ONG Cavalo de Lata tem 62 animais resgatados de maus-tratos

ONG Cavalo de Lata tem 62 animais resgatados de maus-tratos
Jason: novas baias foram construídas no local há apenas três meses. Foto: Paola Severo

Os cavalos são parceiros dos seres humanos há milênios. São usados para o trabalho policial, na agricultura, em competições esportivas como corridas, hipismo e polo, foram utilizados na guerra, para o entretenimento em rodeios e como cura na equoterapia. No Rio Grande do Sul, em especial, o pingo faz parte do imaginário gaudério e é o companheiro diário de lida.

Apesar disso, os equinos são bem mais do que propriedades ou ferramentas. São criaturas extremamente curiosas, inteligentes e sociais, com capacidade de criar relações de amizade com outros de sua espécie e com as pessoas. Se pudessem falar, os cavalos resgatados pela ONG Cavalo de Lata certamente teriam muito a dizer, pois viram a pior face dos humanos. Vítimas de maus-tratos e violência, todos eles carregam os efeitos desses eventos em seus corpos.

Na propriedade na Travessa Kipper, que fica entre Linha Áustria e Pinheiral, no interior de Santa Cruz do Sul, é possível observar que, ainda que estejam sob tratamento mais humano, mostram as marcas do que vivenciaram, especialmente aqueles que puxavam carroças. Musculatura desgastada, dificuldade para engordar, dentes prejudicados, coluna com desvios, artrose, fraturas, feridas, são apenas algumas das sequelas carregadas por esses animais.

Enquanto se percorre pelo sítio, a diretora da ONG Ana Paula Knak conta ao Nosso Jornal que é muito difícil encontrar pessoas dispostas a adotar os cavalos resgatados. “Tem que ser alguém de confiança, pois eles precisam receber medicação, suplementos, são animais mais velhos. Nem todo mundo está disposto a tirar de si, dos seus prazeres pessoais”, explica.

Atualmente, a Cavalo de Lata tem animais também na Travessa Rabuske e em Rio Pardinho. As três propriedades somam 62 animais aos cuidados da ONG, além de 17 que estão aos cuidados de fiéis depositários. Cada cavalo passa por exames de mormo, raiva, influenza, tétano, além de receber medicação. Hoje em dia as ocorrências por maus-tratos e uso dos animais em carroças são menores e a maioria é encaminhada por estar solta em via pública, de acordo com o diretor-executivo da ONG, Jason Duani Vargas.

Em atuação desde 2012, a entidade tem um termo de colaboração com a Prefeitura de Santa Cruz do Sul, por meio do qual recebe um auxílio financeiro para resgatar e recuperar os cavalos oriundos de situações de abandono e vítimas de negligência e exploração. Outra parceria é com a Rota de Santa Maria, para os animais na área de atuação da concessionária.

No fim da tarde, os animais se encaminham para as baias recém construídas. Entre eles, andam livres no campo Tufão, Buchecha e os amigos inseparáveis Cidinha e Índio, e podem criar novas histórias, desta vez com final feliz. Cada um dos cavalos vai direto para o seu dentre os 18 espaços, onde o feno e a ração já estão servidos. A estrutura foi construída com recursos da Prefeitura há três meses e agora permite mais conforto a eles. Hora de descansar os cascos cansados, mas desta vez após um longo dia de liberdade.

Viés social e ambiental

Está sendo construída no sítio uma sala de aula onde serão realizadas as atividades com crianças de escolas da região. A obra tem recursos do Fundo Social do Sicredi para a compra das madeiras e telhas doadas pela comunidade. Para Ana, este espaço de diálogo permite aos pequenos uma troca com a natureza. “Falamos sobre todo o ciclo do nosso trabalho, sobre a Tampinha na Lata, para onde elas vão e como beneficiam os animais”, disse.

Esse trabalho educacional é feito de forma voluntária e sem custos, focando ainda no viés ambiental de ajudar os animais. “Eu sempre digo que eu não quero passar a minha vida inteira resgatando animais, esse trabalho nem deveria existir. Essa proteção animal que a gente fala está ligada à proteção do planeta, é uma coisa só.”

Os custos da entidade costumam variar muito e apenas com ração ficam na casa dos R$ 20 mil. O inverno costuma ser o período com mais gastos, pois o frio fragiliza os animais mais velhos. No entanto, a estação também é de redução nas doações e contribuições.

Como ajudar

Doações de qualquer valor podem ser feitas pelo PIX CNPJ 28132831/0001-36, pelo Pag Seguro com doações mensais ou cadastrando a Associação Cavalo de Lata no Nota Fiscal Gaúcha. Outra forma de colaborar é entregando tampinhas plásticas, latas e lacres nos pontos de coleta ou participando dos eventos beneficentes como o bingo.

Fonte: Portal Arauto


Nota do Olhar Animal: Na realidade, os cavalos não são “parceiros” dos humanos, foram e são ESCRAVIZADOS por eles, sofrendo todo tipo de abuso e maus-tratos. Parceria pressupõe vontade recíproca e certamente os cavalos não querem ser submetidos às situações como tração, montaria etc.