ONG denuncia tratamento e estrutura de Canil Municipal em Cubatão, SP

ONG denuncia tratamento e estrutura de Canil Municipal em Cubatão, SP

Cerca de 27 animais estão confinados; alguns deles presos há cinco anos.

Por Matheus Muller

SP Cubatao ONG denuncia tratamento estrutura canil1Eles não são criminosos, não foram julgados, mas estão presos de dois há cinco anos. Alguns já perderam a sanidade, outros estão quase lá. Segundo denúncia de uma organização não governamental (ONG), esta é a situação dos 27 animais que estão no Canil Municipal de Cubatão.

O espaço fica em frente ao moderno e bem ambientado Centro de Controle de Zoonoses, que abriga aproximadamente 100 animais de forma adequada. Os dois locais são mantidos pela Prefeitura.

A situação dos animais foi descoberta em maio, quando a ONG Viva Bichos Santos foi ao local para oferecer um serviço de vacinação contra cinomose (doença canina de difícil cura, que pode levar o cão a óbito).

“Quando chegamos, vimos os cachorros presos. O próprio coordenador do canil, que é veterinário, disse que tem alguns confinados há cinco anos. Estão num espaço que é um quadradinho. Os mais antigos estão agressivos ou loucos. Não chegaram assim. Eles ficaram”, afirma Mariluce Pereira, presidente da ONG.

Ainda de acordo com ela, o coordenador do espaço mostrou-se indiferente com a condição dos animais. “Não se emociona com a situação deles. Nem ele, nem os tratadores retiram os cães mais agressivos das baias (casinha) para limpar. Jogam água e passam o rodo com os cachorros dentro”.

Marilene conta que visitou o CCZ e observou sete espaços disponíveis. “Perguntei o motivo para não colocarem os outros animais no centro. Não souberam explicar e não transferiram”.

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O local onde ficam atualmente, segundo a presidente, não tem a proteção adequada contra o sol e chuva. “Eles têm alimentação e água. Mas parece que é só para mantê-los vivo”.

Ação

Na próxima segunda-feira (11), a ONG Viva Bichos Santos denunciará o caso no Ministério Público (MP) de Cubatão. A entidade deseja que o espaço seja reformado ou os animais transferidos para o CCZ.

“Já conversei com a promotora e ela se mostrou indignada com a situação. Durante o encontro, nos falou que, em 2012, já havia sido registrada uma denúncia que o terreno onde estão presos os animais alaga quando chove. Isso faz com que os cachorros fiquem com as patas molhadas e não tenham onde deitar”, diz Mariluce.

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Castração

A presidente da ONG ressalta, ainda, que nenhum animal preso no canil é castrado. “Quando a fêmea entra no cio, o cheiro pode chegar a 2 Km. Os machos ficam loucos. O CCZ tem um centro cirúrgico de primeiro mundo e não entendemos porque não fizeram a castração até agora”.

Mariluce afirma ter oferecido, com apoio de uma equipe, realizar as intervenções nos animais, o que não ocorreu.

“Propusemos castrar em dois dias, mas queriam que fizéssemos em cinco, pois disseram que em dois dias teriam muitos animais para acompanhar o pós-operatório”.

Prefeitura se defende

Por meio de nota, a Prefeitura de Cubatão refuta as acusações e afirma que o Canil de Cubatão, mantido pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), funciona dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde, oferecendo tratamento adequado aos animais. Prova disso, segundo a Administração Municipal, é justamente a presença de alguns bichos no local há muitos anos, à espera de adoção.

“Todos estão com saúde, bem alimentados e são acompanhados diariamente pelos profissionais da unidade”, diz em nota.

Ainda conforme a Prefeitura, no local não há registros de alagamentos. “Ao contrário do que informa a denunciante, todos os bichos são castrados (esterilização cirúrgica), com exceção dos recém-chegados, que, conforme cronograma de cirurgias do Centro, também passarão pelo procedimento. Fêmeas no cio não são misturadas aos machos”.

A respeito das baias livres, a Administração Municipal esclarece que elas são necessárias para receber possíveis animais com doenças infecciosas. Informa ainda que a adoção de animais não socializados é mais complexa, visto que eles têm que passar por um processo de socialização dentro da unidade, o que explica eles estarem afastados dos demais.

Por fim, a direção da unidade informa que está à disposição do Ministério Público para esclarecimentos.

Fonte: A Tribuna

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