os seus cidadãos. Esta é uma ação oportuna, considerando que um estudo recente descobriu que a obesidade e outras doenças relacionadas à dieta estão aumentando no país, com uma ligação potencial à crescente tendência de um alto consumo de carnes e laticínios. Estas novas diretrizes não só trarão benefícios à saúde pública, mas um relatório da WildAid afirma que, caso as recomendações sejam seguidas, haveria uma redução das emissões de gases de efeito estufa na China relacionadas ao consumo de carnes, em uma quantia igual a 1,5% das emissões globais.

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A importância da decisão da China em recomendar a redução do consume de carnes não deve ser menos prezada. Uma dieta rica em carnes pode ser típica no Ocidente, mas é somente uma tendência mais recente em países em rápido desenvolvimento como a China e a Índia.

Nos Estados Unidos, os americanos comem cerca de 384 gramas de carne por dia, mais do que um indivíduo comum na China. Mas o que a maioria das pessoas não percebe é o custo enorme que a produção de carne causa ao planeta.

No mundo todo, 45% das terras já se encontram ocupadas pela agriculta animal e outros 33% são utilizados apenas para o crescimento de alimento para o gado (dependentes de culturas como soja e milho, que estão devastando o planeta). Além disso, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) estima que a produção de gado é responsável por 14,5% das emissões de gases de efeito estufa global, enquanto que outras organizações com o Worldwatch Institute estima que pode chegar a 51%. A dura realidade é que, se temos esperança de continuar a sustentar nossa população neste planeta, precisamos desesperadamente nos afastar de carnes, ovos e laticínios, e depender de outras fontes de proteínas.

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Trata-se de um assunto que muitas potências mundiais estão começando a perceber e a abordar ativamente, entretanto, os Estados Unidos estão, surpreendentemente, atrasados. Um relatório recente do World Resources Institute descobriu que, se os americanos reduzissem pela metade o consumo de carne, haveria uma diminuição de mais de 40% das emissões de carbono relacionadas aos alimentos. Mesmo assim, quando a idéia de racionar a sustentabilidade para a versão mais recente de nossas orientações dietéticas veio à tona, ela foi ignorada, graças aos grandes, altamente distrativos, sacos de dinheiro fornecidos pelos mercados de carne e laticínios. Naturalmente um assunto mais importante do que a questão da saúde e da segurança alimentar futura do público americano.

Enquanto que, no geral, os americanos estão comendo menos carne, aproximadamente 30% está optando por excluir as carnes de seu cardápio com mais freqüência, e o consumo geral tem diminuído em um terço desde os anos 70, há uma questão muito válida: se somente esta ação será suficiente. Se esperarmos observar uma mudança rápida e duradoura no nosso sistema alimentar, as ações do governo terão um papel importante também.

Nossas escolhas alimentares diárias possuem o poder de auxiliar ou de prejudicar o nosso sistema alimentar, de ajudar na melhora da saúde global, e de pavimentar o caminho para um futuro verdadeiramente sustentável. Embora inovações na proteína vegetal e até mesmo na carne de cultura estejam em andamento (para que as pessoas ainda possam aproveitar de suas comidas favoritas), através da simples redução do consumo de carne nós podemos começar a diminuir o impacto de nossas dietas. Com os governos da Suécia, Brasil, Holanda, Reino Unido, e agora, China, tomando medidas para inclusão de recomendações do tipo “mais vegetais, menos carnes” em suas diretrizes nutricionais, cabe agora ao restante dos líderes mundiais seguirem o exemplo. O futuro do nosso planeta e da saúde da nossa população depende disto.

Fonte: One Green Planet 

Nota do Olhar Animal: A preocupação com o próprio umbigo continua norteando as medidas de redução do consumo de produtos de origem animal. É muito raro que políticas públicas reflitam preocupações com os animais, com suas vidas, com sua senciência. Esta mudança de hábitos pouco indica alguma transformação moral relevante. 

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