Espanha Madri touro opera

ONG leva aos tribunais o caso da aparição de um touro em uma ópera

Por Jorge Tejerina / Tradução de Nelson Paim

A fiscalização do Meio ambiente e Urbanismo recebeu a denúncia da associação Justicia Animal, interposta à direção geral de Agricultura e Desenvolvimento da Comunidade de Madri, em que se pede que seja proibida a utilização do touro Easy Rider na ópera “Moisés e Aarão” no Teatro Real. Segundo foi confirmado por fontes da fiscalização do Meio ambiente, foi recebida a denúncia e esta será estudada para ver se a mesma procede ou não.

No texto da denúncia, ao qual teve acesso a Europa Press e que foi remetida com data de 24 de maio, foi indicado que nas duas horas de duração da ópera o touro tem duas aparições de aproximadamente 20 minutos. Assim, a associação assinala que no primeiro ato ele aparece dentro de uma caixa de acrílico, algo qualificado como “antinatural” e “suspeito de estar sedado ou drogado”, já que o animal fica quieto e sem se mover.

“É claramente uma situação antinatural, muito suspeita e sem espaço a dúvidas [do motivo pelo qual o animal] fica quieto sem mover-se, podendo estar sedado ou drogado, por isso solicitamos que se faça uma análise para comprovar se há resultado positivo para algum tipo de droga”, destacou a organização.

Também é relatado que no segundo ato o animal anda em cena, é pulverizado com tinta preta junto aos atores para simbolizar uma orgia e é sujeitado o tempo todo por uma argola que vai dos chifres ao rabo, ficando tensa a todo o momento devido a qualquer movimento do animal, o que lhe produz uma forte dor e sofrimento. A Justicia Animal adiciona a denúncia de que não existem medidas de segurança no cenário para evitar graves acidentes.

Informe veterinário

A organização junta à denúncia um informe da Asociación de Veterinarios Abolicionista de la Tauromaquia y del Maltrato Animal (AVATMA) no qual, após visualizar fotos e vídeos, conclui que quando o animal se encontra nas dependências do Palácio Real não se cumprem as cinco liberdades ou direitos que de maneira obrigatória se devem cumprir para garantir o bem-estar animal (alimentação, alojamento, não sofrimento físico, liberdade para expressar seu comportamento natural e não sofrimento emocional).

“Este animal carece dos estímulos necessários para poder desenvolver seu comportamento natural. Sem ser encontrado em uma exploração de caráter intensivo suas condições de vida seriam consideravelmente melhores”, explica a AVATMA.

A denúncia conclui que estes fatos são constitutivos de falta muito grave na lei de proteção animal da comunidade de Madri. Segundo a presidente da Justicia Animal, Matilde Cubillo, não é necessária a presença do touro na obra e, por ele, é esperado que a comunidade de Madri devesse fazer cumprir a lei de maneira “radical”, proibindo a utilização do animal.

“Ninguém denuncia que não estejam de acordo os documentos do animal, nem que careça das autorizações pertinentes, o que denunciamos é a vulnerabilidade da lei de proteção animal da comunidade de Madri, que regula como falta muito grave este tipo de espetáculo onde se utilizam animais submetendo-os a uma situação antinatural. Não é necessário ser especialista para compreender que um touro de 1.500 quilos não acrescenta nada ao cenário”, conclui.

A ONG La Tortura no es Cultura também apresentou denúncia por estes mesmos atos na França, onde se apresentou a obra em 2015. Houve protestos por parte das entidades de proteção animal, chegando a mais de 21 mil assinaturas contra o espetáculo.

Na Espanha, uma petição lançada através do Change.org recebeu 48 mil assinaturas contra o uso do touro Easy Rider.

O teatro defende sua aparição

Frente às críticas, o diretor geral do Teatro Real, Ignácio Garcia-Belenguer, assegurou que durante a apresentação da ópera o touro se encontrava “nas melhores condições” e que se tem cumprido todos os requisitos para sua participação na obra.

“Foram adotadas todas as medidas e os melhores cuidados para que o touro esteja perfeitamente cuidado”, ressaltou, ao mesmo tempo em que negou que este animal fosse drogado, sedado ou que administrassem medicamentos. “É um touro tranquilo, não necessita absolutamente de nada, foi escolhido por este perfil”, disse.

Fonte: Irispress

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