As máscaras da tolerância e da autoevidência

É cada vez mais comum a acusação de que, quem argumenta e analisa criticamente uma determinada posição (seja em questões de ética, seja em outros tipos de questões) está impondo o seu ponto de vista pessoal. É comumente afirmado: “Essas pessoas deveriam ser mais democráticas, mais tolerantes, e não, tirânicas”. O objetivo do presente texto é mostrar que tal atitude só pode vir de uma tremenda confusão entre defender uma conclusão com argumentos e impor uma preferência pessoal (e também de um entendimento totalmente errado do que é uma atitude democrática). Nesse texto, oferecerei argumentos para defender a seguinte tese: a de que, pelo contrário, são os discursos do tipo “tudo é muito relativo e uma crença não é mais verdadeira do que outra”; “precisamos de união e não de críticas” e “respeitar as pessoas implica em não afirmar que suas crenças estão erradas” que, por trás de uma máscara de tolerância, escondem uma verdadeira atitude tirânica e contrária ao ideal democrático.

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Sobre danos naturais

Introdução: Sofrimentos extremos que não são considerados como tendo importância moral

O debate sobre a igualdade na consideração dos interesses de animais não-humanos vem aumentando nas últimas décadas. Cada vez mais, ainda que num ritmo infelizmente demasiadamente lento, se reconhece que não há justificativa ética para a o especismo. Paralelamente a esse debate, a aplicação prática de tais idéias vem acontecendo nos movimentos sociais que clamam pelo fim da escravidão animal e, conseqüentemente, pelo fim do uso geral dos animais (na alimentação, em experiências, entretenimento ou vestimenta).

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Objeções frequentes: “mas, esses animais não existiriam se não os criássemos para a exploração!

Na coluna de hoje daremos seqüência às objeções comuns à extensão da idéia de igualdade aos animais não-humanos. Antes de continuarmos é importante fazer um parêntese sobre o que a idéia de igualdade implica. Como vimos nas duas colunas anteriores, pelo menos uma característica que normalmente reconhecemos como compondo e sendo fundamental para o erro em assassinar seres humanos (a saber, o impedimento do desfrute) se apresenta também no caso de animais não-humanos sencientes. Assim, reconhecer que animais não-humanos sencientes são iguais, no sentido eticamente relevante, implica em reconhecer seu interesse em continuar a viver quando há alguma possibilidade de desfrute. Contudo, rejeitar o especismo não implica somente em deixar de assassinar. Há outras implicações da aceitação da idéia de igualdade. Por exemplo, deixar de fazer sofrer.

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Objeções frequentes: “mas, e as plantas?”

 

A partir da coluna de hoje, passaremos a abordar algumas objeções freqüentes à extensão do princípio da igualdade aos animais não-humanos. Nós já abordamos quatro delas na coluna anterior (a saber, o argumento da espécie biológica, o argumento da posse da razão plena, o argumento da potencialidade e o argumento do grupo), quando discutimos o erro em assassinar. A partir da nossa análise, concluímos que todos esses argumentos se amparam em características que são moralmente irrelevantes para explicar o tratamento diferente em casos similares. Portanto, nenhum deles se sustenta.

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Especismo e a questão do valor da vida

Vimos, em colunas anteriores, que muitas características compõem uma decisão ética. Agora entraremos na análise de um caso prático, e eu gostaria de relembrar duas características importantes listadas. A primeira é a que chamarei aqui de coerência, entendida no sentido de tratar casos relevantemente similares de maneira semelhante. Se casos aparentemente similares serão tratados de maneira diferente, temos que apresentar uma diferença que justifique esse tratamento diferente. Como veremos, não é qualquer diferença que cabe aqui. Ela precisa ser relevante para a discussão em questão.

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É a ética relativa?

As colunas que irei escrever aqui visam discutir questões éticas envolvendo animais não humanos. Contudo, as primeiras não abordarão especificamente o tema dos animais. Antes de discutirmos temas específicos da ética precisamos saber algo sobre a ética em si, e de que bases se deve partir para discutir questões de ética. Do contrário, corremos o risco de falar de algo que não fazemos a menor ideia do que seja. Antes de tudo, então, é preciso questionar alguns dogmas que impedem a discussão ética. Outra vantagem de discutirmos esses pontos primeiro é que eles se aplicam a qualquer questão ética, não apenas as que envolvam animais não humanos.

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Uma crítica ao apelo à autoridade nas campanhas de defesa animal

Em muitas campanhas de defesa animal, principalmente àquelas relacionadas ao vegetarianismo/veganismo, é comum encontrarmos as seguintes estratégias: 1) Apontar que alguma personalidade famosa da atualidade é vegetariana/vegana; 2) Apontar que algum pensador importante historicamente foi vegetariano; 3) Apontar indícios que Jesus (ou algum outro líder religioso) talvez tenha sido vegetariano; 4) Apontar alguma passagem bíblica (ou de algum outro texto considerado sagrado) que contenha uma suposta prescrição à adoção do vegetarianismo; 5) Apontar que, por algum motivo, adotar o vegetarianismo está de acordo com a vontade divina; (6) Apontar indícios que sugerem que a prática do vegetarianismo é mais natural.
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Porque a motivação para a adoção do veganismo é importante

Muitas pessoas, dentre as quais me incluo, reconhecem que as conseqüências sobre os atingidos por nossas decisões (sejam ações, sejam omissões) desempenham um papel fundamental sobre o erro/acerto moral de nossas escolhas. Não significa que, uma vez que aceitamos esse ponto, temos de pensar que as conseqüências sejam a única coisa que importa em nossas deliberações morais.

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Uma crítica ao apelo à teoria do egoísmo psicológico

Muitas pessoas acreditam na teoria chamada de egoísmo psicológico. O egoísmo psicológico não é uma teoria normativa, ou seja, ela não prescreve o que devemos ou não fazer; ao invés, ela visa descrever a motivação por trás de todas as ações humanas. O egoísmo psicológico consiste em afirmar que toda decisão, por mais altruísta, imparcial e desinteressada que pareça ser, visa, no fundo, apenas o auto-interesse de quem age. Sejam as decisões de Hitler, sejam as de Martin Luther King, a teoria do egoísmo psicológico afirma que a motivação por trás delas é igualmente egoísta.

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Entrevista de Luciano Carlos Cunha ao blog Camisa de Flanela

1 – Acredito que a maioria das pessoas que são veganas desconhecem o quão está atrelada a relação entre ética, enquanto área da filosofia, e o direito dos animais. Qual sua opinião a respeito disto?

Penso que existem pelo menos dois motivos pelos quais isso acontece. Algumas pessoas pensam que as nossas decisões cujas consequências terão um impacto sobre os animais não-humanos não são questões éticas porque tais pessoas são especistas.

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Coisas que possuem mente

Você já se perguntou o que faz com que alguém seja vendido?

É claro. Todos nós vivemos num mundo onde estamos rodeados o tempo todo por coisas que são vendidas. As coisas vendidas são chamadas mercadorias. Nascemos e vivemos tão acostumados com isso que talvez nunca tenhamos parado para pensar para que serve o conceito de mercadoria.

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Uma posição abolicionista implica, logicamente, numa extinção por esterilização dos animais domesticados?

O objetivo desse artigo é contribuir com o debate sobre “o que aconteceria com os animais domesticados num mundo onde a exploração animal tivesse sido abolida?”1. Minha meta é apresentar, de uma forma resumida, uma análise crítica dos argumentos mais comumente oferecidos para sustentar que, uma vez abolida a exploração dos animais, deveríamos também extinguir, por esterilização dos membros existentes (não, obviamente, por assassinato), as espécies animais domesticadas.

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