ONG espanhola pede aos municípios que monitorem quem eles contratam para recolher os animais abandonados

As declarações foram deitas depois de vir à tona a denúncia de um vizinho de San Sebastián de los Reyes, Rubén Pelayo, que alertou o pressuposto maltrato de cães abandonados por parte de uma empresa que gerencia o serviço de recolhimento desses animais em vários municípios da zona norte.

Rubén Pelayo disse ter trabalhando durante uma semana nas instalações do Maikan Canino SL e viu que “os animais estão em péssimas condições”. Rubén afirmou na rádio Onda Cero Madrid Norte que os animais “estão muito magros e nem saem dos canis”. Acrescenta que possuem “somente cinco comedouros para os 60 canis que abrigam os cães. No tempo que estive lá, nunca dei comida a eles. O dono disse que ele mesmo daria”. Rubén duvida que, devido ao mal estado de saúde, os animais recolhidos possam ser oferecidos às famílias que tenham interesse em adotar.

Rubén arquivou essa denúncia na prefeitura de San Sebastián de los Reyes, um dos dez municípios com os quais trabalham com Maikan, no dia 15 de dezembro à tarde.

Na manhã desse dia, a vereadora de Saúde de Sanse, Jussara Malvar, adiantou que já solicitou um relatório aos técnicos municipais sobre as instalações e as condições dos animais. Ela quis evitar se pronunciar sobre o assunto até conhecer as conclusões do relatório, mas diz que “se for descoberto que os animais não estão em condições adequadas, poderá quebrar o contrato”.

Enquanto isso, a empresa mencionada reconhece que a pessoa que está denunciando “esteve somente dois dias em modo de experiência” e negou que está maltratando os animais.

Por sua parte, a associação pelos direitos dos animais Justicia Animal advertiu sobre as empresas que os municípios contratam para o recolhimento dos animais abandonados e que “exibem” seu comprometimento dando a entender que realizam a posterior adoção desses, quando na realidade “somente procuram lucrar com um serviço que os municípios pagam”.

“A questão não é somente cumprir com as especificações das condições do contrato, senão também verificar que as empresas terceirizadas têm os animais em boas condições, que procuram um novo tutor, e assim evitar a eutanásia”, disse Cubillo.

Como conseguiu descobrir Onda Cero Madrid Norte, o contrato que mantem Maikan com o município de Sanse gira em torno de 30.000 euros anuais, e a empresa acaba de assinar um contrato municipal similar com a prefeitura de Alcobendas. Em outros municípios pequenos, a fórmula é diferente: a empresa cobra um preço estipulado previamente por cada animal recolhido.

A presidente da Justicia Animal, Mati Cubillo, afirma que esta mesma empresa já foi objeto de denúncias anteriormente e recorda que há alguns meses foram recolhidas 1.900 assinaturas no El Molar para pedir que retirem esse serviço da Maikan. Também afirma que quando a associação quis entrar em contato com o dono para favorecer a adoção dos cães, descobriu que “não foi nada fácil”.

Por François Congosto / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Madri Norte 24 Horas 


Nota do Olhar Animal: Aqui no Brasil também há empresas realizando o trabalho essencialmente público de recolhimento e suposto encaminhamento de animais para adoção. Pior, sem qualquer fiscalização que ateste que os animais estão sendo efetivamente bem cuidados e encaminhados.

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