Operação Teia, do Ibama, multa empresa do Miss Brasil por uso de animais em vídeo em Manaus, AM

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou, de 10 a 29 de outubro, mais de R$ 1,3 milhão em multas por infrações ambientais relacionadas à utilização de fauna silvestre em publicações de redes sociais, além de anúncios publicitários expondo esses animais em pacotes turísticos.

Entre os alvos de multa, está a empresa  organizadora do concurso Miss Brasil que divulgou vídeo promocional da candidata Brena Dianná utilizando animais silvestres no Lago Janauari. No vídeo, ela posa com uma cobra e com um bicho-preguiça. No material divulgado pelo Ibama, também há fotos da segunda colocada no Miss Amazonas de 2015, em um ensaio com um bicho-preguiça.

De acordo com o Ibama, as infrações – 24, no total – foram flagradas nos trabalhos da Operação Teia. Na ação, uma equipe de agentes do Ibama/AM junto com policiais do Batalhão Ambiental infiltrou-se em uma excursão ao Lago do Janauari, por meio de um pacote turístico, e conseguiu flagrar um cativeiro com seis animais silvestres (duas sucuris, uma jibóia, dois jacarés e um filhote de bicho-preguiça), que foram resgatados e devolvidos à natureza, com exceção do filhote de bicho-preguiça que foi encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres – CETAS do Ibama/AM para reabilitação.

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O Lago Janauari é ponto turístico de Iranduba com intensa visitação e de onde se origina diversas denúncias de utilização ilegal de animais silvestres para exposição a turistas. Segundo o Ibama, as atividades turísticas no lago Janauari tem desrespeitado a legislação ambiental, uma vez que os animais são capturados na natureza e mantidos em cativeiro ilegalmente para serem expostos. Nesses cativeiros os animais são maltratados e até morrem.

Dos 24 autos de infração, 22 são ilícitos detectados em redes sociais pelo núcleo de inteligência do Ibama/AM, e dois foram  lavrados durante a ação fiscalizatória no Lago Janauari. Foram autuadas seis empresas de turismo que fomentam práticas que, segundo o órgão, são “ilegais, abusivas e molestadoras de animais silvestres”.

Em nota, o  Ibama alerta os turistas que é infração e crime ambiental a utilização de animais silvestres mantidos ilegalmente em cativeiro, sujeita a multa de R$ 500,00 ou R$ 5.000,00 (se for animal ameaçado de extinção) por espécime no âmbito administrativo e pena de detenção de seis meses a um ano e multa no âmbito judicial.

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