ONG reclama de taxa cobrada para feiras de adoção de animais em Cascavel (PR)

Por Eliane Alexandrino

A ONG (Organização Não Governamental) Sou Amigo abriga atualmente aproximadamente 100 cães e gatos, em Cascavel. A entidade atende animais abandonados e dá assistência desde novembro de 2011, e se mantém por meio de doações da comunidade, sem receber recursos públicos para o tratamento dos animais.

Segundo a coordenadora da ONG, Evelyne Paludo, até fim de 2014 não havia nenhuma taxa de cobrança para realização das feiras de adoção na cidade, contudo o cenário mudou. “Estamos revoltados com a taxa de cobrança. Sabemos que temos que pagar a taxa do alvará anual, mas pagar toda vez que tiver que fazer um evento de adoção? Não temos condições nenhuma. Socorremos os animais de rua com ajuda da população. Parece pouco, mas R$ 70 dá para comprar muita medicação”, critica.

Paludo também cobra a Lei 6.329/2014, que busca amenizar o controle populacional de animais errantes, ou seja, abandonados. A lei indica 180 dias para implantação do projeto a partir da data da votação, porém até o momento está engavetada.

“Foi feita licitação, foram escolhidas as clínicas e empresas que estariam prestando o serviço, mas até agora não tivemos acesso a nada. Nem castração, nem microchipagem e nem se quer acesso aos veterinários que foram contratados para ajudar nos atendimentos. Só tem um espaço físico”, reclama Paludo.

Para a ONG Sou Amigo, a prática de cobrança é impraticável, já que a dívida mensal da entidade chega a R$ 6 mil em atendimentos de animais resgatados das ruas, atropelados, doentes ou abandonados.

“Não recebemos um centavo da Prefeitura e agora temos que pagar essa taxa altíssima. Nós ajudamos os animais, o que deveria ser feito pelo poder público, mas até agora a lei aprovada não saiu do papel”, ressalta Paludo.

Fonte: O Paraná 

Nota do Olhar Animal: É um despropósito, uma vergonha, que ONGs que promovem eventos de adoção de cães e gatos sejam obrigadas a pagar taxas municipais relacionadas a isto. As ONGs fazem em grande parte o trabalho que as prefeituras, por descaso ou incompetência, deixam de fazer. Houvessem políticas públicas municipais sérias de controle populacional de cães e gatos, eventos de adoção nem seriam necessários. As prefeituras é que deveriam destinar verbas para as ONGs que atuam na área, apoiando suas ações. No mais, se a prefeitura de Cascavel não tem políticas eficazes para tal, deve ser é processada judicialmente. O Ministério Público Estadual deve ser acionado e as providências legais tomadas. Esta cobrança chega a ser um insulto à sociedade civil. 

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