OPINIÃO: Como são feitas as salsichas? Uma verdade que ninguém quer ver!

OPINIÃO: Como são feitas as salsichas? Uma verdade que ninguém quer ver!

Por Marcello Jahn dos Santos*

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Vivemos em um mundo consumista, isto ninguém duvida. As facilidades tecnológicas colidem a cada dia, e com mais intensidade a cada momento. Essas novas tecnologias nos conduzem à comodidade. Explico. Na grande maioria das vezes, esse progresso tecnológico está associado a estudos científicos – e aí há um sério problema. Acreditamos nos estudos científicos, ou técnico-científicos, e na estatística, que nos conduz ao raciocínio indubitável. Somos condicionados a acreditar nestes estudos estatísticos.

Mas, infelizmente, não funciona bem assim. Ela pode mentir, afinal de contas todo estudo é dirigido a um fim – posso escolher o resultado, previamente. E a partir daí temos inúmeros problemas. Podemos aludir que estudos que demonstrar que o café-da-manhã é a refeição mais importante do dia. O que pode estar por detrás disso? A indústria. Por exemplo, a produção de suco de laranja industrializado. Nós é vendido o café-da-manhã ‘dos sonhos’, com pessoas sorridentes, crianças felizes, e essa maquiagem não nos deixa enxergar. Qual a quantidade de açúcar adicionada nesse suco? Levamos isso em consideração, ou é esquecido frente à felicidade vendida pelas propagandas? O mesmo se aplica aos produtos de origem animal.

Vamos aos fatos. Afinal de contas, como as salsichas são feitas? Eu não sei, e você? Mas posso apontar algo interessante, e prometo que não é estatístico – elas são feitas com sofrimento de um animal que foi morto. Sim, a carne que vemos pendurada no mercado é de um animal. Este, assim como nós, nasceu, tinha laços e foi ‘abatido humanitariamente com o menor sofrimento possível’. Eles sofrem, sim. E isso vou detalhar um pouco mais, tendo em vista que a grande maioria faz vista grossa ao processo de ‘fabricação’ da carne – eu prefiro o termo cadáver.

Vamos falar do gado, vaca ou boi, como preferir. Abstenho-me de falar da indústria do leite, uma das mais horrendas. Esses animais são tratados como prisioneiros de guerra. Vivem no máximo cinco anos, ou menos, desde que atinjam os objetivos de peso para abate. Vamos levar em consideração que viveriam no mínimo vinte anos, em condições normais. Vivem em cercados, ou enjaulados sem contato com o mundo externo. Qual a diferença disso para o presídio? Nenhuma. O cárcere é o mesmo e a mentira também. No presídio temos a falácia da resocialização do animal humano. Já no caso do animal não-humano, serve para deixar a carne mais macia!

E o ‘abate humanitário’? Não tem nada de humanitário, ao contrário, existe um sadismo hipócrita por trás disso. Lembram da história do suco de laranja? O humanitário nada mais é do que a propaganda bonita do suco – e dos produtos de origem animal. Ocorre que no suco de laranja eles escondem o açúcar, aqui eles escondem o sangue e a dor. Basta olhar na Internet e pesquisar, e decidir, por você mesmo, quanto à humanidade desses abates.

Um ponto de tensão é o descolamento. Explico. Esse descolamento que falo é o fato de olharmos para um objeto e ele bastar por si. Compreendo que é menos complicado pensar assim, para não dizer mais fácil. É mais fácil pensar que a indústria se preocupa com a quantidade de açúcar no suco de laranja ou que os animais são abatidos de forma digna. Ao invés de olhar a quantidade de açúcar no suco ou a quantidade de sangue escondida nos abates.

Finalizando, e não concluindo, não podemos olhar o objeto – suco de laranja e carne pendurada – como produtos finais de uma cadeia, mas parte de um grande processo. Peito de frango vem do frango. Leite de vaca vem da vaca. Penas do ganso pertencem a ele, e não ao travesseiro. Fiquei chocado ao ver uma criança conversando com a mãe no supermercado, pedindo para comprar produto de uma determinada marca, pois “a galinha da TV fazia ‘legal’ com o pelegar”. Vivemos neste mundo, infelizmente!

* Advogado especialista em Direito Penal e mestrando em Ciências Criminais na PUC/RS

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