ONGs e protetores de animais sentem efeitos da crise em São José, SP

ONGs e protetores de animais sentem efeitos da crise em São José, SP
Em crise, ONGs têm dificuldades para cuidar de animais abandonados em São José (Foto: Filipe Rodrigues/G1)

A crise econômica que atinge o país também afeta a vida dos animais em São José dos Campos(SP). De acordo com ONGs e protetores de animais, a ajuda com rações e medicamentos para manter os animais resgatado diminuiu e para evitar custos, menos pessoas têm adotado um cachorro ou gato.

A crise mexeu muito com a população e sempre sobra para o bicho, que é abandonado na primeira dificuldade” Eliana Meira, protetora

A Associação Bicho Brasil (ABB) de São José dos Campos é uma das entidades que encontra dificuldade financeira por causa da crise. Eles cuidam de 30 animais e para o grupo, o que mais afetou foram os padrinhos dos animais deixarem de colaborar com doação de ração e remédios.

“Algumas pessoas pararam de ajudar ou porque perdeu trabalho ou porque a empresa não está bem ou porque o inquilino está devendo aluguel. Refletiu para a gente. Por exemplo, eu tenho uma pessoa que me ajudava há quatro anos para um cachorro de com ração. Ele está em um hotel e eu pago mensalidade. Agora, faz três meses que ela não consegue me ajudar e fica muito difícil para conseguir. Como ele é porte grande, ninguém adota”, contou a fundadora da ABB Eliana Meira.

Ela conta que o custo com cada animal é de cerca R$ 350 com ração, medicamento, veterinário e castração. Há dois anos, as doações e ajuda chegavam a 70% do valor total dos custos dos animais. Atualmente, ele valor não chega a 40%.

Animais esperam por anos para serem adotados ( Foto: Arquivo Pessoal/Marilu Godoi)
Animais esperam por anos para serem adotados ( Foto: Arquivo Pessoal/Marilu Godoi)

“Sem contar que muita gente abandona por falta de custos para cuidar e aumenta mais o número de animais de rua. É um trabalho que não tem fim. Se cada um se responsabilizasse pelo seu animal sabendo que ele vai crescer e precisar de cuidados, a vida deles seria muito melhor. A crise mexeu muito com a população e sempre sobra para o bicho, que é abandonado na primeira dificuldade. A pessoa acaba indo morar com a mãe, irmão para reduzir o custo e abandona o animal”, disse.

A Organização para Proteção de Animais de Rua (Opar), que cuida de 170 cães e gatos, acredita que a crise fez com que menos pessoas adotassem animais para evitar novos custos. Com isso, cada vez mais fica difícil recolher os animais das ruas.

Os animais ficam distribuídos na casa de 15 voluntários, que são responsáveis pelos custos de cada animal. A voluntária Raquel Fiorio tem 60 cães e 40 gatos na casa dela e por dia gasta 40 quilos de ração.

“Antes o giro de animais era maior e mais fácil e por isso, conseguíamos recolher mais animais. Por causa da crise eles ‘empacaram’ e nós não podemos cuidar de outros porque já temos muitos”, disse a voluntária.

Para os protetores independentes, a crise também dificulta o trabalho. A protetora Marilu Godoi cuida de 13 animais. Para ela a principal dificuldade, é o preço dos itens necessários, que está mais caro.

“As coisas estão mais caras, ração teve aumento, despesas com veterinário, vacina e castração também e a ajuda com doações têm diminuído cada vez mais. Levo sempre os animais em feiras de adoção, mas cada vez está mais difícil. O poder público não olha para essa causa e cada vez está mais difícil”, reclamou.

Prefeitura

A Prefeitura de São José dos Campos informou que no Centro de Zoonoses há 134 animais, sendo 36 cães e 6 gatos disponíveis para adoção. Eles só recolhem animais que oferecem algum risco à saúde humana.

Quanto ao controle de animais, para evitar uma superpopulação, a atual administração diz que implantou um programa de castrações que, desde 2013, já castrou 2.525 animais, sendo 1.526 cães e 999 gatos.

A prefeitura diz ainda que realiza uma feira de adoção por mês, sempre no ultimo domingo de cada mês, no Parque da Cidade, onde realizava também as incrições para castração. A última feira foi em outubro.

A Secretaria de Meio Ambiente atua por meio de campanhas periódicas no sentido de promover a educação ambiental e conscientização da sociedade para o cuidado e respeito com os animais domésticos.

“Em nossa página da internet mantemos orientações à população sobre a guarda responsável de animais domésticos e divulgamos também o contato de ONGs, as quais temos conhecimento, que promovem feiras periodicamente”, diz trecho da nota.

Por Camilla Motta 

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