ONGs Organizações sobrevivem de doações e serviços voluntário na região/ Divulgação

ONGs resgatam mais de 600 animais por ano em Araçatuba, SP

A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que no Brasil existam pelo menos 30 milhões de animais abandonados, sendo que 20 milhões são cães. Em Araçatuba, para evitar que o problema aumente, ONGs e o CCZ (Centro de Controle Zoonoses) recolhem os animais das ruas, que são tratados e colocados para doação. A ONG Clube dos Animais abriga atualmente 80 cães e mais de 120 gatos. Muitos desses animais ficam em casas de voluntários, lares temporários, clínicas veterinárias e em hotéis especiais devido à falta de espaço.

A advogada e voluntária da ONG Carolina Lima da Cruz Silva contou que, antes do resgate dos animais, devido à grande quantidade, leva-se em conta duas situações: a gravidade do caso e se há espaço para colocar os animais resgatados. “Agora estamos dando prioridade para ninhadas, cadelas/gatas prenhas ou com filhotes, além de animais atropelados”, explicou a advogada. De acordo com ela, 600 animais são resgatados por ano de forma direta e indireta. “Dentre esse número, há os animais que nós mesmos resgatamos e alguns que foram resgatados de forma independente, por voluntários ou pedidos de ajuda”, disse Carolina.

Questionada se todos os animais abandonados são levados para a ONG, Carolina explicou que nem sempre isso acontece. “Muitas vezes, o animal está na rua, mas não está em situação de risco. Não temos condição ou espaço de abrigar todos, então cuidamos deles na rua mesmo”, explicou. Os voluntários castram, vacinam e tentam garantir que eles estejam vivendo em condições adequadas. “Quase todos os voluntários cuidam de muitos animais dessa forma, garantindo assim que tenham água, comida e uma cama. Assim, a qualidade de vida dos animais é melhor”, acrescentou a advogada.

A ONG é mantida por dinheiro dos voluntários e com doações de pessoas que se familiarizam com a causa animal. “Fazemos eventos durante todo o ano, com venda de rifas, pizzas e realizações de almoços para arrecadar dinheiro. Temos uma loja onde vendemos produtos como canecas, camisetas e almofadas. Todo o dinheiro arrecadado é destinado aos animais”, explicou.

No mundo, estima-se que 600 milhões de animais vivem nas ruas. Entretanto, a Holanda se tornou o primeiro país em que não existem animais abandonados. Os animais não precisaram ser sacrificados e muito menos serem presos em canis. Isso foi possível com um plano de governo baseado em leis duras para quem abandona os animais, campanhas de castração e conscientização e altas taxas de imposto para quem compra cachorros de raça.

No Brasil, a lei sobre abandono e maus tratos de animais data de 1998. Ela prevê crime de abandono de animais para aqueles que introduzirem ou deixarem animais em propriedades alheias, sem consentimento. A lei abrange também casos de maus tratos e a pena varia de 3 meses, podendo chegar a 1 ano de detenção, além de multa.

A educadora ambiental Elaine Becuzi é voluntária independente em duas ONGs em Birigui, a Balaio de Gato Gatil e a Anjo Animal. Ambas não recebem ajuda governamental e, assim como acontece na Clube dos Animais, os custos são supridos pelos esforços dos voluntários e das pessoas que se sensibilizam com a causa. “Não temos um número específico de casos de abandono, mas, diariamente, nos deparamos com vários casos que me emocionam muito”, disse Elaine, que resgatou uma cachorra há quatro anos. “Ela estava parindo sete filhotes em um dia de muita chuva e apresentava sinais de maus tratos: magra e embaixo dos seus pelos havia bichos que saíam das suas feridas. Hoje, ela vive comigo e se chama Neguinha”, contou.

Fonte: Folha da Região

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