ONG faz denúncia sobre falta de cuidados com os animais do Zoológico de Sumaré, SP

ONG faz denúncia sobre falta de cuidados com os animais do Zoológico de Sumaré, SP

Por Isabela Santos

SP sumare zoologico

De acordo com denúncias de ativistas das causas de animais de Sumaré, os bichos abrigados no Zoológico Municipal, que está fechado para visitação há dois anos, estão comendo restos de comida. Também há denúncias de que alguns animais fugiram do recinto.

“Os animais estão sendo tratados com total descaso, comendo restos de marmitex, expostos ao sol, com vasilhas sem água, e ainda há animais que fugiram dos recintos e encontram-se soltos”, disse o ativista ambiental da ONG (Organização Não Governamental) Pata Verde, Vagner da Cunha Alves.

Por causa de um projeto inadequado, o novo espaço que está sendo construído na cidade teve que ser transformado de Zoológico Municipal para Zoológico Doméstico. Isso porque, segundo informações da Prefeitura, de junho do ano passado, as obras realizadas pela gestão anterior estavam fora dos padrões exigidos pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). As adequações na nova área (ampliação) envolvendo metragem, recuo e construção de recintos, por exemplo, levariam à necessidade de demolição de praticamente tudo o que foi feito fora dos padrões, entre outros fatores.

Ainda de acordo com informações emitidas pela Administração no ano passado, os 62 bichos existentes no zoológico atualmente serão doados para órgãos interessados em adotar os animais.

Na época, a Prefeitura garantiu que, apesar de o local estar fechado para visitação, os animais estavam sendo bem tratados.

De acordo com Alves, a solução para resolver a questão do zoológico seria fazer uma adaptação desses animais em uma reserva florestal. “É melhor que essa ambientação seja feita o mais rápido possível antes que esses animais morram. Não dá para judiar dos bichos assim”, comentou.

No futuro ‘Zoológico de Animais Domésticos de Sumaré’ haverá animais não controlados, como pavão, faizão, cisne negro, marreco, pônei, ganso, pato, periquito australiano, canário, lhama, galinha d’Angola, ovelha, cabra, porquinho da Índia, chinchila, coelho, peru, codorna chinesa, calopsita e outros.

Os animais listados para a destinação são: um cachorro do mato macho, um cágado, quatro caracaras, oito jabutis machos e dois jabutis fêmeas, um jacuguaçu, três macacos pregos machos e quatro macacos pregos fêmeas, um mutum de penacho fêmea, um tigre d’água macho e cinco tigres d’água fêmeas, quatro tigres d’água de orelha vermelha macho e 27 tigres d’água de orelha vermelha fêmeas.

Procurada pelo Jornal Página Popular, a Prefeitura de Sumaré não se manifestou sobre a atual situação dos animais.

História

O Zoológico Henrique Pedroni foi inaugurado em 1987. Em 1990, após visita ao zoológico, o Ibama avaliou a área inapropriada para abrigar animais e pediu o fechamento do local. Diante da ameaça, a Prefeitura assumiu a responsabilidade da reforma e criou o Zoológico Municipal Henrique Pedroni.

Em 2005, o Ibama solicitou novas melhorias na área, após apontar inadequações nos recintos dos animais. Para mantê-lo aberto, a Prefeitura conquistou o convênio junto ao Ministério do Turismo para a reforma e ampliação da área.

O primeiro dos convênios em questão, datado de 2006, resultou no repasse de R$ 1,2 milhão para a Prefeitura fazer obras de revitalização do centro de lazer, além de uma contrapartida dos cofres municipais de mais R$ 800 mil. Segundo a atual gestão, este é o que está mais próximo de ser finalizado de acordo com um novo projeto elaborado para a área, evitando-se assim a obrigação de devolver os recursos federais, com juros, ao Governo Federal.

O segundo convênio, de 2010, envolveu o repasse de mais R$ 1 milhão ao município, para a ampliação do zoológico. Neste caso, as obras realizadas de acordo com o previsto no convênio, mas fora dos padrões do Ibama, inviabilizam a utilização dos recintos para o abrigamento de animais de espécies controladas. Só se poderia reabrir o zoológico ao público com animais controlados e, assim, concluir o convênio, se o espaço tivesse a autorização dos órgãos ambientais, o que se tornou inviável neste caso e motivou a transformação do zoológico em doméstico.

Fonte: Página Popular

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.