Operação em seres humanos virtuais

Imagine que um paciente necessite de uma operação coronária urgente. Ele passa por exames e, na uma hora em que aguarda os resultados, cirurgiões realizam simulações para determinar a melhor forma de operá-lo.

Eles pesquisarão diferentes cenários cirúrgicos em ambiente de realidade virtual, de modo a tentar prever de que forma obterão melhores resultados no paciente. Com isso determinarão, por exemplo, em que local uma estimulação cardíaca seria mais efetiva naquele paciente, ou em que local a inserção de um tubo surtiria efeitos mais positivos para melhorar o fluxo de vasos bloqueados. Realizando tal simulação evita-se que o paciente seja submetido a tentativas e erros. Os procedimentos serão mais rápidos, mais efetivos e menos traumáticos.

Em quanto tempo? O Dr. Kohl, fisiologista da Universidade de Oxford e um dos principais cientistas envolvidos com o projeto Virtual Physiological Human (VPH) não sabe estimar. “50 anos – 10 anos – talvez até mesmo em 5 anos.” O projeto, financiado pela União Européia, visa produzir modelos biomédicos que simulem o corpo humano tanto estrutural quanto funcionalmente.

Biologia de hoje, biologia de amanhã

O foco da pesquisa biomédica tem sido, até então, a busca da compreensão do funcionamento do corpo desconstruindo-o. A partir de agora faz-se necessário que foquemos em sua reconstrução.

Até o momento a fisiologia tem visto o funcionamento do corpo de forma fragmentar. A partir de agora necessitamos entender de que forma essas diferentes partes interagem entre si, com a mente e com o meio ambiente. O avanço tecnológico que experimentamos recentemente permite que utilizemos de ferramentas que não estavam disponíveis no passado.

Não há modelo perfeito

Porém o Dr. Kohl não acredita que um dia seja possível obtermos um modelo completo do corpo, pois um modelo dificilmente terá todas as características do original. Além disso, um modelo perfeito seria tão complexo e incompreensível quanto o original, o que tornaria seu manejo dificultoso.

Modelos são representações simplificadas da realidade. Eles são construídos especialmente para simular determinadas situações. Eles necessitam ser constantemente reavaliados e atualizados e novos modelos devem ser criados para simular novas situações. Na comparação, como as ferramentas em uma caixa de ferramentas, deve-se selecionar o modelo certo para determinada situação.

Uma discussão sobre quais modelos são confiáveis

Muitas pessoas podem alegar que o fato de esses modelos de simulação não serem perfeitos atesta a necessidade do uso de animais na pesquisa. Nada mais distante.

A fisiologia de outros animais é tão complexa quanto a fisiologia humana e, assim sendo, sua compreensão demanda o mesmo esforço necessário para compreender a fisiologia humana. Além de tão complexa quanto, essa fisiologia é diferente da fisiologia humana. Assim, havendo diferenças e não sendo uma versão simplificada, animais não são modelos para a fisiologia humana.

Pelo contrário, simulações populacionais são feitas com base na própria fisiologia humana. Elas permitem visualizar a plausibilidade, simular cenários, vislumbrar procedimentos. Elas aproximam o profissional da compreensão, e não o distanciam como fazem os animais adotados como modelos.

O computador pode calcular probabilidades à frente, adiantar passos, e dessa forma tentar antever o que acontecerá com o paciente humano. Animais de laboratório não podem fazer isso.

Para saber mais sobre o projeto do Homem Virtual:

Adaptado de artigo da BBC News health de 12 de janeiro de 2009

Fonte: ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais


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