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Opções veganas se multiplicam em Porto Alegre (RS) com aumento da preocupação com animais

Por Débora Fogliatto

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Porto Alegre recebe, neste domingo (21), a 5ª Feira Vegana da cidade. Iniciada em novembro de 2014, a iniciativa reúne, bimestralmente, cerca de 20 expositores de produtos, em sua maioria alimentos, mas também outros itens de consumo, que não contêm nada que remeta à crueldade ou origem animal em sua composição. Na capital gaúcha, crescem as alternativas para o público interessado nessas opções, que incluem restaurantes, coletivos, tele-entregas e eventos.

O veganismo é um movimento não apenas relacionado à alimentação, mas também político, social e filosófico, que defende os direitos de todos os animais. Por isso, pessoas veganas também não usam artigos de vestuário de materiais de origem animal e não compram produtos que tenham sido testados em animais, assim como procuram boicotar empresas que utilizam esse método. Nesse sentido, é um passo além do vegetarianismo (também chamado ovo-lacto-vegetarianismo, para não ser confundido com o veganismo), que exclui do cardápio carnes e derivados, mas permite ovos, mel e leite.

A Feira Vegana surgiu a partir de uma iniciativa da empresária Taís Duranti Pereira, que tinha um “desejo de ter em um único lugar os mais variados produtos veganos, sem aquela necessidade chata de ficar lendo rótulos ou ficar perguntando sobre os componentes de um produto”. Ela reflete que a feira traz “tranquilidade ao consumidor vegano”, que pode escolher entre as opções sem se preocupar com a sua composição, devido à exigência cumprida pelos expositores.

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Ela aponta que a procura pro produtos veganos e livres de crueldade é cada vez maior, o que se reflete inclusive na Feira, que nesta edição terá 28 expositores e, por isso, migrou para um espaço maior, o Estúdio Q. Até então, o evento já aconteceu na Casa Liberdade e no Vê — Restaurante e Empório Vegano, que de segunda a sábado funciona como buffet exclusivamente vegano.

O restaurante, aberto há cerca de nove meses, é localizado no bairro Petrópolis e conta tanto com pratos clássicos — como feijoadas, escondidinhos, hambúrgueres — quanto inusitados. O local também funciona como um empório com produtos naturais e orgânicos, todos de origem vegetal, além de abrigar cursos e eventos.

“Eu acredito que este aumento no número de pessoas veganas se deve ao fato da conscientização por parte de ONGs que lutam pelos direitos dos animais. As pessoas estão mais lúcidas sobre o fato de os animais serem explorados para produzirmos quase tudo que existe na sociedade hoje. Temos que mudar esta realidade e só o veganismo é capaz de libertar estes seres escravos”, aponta Taís, que, com seu marido, é também proprietária do Delivery Veg — telentrega de produtos veganos na capital gaúcha e região metropolitana.

Opções veganas

O crescimento do interesse é observado também pela sócia-proprietária do El Pasito — Gastronomia Consciente & Cultura, na Cidade Baixa, Roberta Perin. O restaurante existe desde 2013, quando servia almoços, e agora funciona principalmente à noite, com salgados e eventualmente jantas. Além de produzir as comidas, o local também costuma fazer parcerias com coletivos de tele-entrega veganos como o Até o Talo, Vegga e Caldeirão 13. “Cada vez mais as pessoas têm acesso e percebem que realmente dá para fazer coisas que não prejudiquem os animais, que não venham da exploração”, reflete ela.

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O Pasito também se preocupa em promover uma alimentação sustentável, a partir do uso de orgânicos. “Acreditamos que é fundamental não apenas pensar o veganismo, mas também não consumir coisas industrializadas e com agrotóxicos”, apontou. Neste sábado (20), o Pasito realizou uma festa junina em formato de bazar, com quitutes e itens artísticos à venda.

Há um ano, Porto Alegre passou a contar com mais uma opção vegana, em formato de fast food. O B Burger, no bairro Independência, conta com hambúrgueres feitos sem produtos de origem animal. O proprietário Ricardo Bragaglia teve a ideia em 2010, quando morava em Montevidéu, no Uruguai, e fazia hambúrgeres vegetarianos em casa. Ele, que aboliu a carne de sua alimentação há onze anos, ponderou que não existia em sua cidade natal um local que vendesse comidas do tipo. “Sentia falta de um lugar acessível, fácil, e com comida gostosa, mas sem origem animal”, contou.

Daí nasceu o B Burger, o primeiro fast food vegano do Brasil e possivelmente da América do Sul. O próprio Rodrigo é vegetariano exatamente pela causa do respeito animal. Ele montou o cardápio, mesmo sem ter feito cursos de cozinha específicos para tal, e passou para seus funcionários. Além da comida, há a preocupação em não utilizar fritura, não vender refrigerantes e usar embalagens biodegradáveis. “Percebo que as pessoas querem experimentar e aderir, às vezes mesmo que não sejam [veganas] 100% do seu dia, mas aos poucos vão conhecendo e gostando”, reflete.

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Além de restaurantes e lancherias, há também uma série de pequenos negócios que vêm surgindo em Porto Alegre e região metropolitana, ampliando as opções de salgadinhos e docinhos para eventos, assim como tele-entregas em geral. Uma destas iniciativas é a Aurora Doces Veganos, em Novo Hamburgo, que existe desde agosto do ano passado. A diretora Gabriela Sombrio, que faz os produtos, conta que aprendeu a cozinhar apenas em 2013, quando fez sua transição para o veganismo, e brinca que antes apenas fazia “ovo frito e massa”.

Agora, ela pretende se especializar na área de confeitaria, visto que seu principal produto são os cupcakes, embora também venda risólis e empadas. “Estava passando por uma crise financeira e lembrei que minha irmã vendia cupcakes na Redenção uma época e dava super certo. Resolvi fazer o mesmo, mas com receitas veganas, e o pessoal começou a pedir encomenda e pedir que eu levasse no trabalho e nas aulas”, contou, completando que seu objetivo também é desmistificar a comida vegano, mostrar que “pode ser muito gostosa também”.

Gabriela afirma que ter se tornado vegana, processo que levou um ano para ela, que já era vegetariana, mudou sua vida para melhor em muitos aspectos. “As pessoas tendem a criar empecilhos para não mudar seus hábitos, tendem a problematizar muito o veganismo. Mas a verdade é que é muito mais barato se alimentar sendo vegano, e o único produto que não encontro nos supermercados é a pasta de dente e maquiagem, que compro pela internet”, colocou. Ela percebe que há um aumento de estabelecimentos veganos em Porto Alegre, assim como a inclusão de opções para este público em casos de restaurantes não-especializados.

Preocupação com orgânicos

Assim como os donos de restaurantes, muitos veganos se preocupam também em consumir alimentos com a menor quantidade de agrotóxicos possíveis, buscando comprar produtos orgânicos. Em Porto Alegre, uma boa opção é procurar as feiras ecológicas, que vendem exclusivamente orgânicos, como a que acontece nos sábados, na Redenção. O local, porém, não é 100% vegano — não há nenhum tipo de carne, mas muitas bancas vendem mel e laticínios, que os veganos não consomem.

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Uma das bancas que vendem produtos veganos é a Vida Natureba, de Nova Tramandaí, que produz cereais a partir de matéria-prima comprada de cooperativas e produtores orgânicos. O sócio Arquiles Armando Krieger conta que o “forte” das vendas é na feira de sábado, para o qual eles trabalham durante toda a semana. Ele aponta que a preocupação com o consumo de orgânicos também tem crescido na sociedade. “A procura é cada dia maior. O orgânico não volta mais para trás. Agora tem incentivo do governo, recurso para propaganda, semana do orgânico”, disse.

Além de alimentos, há algumas bancas que vendem outros tipos de produtos, como a Senhorita Orgânica, que é distribuidora de produtos cosméticos de origem orgânica e vegana. São hidratantes, sabonetes, shampoos, hidratantes, cremes para o corpo, pastas de dentes, repelentes, óleos, produtos de limpeza para a casa, entre outros, que são de marcas que não fazem testes em animais e, em sua maioria, nem tem produtos de origem animal. Os únicos que não são veganos são alguns poucos produtos que contêm mel em sua composição.

A proprietária Bianca Vargas percebeu que, na Europa e nos Estados Unidos, o mercado de orgânicos já é bem maior que no Brasil, onde a preocupação está apenas começando. As marcas revendidas pela Senhorita Orgânica são, principalmente, de São Paulo e Rio de Janeiro, embora algumas sejam importadas. A loja, que fica no bairro Moinhos de Vento, foi aberta no início deste ano. “É a passo de formiguinha, o mercado está crescendo aqui, mas não é de uma hora para a outra”, afirma Bianca. Sua sobrinha que a ajuda nas vendas, Giulia, observa que na feira a maior parte dos consumidores são os que já costumam comprar no local ou já são preocupados com o consumo de orgânicos e veganos.

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Fonte: Sul 21

 

Nota do Olhar Animal: Apesar da definição equivocada de “vegetarianismo” indicada na matéria, o texto reflete o perceptível crescimento não só do vegetarianismo (que é a dieta alimentar dos veganos), como do veganismo em toda a sua abrangência e implicações.

 

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