A questão da utilização científica de animais e a formação dos comitês de ética

A experimentação animal tem sido debatida em todo mundo. Biólogos, médicos e outros cientistas têm se levantado para se pronunciar a seu favor ou contra ela. Seus prós e contras tem sido apresentados, às vezes por uma abordagem científica, às vezes por uma abordagem ética. Auto-denominados “comitês de ética” tem sido criados com o objetivo de prontamente resolver a questão, conciliando todas as partes e tornando a experimentação aceitável pelo ponto de vista ético. Mas de que forma o cidadão comum, alheio às atividades acadêmicas, pode tomar parte nessa discussão? Tem ele o direito de opinar, não tendo suficientes conhecimentos de biologia, fisiologia, bioquímica e disciplinas afins?

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Foto ilustrativa

O modelo animal

Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia. 

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Direitos animais e o caminho a seguir

Vem ganhando popularidade em nosso meio as alusões e referências a um tal “abolicionismo animal”. Mais e mais pessoas vem se auto-denominando abolicionistas, escrevendo mensagens de e-mail destinadas aos “Prezados Abolicionistas” (independente de quem sejam os destinatários) e se despedindo em suas mensagens com “abraços abolicionistas”. Abolicionismo parece ser a nova palavra da moda, seja lá o que ela queira dizer para a maioria das pessoas.

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Necessidade de experimentação animal?

A experimentação animal é necessária para o bem-estar e a saúde humana? A resposta para essa pergunta é não. Para explicar de uma maneira bem simples, se assim o fosse, não seria necessária a existência de medicamentos de uso veterinário e medicamentos de uso humano, e poderíamos escolher entre nos operarmos em um médico ou um veterinário. Com efeito, não haveriam diferenças entre ambas as profissões. 

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Educação humanitária

Recentemente tive a oportunidade de assistir a uma interessante palestra do professor Vinicius Signorelli, da Sangari do Brasil, onde importantes questões educacionais foram abordadas. Em sua exposição, o professor tratou de algumas problemáticas do ensino que tive a oportunidade de experimentar na qualidade de estudante e, mais tarde, na qualidade de educador.

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Uma questão de “tudo ou nada”?

É certo que os direitos dos animais não serão conquistados da noite para o dia. Da noite para o dia as pessoas não se conscientizarão de que os animais possuem direitos inalienáveis, e ainda que o façam, provavelmente não adotarão o veganismo de uma vez. Certamente as pessoas não passarão, tão rápido quanto desejamos, a considerar a prática de um crime contra um animal na mesma categoria que consideramos os crimes contra seres humanos. Neste ponto concordam tanto as pessoas que defendem os direitos dos animais, quanto aquelas que acham que podemos continuar explorando-os, desde velando por seu “bem-estar”. 

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Sacrifício de animais

1.748 O sacrifício de animais em rituais religiosos é prática mal vista pela sociedade ocidental de uma maneira geral, tanto devido à crueldade envolvida quanto devido à má impressão visual que causam, associação dessas práticas com feitiçaria etc. No entanto, muitas das pessoas que demonizam as religiões onde animais ainda são sacrificados ignoram que a crueldade envolvida no sacrifício de animais é similar à crueldade praticada quando o animal é abatido para consumo, seja por qual método seja.

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Foto ilustrativa / reprodução

Abate humanitário

O que nos querem dizer quando falam em abate humanitário? De acordo com certa definição, abate humanitário é o conjunto de procedimentos que garantem o bem-estar dos animais que serão abatidos, desde o embarque na propriedade rural até a operação de sangria no matadouro-frigorífico.
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Somatofobia: violência contra humanos e não-humanos; as vozes dissidentes na filosofia feminista contemporânea (parte III)

Neste artigo que completa a trilogia publicada na Pensata Animal sobre a somatofobia, trato da forma de violência dirigida contra o corpo, compreendida como expressão da dicotomia conceitual superior-inferior, forte-fraco, público-privado, proprietário-escravo, humano-animal. Esta concepção dicotomizada da natureza dos seres vivos alimenta a moral tradicional, incentivando a brutalidade humana contra animais e humanos confinados ao âmbito de vínculos afetivos, econômicos e políticos destrutivos.

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Somatofobia: violência contra humanos e não-humanos; a modernidade e as vozes dissidentes contemporâneas* (parte II)

Neste artigo, “Somatofobia: violência contra animais humanos e não-humanos; a modernidade e as vozes dissidentes contemporâneas – Parte II”, trato da questão da somatofobia, a forma de violência dirigida contra o corpo de sujeitos vulneráveis, e das concepções críticas à dicotomia corpo-alma herdada da filosofia cartesiana. As teorias feministas (Elizabeth Spelmann, Carol Adams, Marjorie Spiegel), ao vincularem a violência contra os animais à violência contra humanos em condições vulneráveis, são vozes dissonantes na ética contemporânea. Seu projeto crítico busca reverter o especismo da ética tradicional e contribuir para a compreensão e superação da violência somatofóbica.

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Somatofobia: violência contra animais humanos e não-humanos; as vozes dissidentes na ética antiga* (parte I)

Trato, neste artigo, “Somatofobia: violência contra animais humanos e não-humanos; as vozes dissidentes na ética antiga”, do conceito moderno de somatofobia, a forma de violência dirigida contra o corpo de sujeitos vulneráveis, e das concepções mais antigas da filosofia moral animalista, que os filósofos contemporâneos não dão a conhecer aos jovens estudantes da história da filosofia. Encontramos, nos textos de Ovídio, Sêneca e Plutarco, nos primeiros séculos da nossa era, o eco das teorias feministas contemporâneas que vinculam a violência contra os animais à violência contra humanos em condições vulneráveis.

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As máscaras da tolerância e da autoevidência

É cada vez mais comum a acusação de que, quem argumenta e analisa criticamente uma determinada posição (seja em questões de ética, seja em outros tipos de questões) está impondo o seu ponto de vista pessoal. É comumente afirmado: “Essas pessoas deveriam ser mais democráticas, mais tolerantes, e não, tirânicas”. O objetivo do presente texto é mostrar que tal atitude só pode vir de uma tremenda confusão entre defender uma conclusão com argumentos e impor uma preferência pessoal (e também de um entendimento totalmente errado do que é uma atitude democrática). Nesse texto, oferecerei argumentos para defender a seguinte tese: a de que, pelo contrário, são os discursos do tipo “tudo é muito relativo e uma crença não é mais verdadeira do que outra”; “precisamos de união e não de críticas” e “respeitar as pessoas implica em não afirmar que suas crenças estão erradas” que, por trás de uma máscara de tolerância, escondem uma verdadeira atitude tirânica e contrária ao ideal democrático.

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Sobre danos naturais

Introdução: Sofrimentos extremos que não são considerados como tendo importância moral

O debate sobre a igualdade na consideração dos interesses de animais não-humanos vem aumentando nas últimas décadas. Cada vez mais, ainda que num ritmo infelizmente demasiadamente lento, se reconhece que não há justificativa ética para a o especismo. Paralelamente a esse debate, a aplicação prática de tais idéias vem acontecendo nos movimentos sociais que clamam pelo fim da escravidão animal e, conseqüentemente, pelo fim do uso geral dos animais (na alimentação, em experiências, entretenimento ou vestimenta).

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