Sacrifício de animais

1.170 O sacrifício de animais em rituais religiosos é prática mal vista pela sociedade ocidental de uma maneira geral, tanto devido à crueldade envolvida quanto devido à má impressão visual que causam, associação dessas práticas com feitiçaria etc. No entanto, muitas das pessoas que demonizam as religiões onde animais ainda são sacrificados ignoram que a crueldade envolvida no sacrifício de animais é similar à crueldade praticada quando o animal é abatido para consumo, seja por qual método seja.

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Foto ilustrativa / reprodução

Abate humanitário

O que nos querem dizer quando falam em abate humanitário? De acordo com certa definição, abate humanitário é o conjunto de procedimentos que garantem o bem-estar dos animais que serão abatidos, desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorífico.
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Somatofobia: violência contra humanos e não-humanos; as vozes dissidentes na filosofia feminista contemporânea (parte III)

Neste artigo que completa a trilogia publicada na Pensata Animal sobre a somatofobia, trato da forma de violência dirigida contra o corpo, compreendida como expressão da dicotomia conceitual superior-inferior, forte-fraco, público-privado, proprietário-escravo, humano-animal. Esta concepção dicotomizada da natureza dos seres vivos alimenta a moral tradicional, incentivando a brutalidade humana contra animais e humanos confinados ao âmbito de vínculos afetivos, econômicos e políticos destrutivos.

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Somatofobia: violência contra humanos e não-humanos; a modernidade e as vozes dissidentes contemporâneas* (parte II)

Neste artigo, “Somatofobia: violência contra animais humanos e não-humanos; a modernidade e as vozes dissidentes contemporâneas – Parte II”, trato da questão da somatofobia, a forma de violência dirigida contra o corpo de sujeitos vulneráveis, e das concepções críticas à dicotomia corpo-alma herdada da filosofia cartesiana. As teorias feministas (Elizabeth Spelmann, Carol Adams, Marjorie Spiegel), ao vincularem a violência contra os animais à violência contra humanos em condições vulneráveis, são vozes dissonantes na ética contemporânea. Seu projeto crítico busca reverter o especismo da ética tradicional e contribuir para a compreensão e superação da violência somatofóbica.

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Somatofobia: violência contra animais humanos e não-humanos; as vozes dissidentes na ética antiga* (parte I)

Trato, neste artigo, “Somatofobia: violência contra animais humanos e não-humanos; as vozes dissidentes na ética antiga”, do conceito moderno de somatofobia, a forma de violência dirigida contra o corpo de sujeitos vulneráveis, e das concepções mais antigas da filosofia moral animalista, que os filósofos contemporâneos não dão a conhecer aos jovens estudantes da história da filosofia. Encontramos, nos textos de Ovídio, Sêneca e Plutarco, nos primeiros séculos da nossa era, o eco das teorias feministas contemporâneas que vinculam a violência contra os animais à violência contra humanos em condições vulneráveis.

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Porque temos o dever de dar igual consideração aos animais não-humanos e as implicações práticas desse dever

Será moralmente defensável o especismo? O presente artigo defende que devemos ser imparciais, o que implica dar igual consideração aos interesses relevantemente similares (o que inclui interesses de animais não-humanos), não importando o portador do interesse. Isso implica, por sua vez, não apenas em abolir o uso dos animais como recursos (em oposição a meramente regulamentar para diminuir o sofrimento), mas, rejeitar o especismo e atender a um interesse de um animal não-humano toda vez que reconhecermos tal interesse como digno de ser atendido quando possuído por um humano.

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As máscaras da tolerância e da autoevidência

É cada vez mais comum a acusação de que, quem argumenta e analisa criticamente uma determinada posição (seja em questões de ética, seja em outros tipos de questões) está impondo o seu ponto de vista pessoal. É comumente afirmado: “Essas pessoas deveriam ser mais democráticas, mais tolerantes, e não, tirânicas”. O objetivo do presente texto é mostrar que tal atitude só pode vir de uma tremenda confusão entre defender uma conclusão com argumentos e impor uma preferência pessoal (e também de um entendimento totalmente errado do que é uma atitude democrática). Nesse texto, oferecerei argumentos para defender a seguinte tese: a de que, pelo contrário, são os discursos do tipo “tudo é muito relativo e uma crença não é mais verdadeira do que outra”; “precisamos de união e não de críticas” e “respeitar as pessoas implica em não afirmar que suas crenças estão erradas” que, por trás de uma máscara de tolerância, escondem uma verdadeira atitude tirânica e contrária ao ideal democrático.

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Sobre danos naturais

Introdução: Sofrimentos extremos que não são considerados como tendo importância moral

O debate sobre a igualdade na consideração dos interesses de animais não-humanos vem aumentando nas últimas décadas. Cada vez mais, ainda que num ritmo infelizmente demasiadamente lento, se reconhece que não há justificativa ética para a o especismo. Paralelamente a esse debate, a aplicação prática de tais idéias vem acontecendo nos movimentos sociais que clamam pelo fim da escravidão animal e, conseqüentemente, pelo fim do uso geral dos animais (na alimentação, em experiências, entretenimento ou vestimenta).

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Objeções frequentes: “mas, esses animais não existiriam se não os criássemos para a exploração!

Na coluna de hoje daremos seqüência às objeções comuns à extensão da idéia de igualdade aos animais não-humanos. Antes de continuarmos é importante fazer um parêntese sobre o que a idéia de igualdade implica. Como vimos nas duas colunas anteriores, pelo menos uma característica que normalmente reconhecemos como compondo e sendo fundamental para o erro em assassinar seres humanos (a saber, o impedimento do desfrute) se apresenta também no caso de animais não-humanos sencientes. Assim, reconhecer que animais não-humanos sencientes são iguais, no sentido eticamente relevante, implica em reconhecer seu interesse em continuar a viver quando há alguma possibilidade de desfrute. Contudo, rejeitar o especismo não implica somente em deixar de assassinar. Há outras implicações da aceitação da idéia de igualdade. Por exemplo, deixar de fazer sofrer.

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Objeções frequentes: “mas, e as plantas?”

 

A partir da coluna de hoje, passaremos a abordar algumas objeções freqüentes à extensão do princípio da igualdade aos animais não-humanos. Nós já abordamos quatro delas na coluna anterior (a saber, o argumento da espécie biológica, o argumento da posse da razão plena, o argumento da potencialidade e o argumento do grupo), quando discutimos o erro em assassinar. A partir da nossa análise, concluímos que todos esses argumentos se amparam em características que são moralmente irrelevantes para explicar o tratamento diferente em casos similares. Portanto, nenhum deles se sustenta.

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Especismo e a questão do valor da vida

Vimos, em colunas anteriores, que muitas características compõem uma decisão ética. Agora entraremos na análise de um caso prático, e eu gostaria de relembrar duas características importantes listadas. A primeira é a que chamarei aqui de coerência, entendida no sentido de tratar casos relevantemente similares de maneira semelhante. Se casos aparentemente similares serão tratados de maneira diferente, temos que apresentar uma diferença que justifique esse tratamento diferente. Como veremos, não é qualquer diferença que cabe aqui. Ela precisa ser relevante para a discussão em questão.

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É a ética relativa?

As colunas que irei escrever aqui visam discutir questões éticas envolvendo animais não humanos. Contudo, as primeiras não abordarão especificamente o tema dos animais. Antes de discutirmos temas específicos da ética precisamos saber algo sobre a ética em si, e de que bases se deve partir para discutir questões de ética. Do contrário, corremos o risco de falar de algo que não fazemos a menor ideia do que seja. Antes de tudo, então, é preciso questionar alguns dogmas que impedem a discussão ética. Outra vantagem de discutirmos esses pontos primeiro é que eles se aplicam a qualquer questão ética, não apenas as que envolvam animais não humanos.

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Uma crítica ao apelo à autoridade nas campanhas de defesa animal

Em muitas campanhas de defesa animal, principalmente àquelas relacionadas ao vegetarianismo/veganismo, é comum encontrarmos as seguintes estratégias: 1) Apontar que alguma personalidade famosa da atualidade é vegetariana/vegana; 2) Apontar que algum pensador importante historicamente foi vegetariano; 3) Apontar indícios que Jesus (ou algum outro líder religioso) talvez tenha sido vegetariano; 4) Apontar alguma passagem bíblica (ou de algum outro texto considerado sagrado) que contenha uma suposta prescrição à adoção do vegetarianismo; 5) Apontar que, por algum motivo, adotar o vegetarianismo está de acordo com a vontade divina; (6) Apontar indícios que sugerem que a prática do vegetarianismo é mais natural.
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Porque a motivação para a adoção do veganismo é importante

Muitas pessoas, dentre as quais me incluo, reconhecem que as conseqüências sobre os atingidos por nossas decisões (sejam ações, sejam omissões) desempenham um papel fundamental sobre o erro/acerto moral de nossas escolhas. Não significa que, uma vez que aceitamos esse ponto, temos de pensar que as conseqüências sejam a única coisa que importa em nossas deliberações morais.

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