ONG denuncia uso de substância corrosiva para forçar marcha de cavalos

ONG denuncia uso de substância corrosiva para forçar marcha de cavalos

Por Ariana Sawyer / Tradução de Alice Wehrle Gomide

A Humane Society (Sociedade Humanitária) dos EUA divulgou uma filmagem no último dia 1º que diz mostrar evidência de abuso contínuo dos Cavalos Marchadores do Tennessee, e posterior confirmação do uso de Soring (queimadura) na atividade.

Soring é a prática de abusar intencionalmente de um cavalo para acentuar sua marcha e que frequentemente inclui o uso de substâncias químicas corrosivas que corroem a pele. Essa prática causa muita dor ao cavalo cada vez que ele dá um passo para que eles levantem suas pernas dianteiras com uma marcha exagerada, no que eles chamam de “big lick” (grande lambida).

O vídeo foi gravado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) em uma inspeção do Maryville, no Tennessee, celeiro do famoso treinador Larry Wheelon em abril de 2013, e obtido com uma solicitação de registros públicos. Os cavalos podem ser vistos lutando para ficarem em pé, andando com dificuldade e recuando ao toque dos inspetores. As fotos da mesma inspeção mostram o que parecem ser cicatrizes ao redor dos metacarpos dos cavalos.

A divulgação do vídeo ocorre conforme a Festa Nacional dos Cavalos Marchadores de Tennessee em Shelbyville chega aos dias finais em 2016, e como o que parece ser um garanhão “queimado” foi descoberto em um leilão em Cookeville no último dia 1º.

A Lei de Proteção aos Cavalos proíbe que cavalos “queimados” participem em leilões, shows, exibições ou vendas.

Wheelon, que foi preso e acusado de crueldade aos animais, tinha 15 acusações de crime e três contravenções menores retiradas, de acordo com a Humane Society, quando a juíza do condado de Blount, Tammy Harrington, decidiu que seus direitos da Quarta Emenda tinham sido violados na batida.

Quando ele foi preso em 2013, Wheelon era um membro ativo da Associação de Treinadores de Cavalos Marchadores do Tennessee, participante do comitê de ética desta. Ele não respondeu ao pedido de comentários feito por meio de seu advogado.

O USDA desde então, propôs algumas alterações à Lei de Proteção dos Cavalos.

Uma dessas alterações significaria que o Serviço de Inspeção da Saúde Animal e Vegetal treinaria e licenciaria Pessoas Qualificadas Designadas para inspecionar os cavalos nos shows, exibições, vendas e leilões em cumprimento à Lei de Proteção aos Cavalos, ao passo que agora essas inspeções são instauradas e mantidas pelas organizações da indústria de cavalos. Muitos argumentam que essa configuração atual representa um conflito de interesse.

Outra alteração iria proibir o uso de todos os equipamentos de ação, almofadas e substâncias estranhas em shows, exibições, vendas e leilões de cavalos, alinhando com os regulamentos da Lei com as normas equestres existentes estabelecidos pela Federação Equestre dos EUA.

O USDA está aceitando comentários do público às alterações propostas até o dia 26 de setembro, mas alguns já pediram que a organização estenda o prazo em mais 60 dias. Fazendo isso, poder-se-ia empurrar a decisão para uma nova administração que pode não priorizar o fim das “queimaduras”.

Mike Inman, presidente da Festa Nacional dos Cavalos Marchadores de Tennessee, negou que as pilhas e correntes façam com que os cavalos sintam dor. Pilhas são almofadas elevadas presas aos cascos dianteiros dos cavalos como um salto alto, e as correntes são amarradas ao redor dos tornozelos.

“Não existe a marcha da grande lambida”, Inman disse. “O bem-estar animal é número um da Festa”.

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Ele disse que cada cavalo deve passar por até 13 inspeções por aqueles que pertencem às organizações da indústria de cavalos e pelo USDA, que testam produtos químicos estranhos, palpação, locomoção, tomografia computadorizada e radiografia digital.

“Nós pedimos ao USDA que evite a inspeção subjetiva e se volte para a inspeção objetiva”, ele disse, argumentando que a radiografia digital é o único exame objetivo. “Nós não queremos nenhum cavalo “queimado” na arena”.

Mas Keith Dane, conselheiro sênior de proteção equina da Humane Society dos EUA, disse que alguns podem enganar a máquina fazendo uma bola de raspas de casco e acrílico para coincidir com a densidade do tecido circundante.

Inman disse que ninguém já foi desqualificado por colocar um objeto estranho entre a ferradura e o casco na Festa, uma prática chamada de ferradura de pressão.

O cavalo também deveria estar livre de cicatrizes visíveis.

“Se a “queimadura” for feita a uma extensão que cause danos físicos, eles não podem mais mostrar esses cavalos”, disse Tawnee Preisner, fundadora da Horse Plus Humane Society. “Eles ficam sem valor nenhum depois disso”.

Preisner disse que ela encontrou Skywalks Magical Dream, um garanhão de 4 anos registrado nos Cavalos Marchadores do Tennessee, com pilhas e correntes, abandonado em um leilão na semana passada. Ela o levou para um veterinário de equinos, que documentou o dano e as cicatrizes na pele do cavalo. Seus últimos donos estão registrados como Sammy e Gayle Cogle, os donos do campeão da última Festa Extra Special Jose.

Sammy Cogle disse que eles não estavam mais em posse do cavalo a partir do fim de janeiro. “Sinto muito, mas os advogados me disseram para não falar mais nada”.
Preisner disse que é a terceira vez que ela encontra cavalos “queimados” em um leilão no Tennessee.

Dane estima que há cerca de 15.000 cavalos que usam as pilhas e são “queimados” em determinado momento. Ele pede ao USDA que aprove as alterações para acabar com os abusadores restantes.

“A cultura está evoluindo”, ele disse, comparando a competição dos cavalos “queimados” à rinha de cães ou galos. “As pessoas estão se afastando disso cada vez mais”.

Aqueles interessados em submeter um comentário ao USDA pode fazer isso acessando o endereço http://www.regulations.gov/docket?D=APHIS-2011-0009.

Fonte: The Tennessean

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