ONG lança podcast ficcional em defesa da TONINHA, espécie de golfinho mais ameaçada de extinção

ONG lança podcast ficcional em defesa da TONINHA, espécie de golfinho mais ameaçada de extinção
Nas redes sociais, a toninha se apresenta como uma influencer da preservação do meio ambiente. — Foto: Instagram/Reprodução

Partindo do princípio de que é preciso primeiro conhecer para poder cuidar, a ONG carioca Fundação Brasileira para a Biodiversidade (Funbio) decidiu lançar um projeto de conservação da toninha, a espécie de golfinho mais ameaçada de extinção no Brasil. Para isso, criou um podcast de ficção e perfis em redes sociais.

 
 
 
 
 
Ver essa foto no Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Uma publicação compartilhada por Toninha Pontoporia (@toninha_pontoporia) em

Quem nunca viu nem ouviu falar da toninha não deve se sentir um excluído. O pesquisador do Laboratório Maqua/Uerj, José Laílson, explica que, ao contrário do golfinho cinza, que gosta de se exibir, a toninha é um animal pequeno, tímido, discreto, que pouco se expõe quando sobe à tona para respirar e arredio a qualquer tentativa de aproximação.

“O projeto de conservação da toninha começou em 2015. Mesmo assim só conseguimos imagens da toninha feitas muito recentemente, de drone. Não se consegue fazer imagens subaquáticas delas porque elas fogem. Elas quase nunca são vistas, a não ser quando encalham, e aí já estão doentes. Ou quando aparecem mortas, enroladas em redes de pesca”, explicou Laílson. 

O pesquisador ressaltou que as toninhas têm o bico comprido, como o boto rosa, e por isso acabam enroladas nas redes e morrem asfixiadas porque não conseguem subir até a superfície para respirar.

Laílson destacou, ainda, que por ser difícil de se ver, a toninha também é conhecida como o golfinho invisível. Além disso, explicou que não existem toninhas em oceanários ou em aquários, pois a espécie não sobrevive fora de sua própria colônia.

A toninha, segundo o pesquisador, vive em colônias de dois a até 30 indivíduos, mais perto da costa, entre a Patagônia (Argentina) e o Espírito Santo. No Rio, já foram verificadas populações entre Grumari e Paraty, e de Armação de Búzios até a divisa com o Espírito Santo.

Estima-se que existam atualmente somente 20 mil toninhas no país. 

“Ela só existe nessa região da América do Sul. E estão ameaçadas de extinção, pela poluição, pela ingestão de plásticos e pela pesca acidental, inclusive por suas características. É um animal monogâmico, que só tem um filhote por vez, que é amamentado até os 9 meses de idade. Ou seja, ele demora a se reproduzir e vive em média 15 anos de idade. Metade do que vive o golfinho cinza”, disse Laílson. 

O desaparecimento acelerado das toninhas nos últimos anos levou a Funbio a apoiar o projeto de estudo e preservação do animal feito por universidades do Rio Grande Sul e do Rio de Janeiro.

Linguagem didática e divertida
 
Segundo o coordenador de comunicação e marketing da Funbio, Hélio Hara, a ideia de fazer um podcast de ficção e criar perfis da toninha em redes sociais teve como objetivo fazer a preocupação ambiental chegar também aos jovens.

“Decidimos investir em novas linguagens para levar informação às pessoas de uma forma didática, mas mais dinâmica e divertida. A toninha, por suas características, é um animal que pode render uma personagem dramaturgicamente rica. Daí, a ideia de se fazer um podcast, que é a plataforma que mais cresce no país”, apontou.

Para os perfis nas redes sociais, a toninha é retratada como uma influencer da preservação do meio ambiente.

“Ela é está ameaçada, é pouco conhecida e quanto mais visibilidade, mais chances tem de sobreviver. Não é porque ela não é vista que deve desaparecer”, enfatizou Hara. 

O podcast ficcional “Toninhas: a extinção do golfinho invisível”, estreou no dia 30 de outubro e pode ser conferido no site da Funbio. O programa narra a história de uma jornalista que vai cobrir uma chacina de toninhas em Ubatuba (SP) – onde está concentrada uma das maiores colônias do animal do país – mas que somente ao chegar lá descobre o que é uma toninha.

Em sete episódios, um por semana, o podcast apresenta entrevistas com especialistas reais realizadas pela jornalista fictícia, que é interpretada pela atriz Camila Márdila. No decorrer da história, a jornalista vai desvendando os mistérios da vida das toninhas e se engajando na preservação delas.

Já no Instagram (@toninha_pontoporia), a toninha vai postar fotos, vídeos e dicas de seus hábitos e estilo de vida, a fim de conquistar seguidores e permitir que pesquisadores e leigos conheçam um pouco mais de sua história.

“A gente continua a fazer palestras e exposições sobre a toninha, mas com a pandemia, nosso trabalho ficou limitado. Esses projetos em redes sociais visam aumentar a visibilidade do animal. As pessoas não preservam aquilo que não conhecem. Por isso, estamos abrindo esses canais de conhecimento para criar empatia com as toninhas e ajudá-las a permanecer muito mais tempo entre nós”, enfatizou o pesquisador do Maqua/Uerj, José Laílson.

Por Alba Valéria Mendonça

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Mais relevante que a extinção em si é o sofrimento e morte impostos a cada indivíduo. Cada um deles tem seus interesses próprios, e tem suas vidas prejudicadas pela ação ou pela omissão humana.

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.