Eutanásia

Derivada do grego euthanasia, temos a palavra portuguesa eutanásia, que significa a boa morte, a morte sem dor e sofrimento, concedida a um ser senciente, humano ou não humano, para que seja minimizada a agonia da passagem final.

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Morte animal

Em outros textos desta coluna defino animal como todo ser que ao nascer é cortado de sua fonte de suprimentos e para sobreviver precisa aprender a interagir no ambiente natural e social de modo a obter o alimento e os nutrientes necessários e específicos para seu organismo. O corte do suprimento torna o animal um ser vivo livre. O movimento e a expressão passam a ser, então, a forma pela qual o neonato obtém o que precisa. Ou ele se move e vai em busca do alimento, orientado pela imagem de seus progenitores, ou ele expressa o desconforto da fome e obtém de sua progenitora (no caso dos mamíferos) o leite que o sustentará em vida até poder coordenar a mastigação de matérias mais densas.

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Esse “outro” que sou: bonobo ou chimpanzé?

Isso impede que o cientista tenha acesso real às expressões que seriam próprias do animal caso vivesse numa área não delimitada e pudesse mover-se para prover-se sem as restrições que uma reserva impõe. Mas, nesse caso, a própria observação seria quase impossível, porque bonobos temem os humanos e não fazem contatos com eles, a menos que sejam para obter alimentos. Deixando de lado as considerações acima, importantes quando se discute o limite dos métodos ao qual a etologia conseguiu chegar ao observar animais fora das gaiolas e jaulas de laboratórios, circos e “santuários”,  o que vamos enfatizar é a questão da semelhança e da diferença entre as formas de interação de bonobos e de chimpanzés.

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“Vida” assassinada

Animais de outras espécies que não a humana nascem nas mesmas condições materiais humanas: para viver é preciso que tenham o cordão umbilical, que os liga à placenta da qual recebem os nutrientes durante a gestação, cortado. Sem o corte, essa ruptura que joga o bicho imediatamente na consciência da realidade, o mesmo que a consciência da falta de algo, não há possibilidade de se configurar um indivíduo, seja lá de que espécie animal for. Nesse sentido, ser trazido em gestação até o momento do nascimento é ser condenado à ruptura do canal pelo qual fluem os nutrientes do mundo exterior.

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Esquimós: especismo eletivo?

Ser ético em relação aos animais, ecossistemas e demais humanos, significa escolher meios de preservar a própria vida e realizar seu plano de modo razoável, sem que implique em tirar a vida, destruir o bem próprio ou aniquilar as condições do bem-estar específico de outros seres vivos.

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Moralidade legalista vs. ética – urubus na Bienal

Quando usamos o termo moral, remetemos à origem latina dele, mores, que quer dizer, simplesmente, costumes. Ao defendermos algo usando o argumento de que isso é moral, nada mais fazemos do que evocar um hábito arraigado na cultura da sociedade em questão. Nada mais do que isso. Não se faz qualquer referência a valores dignos de serem cultivados e preservados. Portanto, apelar para a moralidade de uma ação é o mesmo que dizer simplesmente que ela é válida porque toda gente ou quase toda, por longo tempo, a vem praticando.

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A ética e o urubu

Na forma tradicional de se pensar a ética, os animais não humanos não são considerados dignos de respeito, a menos que sirvam a algum propósito, interesse ou necessidade humana. Naquele modo de pensar, só são dignos de respeito os seres humanos, e a razão pela qual o são é o fato de serem dotados de razão. O cuidado ético destina-se somente àqueles que podem retribuir a ação boa com outra boa, ou ainda melhor. O fim para o qual a ética existe é apenas atender mais uma necessidade considerada genuinamente humana: dar e receber na mesma medida, a da justiça.

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Antropogenia … antropocentria

A ética busca congregar as ações humanas em torno a um princípio que não seja parcial, não fomente os interesses egoístas dos agentes morais e, acima de tudo, que possa ser compreendido e aceito como válido por qualquer indivíduo com as características de um sujeito moral agente: raciocínio inteligente, capacidade de ponderar sobre os interesses, necessidades e propósitos alheios, e disposição da vontade para agir de acordo com as conclusões a que chega. Na ética prática essas habilidades vêm sendo desenvolvidas com o propósito de não mais excluir outros seres vivos do âmbito do respeito desinteressado.

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Necrorexia

Criaram um termo, recentemente, para designar a preocupação obsessiva de certas pessoas com o conteúdo do seu prato: ortorexia. Esse termo faz par com anorexia, doença de ordem geralmente nervosa, que leva especialmente as mulheres a se recusarem a ingerir alimentos de qualquer natureza, por temor de ganharem peso, perderem a silhueta, ou de contraírem doenças.

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Tratados como “animais”?

Humanos são libertados de um campo de trabalho forçado, uma colheita de erva-mate no oeste catarinense, numa ação do ministério do trabalho. Os cortadores de erva-mate haviam sido alojados num chiqueiro, onde não havia instalação alguma que pudesse oferecer a eles conforto e bem-estar após um dia de trabalho. Eles não tinham carteira de trabalho, eram escravizados. Não tinham qualquer autonomia ou proteção para fazer com que as leis que regem os atos de prestação e contratação de serviços ou de trabalho fossem respeitadas.

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Tradição, barbárie e machismo

A demonstração de força física, para muitos homens, começa a ser, desde a mais tenra idade, uma necessidade. Com atos de brutalidade, contra os animais não humanos, revela-se a genuína masculinidade, assim pensam os que a exercem, e os que os estimulam a exercê-la. Quando, no entanto, o próprio corpo é fraco, mal-preparado, sedentário, pesado demais para mover-se com habilidade e remover do caminho qualquer obstáculo, a mente passa a inventar estratégias de demonstrar força física e manter o estatuto de quem quer estar no comando do corpo alheio e já não tem as habilidades necessárias para isso.

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Ética e interpretação

Palavras nada mais são do que palavras? E o que são elas, de fato? Há mais ou menos 400 anos, o filósofo inglês Thomas Hobbes descreveu a função da palavra: guardar imagens, arquivá-las, e mantê-las vivas para repassar a outras mentes humanas conteúdos objetivos de experiências nossas, conteúdos subjetivos de experiências mentais privativas de quem as vivencia. Por isso, quando se afirma que discutir conceitos é pura perda de tempo, erra-se. Não há humanidade sem palavras.

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Informar-se e aprender

É desnecessário enfatizar que vivemos um momento no qual praticamente todas as informações obtidas pelos mais diversos métodos são disponibilizadas na rede virtual. Isso quer dizer que basta nos interessarmos por algum assunto, clicar nos meios de busca on-line e lá está, na tela, o que outros já sabem, e nós ainda não sabíamos. Lemos e sentimos aquele prazer, ou desprazer, que acompanham inevitavelmente a atividade mental pela qual obtemos o que buscamos, não importa se o objeto é intelectual ou sensual.

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Comunidade moral

A ética tradicional, na qual fomos todos educados, considera dignos de atenção, respeito e consideração moral apenas os seres dotados de racionalidade. Por milênios pensou-se que o fato de ser capaz de raciocinar logicamente nos moldes do raciocínio lógico típico dos humanos bastasse para definir quem merecia respeito moral.

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Antropocentrismo, Senciocentrismo, Ecocentrismo, Biocentrismo

Uma questão que intriga muitas pessoas, ao pensarem em adotar uma perspectiva ética para direcionar o curso de sua existência e orientar as decisões que acabam tornando-se ações, que, por sua vez, acabam por interferir nos propósitos de outros seres vivos, é: “Cada pessoa tem sua ética. Como vou saber qual delas está mais perto do que devemos pensar?”. Já escrevi, em uma das primeiras colunas, sobre a diferença entre “cada pessoa tem sua ética” e “cada pessoa tem sua perspectiva moral”.

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