Os executivos movidos a Tico e Teco

Por Marcio de Almeida Bueno 

No livro Eles Fizeram Tudo Errado!, o autor Adam Horowitz relata casos famosos de trapalhadas de grandes empresas. No capítulo 8, intitulado ‘Jurídico’, há uma pepita do especismo oriunda, quem diria, da Disneylândia. Abaixo, os principais trechos.

“A Disney adora animais fofinhos. Um coelho peludo se transformou no adorável Tambor. Um cervo se tornou o Bambi – mais doce, impossível. Esquilos se tornaram Tico e Teco, adoráveis e gostosos de apertar. Animais feios, como urubus, são espetados com lanças até a morte.

A Discovery Island, um zoológico no Walt Disney World, em Orlando, Flórida, começou a atrair o tipo errado de animal no final dos anos 1980, quando os urubus começaram a voar sobre o parque, de olho nos animais mais fofinhos que ali habitavam. A Disney começou a tentar capturar as aves carnívoras, enfiando cerca de 20 urubus em jaulas com capacidade para apenas três. Um funcionário do parque batia em vários deles com uma vara até morrerem. Os falcões eram mais difíceis de se capturar, mais igualmente obcecados por pequenos mamíferos, o que explica por que os grande pássaros eram alvo de tiros vindos da Discovery Island. As autoridades protetoras da vida selvagem na Flórida logo protestaram, multando a Disney por 16 violações de leis estaduais e federais.

No fim das contas, a Disney confessou sua culpa por má conduta e pagou um acordo de U$ 95 mil dólares, usados pela comissão de caça da Flórida para ajudar a educar o público do Estado sobre como tratar os animais. Mesmo os que rendem menos dinheiro”.

Talvez a maior lição que se possa tirar do episódio é de que a história está presente em um livro de negócios – e, como tal, os animais envolvidos eram peças de um mecanismo lucrativo. Um tipo deveria ser mantido fofo e atraente para as crianças olharem enquanto comiam pipoca, e o outro deveria ser espantado a qualquer custo, para não estragar a festa nem incomodar os turistas. Imagino as decisões tomadas em gabinetes de diretoria com ar-condicionado no máximo, sobre seres sencientes tratados como itens de contabilidade e administração. Basta um telefonema para um funcionário subalterno, e é o começo do inferno caso o animal não seja simpático o suficiente para constar como ‘atração’ na Disneylândia. 

Fonte: ANDA


{article 975}{text}{/article}

Olhar Animal – www.olharanimal.org


 

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.