Ordem dos Veterinários de Portugal pede para não fazer do passeio do cão um evento social

Ordem dos Veterinários de Portugal pede para não fazer do passeio do cão um evento social

É verdade que um gato de estimação, infetado por contágio humano, foi registado na Bélgica. Mas não se assuste: não existe evidência de que os animais transmitam Covid-19 ao Homem. De facto, pode ler-se num comunicado da Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) que “segundo a World Organisation for Animal Health (OIE) não existem evidências de que os animais possam ser uma fonte de transmissão para outros animais ou humanos “.

Pelo contrário, podemos ser nós a contaminar os nossos animais de estimação se tivermos comportamentos irresponsáveis com eles. “Nesta altura de pandemia, devemos tentar não ter comportamentos tão próximos com os animais como temos habitualmente (beijinhos e muitas festinhas), devemos ter o máximo de cuidado”, refere o Dr. Jorge Cid, bastonário da OMV.

O bastonário aconselha ainda que, nesta altura, não se tomem os passeios dos animais como eventos sociais, como seria normal noutra altura. Os passeios devem ser encurtados apenas ao necessário. Para além destes dois cuidados, é importante proceder à lavagem das patinhas dos animais após os passeios. No fundo, desenvolver hábitos de higiene com os animais da mesma forma que desenvolvemos connosco.

No entanto, deve ter-se em atenção que a pele deles não é igual à nossa e por isso é importante não aplicar produtos demasiado agressivos (como álcool) diretamente nas patas, pois podem gerar complicações, como dermatites, explica a Dra. Patrícia Cachola, diretora clínica do Hospital Veterinário do Algarve.

A própria Ordem dos Médicos Veterinários já segue o conceito “One Health”, isto é “Uma Só Saúde = Animais + Humanos” e como tal,” os médicos veterinários não deixarão de prestar todos os cuidados absolutamente necessários, quer no âmbito das suas atribuições profissionais quer prestando auxílio à sociedade em geral conforme já divulgado” como se pode ler em comunicado.

Todos os três casos de animais de estimação infetados deram-se por contágio ambiental, sendo que nenhum dos animais contagiou qualquer ser humano. É de referir ainda que, num universo de milhões de casos, estes três representam uma ínfima minoria.

“A situação ainda é muito recente, nem conseguimos definir com precisão os efeitos que o vírus tem nos animais”, declarou a diretora do Hospital Veterinário do Algarve, acrescentando que não se descura a possibilidade de os testes se tratarem de falsos positivos, uma vez que existem outro tipo de infeções causadas por coronavírus tanto em cães como em gatos.

Ambos os profissionais apelam a que os donos de animais de companhia não os abandonem nesta altura de pandemia. “O nosso dever é cuidar deles o melhor possível” alerta o bastonário, que em geral considera que, nesta época de confinamento, os animais podem dar-nos um grande apoio tanto a nível psicológico como emocional. “Passa-se melhor o tempo com a companhia dos nossos animais”.

A OMV dispõe ainda de um plano de contingencia que visa salvaguardar o atendimento por parte dos Centros de Atendimento Médico-Veterinários (CAMV) reforçando a segurança dos seus profissionais e utentes e reitera que, nesta altura, os donos, durante o período de confinamento, podem e devem desfrutar da companhia dos seus animais.

Fonte: Diário de Notícias / mantida a grafia lusitana original

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