Pais lutam para impedir que cão seja sacrificado após morder bebê adormecido

Pais lutam para impedir que cão seja sacrificado após morder bebê adormecido
Watson — Foto: Arquivo pessoal

Um pai e uma mãe de Denver, Estados Unidos, lançaram uma campanha nas redes sociais para impedir que seu cachorro Watson, um setter inglês, seja sacrificado por ter mordido o bebê de 2 anos do casal enquanto a criança dormia. Nicole e Lars Ellingson entregaram seu cachorro de 10 anos, Watson, ao abrigo de animais de Denver após o incidente neste mês, mas disseram que a instituição não explicou adequadamente que o animal sofreria eutanásia.

Após entregarem o animal, o casal encontrou um abrigo especializado no resgate de cães da raça setter inglês, mas foram informados pelo abrigo de Denver que a eutanásia de Watson já estava marcada e não seria possível realocá-lo. Em entrevista à Fox 31, o casal disse que quando entregaram o cão, o abrigo afirmou que havia “uma chance de eutanásia”, mas que eles tentariam encontrar um lar adequado por 10 dias. “Agora estamos lidando com o fato de que esta decisão que tomamos sob o que parecem falsos pretextos foi uma sentença de morte”, disse Nicole.

Na sexta-feira (21), um grupo de manifestantes se reuniu do lado de fora do abrigo segurando cartazes e cantando: “Liberte Watson… salve sua vida… faça o que é certo.” Já um porta-voz da cidade disse que a família assinou um documento de ‘Desistência do proprietário: pedido de fim de vida’, no qual completamente renuncia à custódia do animal e pede para ele seja sacrificado humanamente.

Nicole e Lars Ellingson — Foto: Arquivo pessoal
Nicole e Lars Ellingson — Foto: Arquivo pessoal

O abrigo de Denver disse ainda que está analisando o caso, mas que, por enquanto, ainda pretende sacrificar o animal, pois “ele mordeu a criança duas vezes” e não seria adequado liberá-lo para uma nova família “por razões de segurança”. “Watson foi entregue ao Abrigo Animal de Denver na semana passada depois de morder severamente uma criança no rosto”, disse o abrigo em um comunicado. “Quando ele foi entregue, deixamos claro para os proprietários que essa era uma decisão permanente. O abrigo de Denver é responsável por proteger a segurança de pessoas e animais em nossa comunidade. Por causa da gravidade dessa mordida e do histórico que o dono nos revelou ao entregar o animal – ele já havia mordido a mesma criança no rosto antes – estamos revisando de perto o caso e verificando se é seguro liberá-lo de volta à comunidade. Levamos esta decisão muito a sério e agiremos no melhor interesse de nossa comunidade.”

Nicole e o filho — Foto: Reprodução Facebook
Nicole e o filho — Foto: Reprodução Facebook

O casal afirmou que a situação em que Watson se encontra é um “grande mal-entendido”. “Eu adoraria ter esperança”, disse Lars à Fox 31. “Mas acho que eles estão decididos. Esperamos que possam reconsiderar. Há um bom lar para Watson em algum lugar, e é um lar sem crianças. Não há razão para que ele não possa desfrutar disso”.

Como diminuir o risco de ataques

“É muito comum ouvir que um cão que normalmente era dócil, atacou de repente. Mas, na verdade, nenhum animal, de nenhuma espécie, ‘ataca de repente’. Antes, eles vão dando alguns sinais, o problema é que as pessoas não identificam ou não sabem identificar esse sinais”, explica a comportamentalista canina Renata Gomes de Lima, proprietária do Bangalô Dog Hostel (SP), em entrevista à CRESCER.

“O que existe, hoje, é uma falta de conhecimento sobre como os animais funcionam. As pessoas recebem muitas informações sobre os pets, como sendo um ‘brinquedo fofinho’, mas, na verdade, os cães são animais predadores na natureza. Eles atacam por diversos motivos e não apenas porque querem agredir ou destruir. Normalmente, isso acontece quando eles têm suas necessidades negligenciadas. Cães não são crianças, eles não são seres humanos, são de outra espécie e, portanto, têm outra maneira de viver”, alerta.

Segundo a especialista, a noção de espaço dos animais é completamente diferente de um humano. “Eles têm muito forte essa questão de invasão de espaço. Um animal que tem seu espaço invadido acaba tendo uma reação. Não existe emoção ou ciúmes, o que existe é ação e reação”, explica. Renata diz que é errado rotular uma raça como sendo mais agressiva. “Existem raças diferentes, mas também indivíduos diferentes, assim como irmãos que foram criados da mesma forma e têm personalidades distintas. Por isso, é importante conhecer seu animal e saber identificar seus sinais. O que acontece muito também é que um pit bull ou um buldogue, por exemplo, que possuem a mordida mais forte, acabam entrando para a estatística de cães que mais mordem porque geralmente causam ferimentos mais graves. Por outro lado, raças menores também podem morder bastante, só que não levam as pessoas para o hospital”, disse.

Abaixo, reunimos algumas dicas da especialista que podem ajudar a ter uma boa relação com o animal e evitar acidentes.

Pesquise sobre as raças

Se você fosse adotar um tigre ou uma cobra, antes, certamente irá pesquisar todas as informações que envolvem esses animais para se precaver em relação a eles no ambiente familiar, não é? Infelizmente, com os cães, as pessoas não costumam fazer isso. Por exemplo, algumas raças específicas, como as japonesas, que é o caso do Chow Chow, costumam ser de difícil interpretação até para quem trabalha com cães, por causa de sua expressão. É difícil diferenciar quando estão desconfortáveis, por exemplo. Eles são mais primitivos e exigem mais espaço, isso significa que não são cães para ficar abraçando, apesar de parecerem ursinhos. Outras raças precisam gastar mais energia e necessitam de mais espaço, podendo ficar entediadas e frustradas dentro de casa. Portanto, é fundamental conhecer e buscar uma raça que mais se encaixe à sua rotina familiar.

Atenda às necessidades do animal

As necessidades dos cães são simples: eles precisam caminhar — isso faz com que tenham equilíbrio mental e físico — alimentar-se e descansar. Se você propuser essa rotina estruturada diariamente, ele será um animal mais equilibrado.

Conheça seu cão

Os cães sempre dão sinais de que algo está errado. De uma forma genérica, quando ele se curva para trás, está acuado — e cães atacam muito mais por medo do que por agressividade. Portanto, um cão que tem medo é mais perigoso, mas isso são sinais genéricos. Para fazer uma boa leitura de um animal é preciso conhecê-lo, observá-lo e conviver com ele. Quando você coloca um cão dentro de casa, precisa estar disposto a construir um relacionamento interespécies. É fundamental entender quais são as necessidades dele, o que é preciso para supri-las e o que esse animal precisa aprender e entender sobre a rotina da família para fazer parte do contexto humano. Quando você negligencia isso, acaba criando desinformação.

Construa um relacionamento

Quando se tem um animal e uma criança em casa é importante gerenciar a estrutura. Para que um cão tenha respeito pela criança é fundamental separar os espaços. Toda vez que inserir uma pessoa nova no espaço dos cães — até mesmo um cão novo —, precisa fazer uma apresentação para que entendam que aquele ser não é uma ameaça, e que você, enquanto líder desse grupo, é a referência. E essa apresentação deve ser feita dando espaço. Nunca apresente uma pessoa ou outro animal para um cão colocando o rosto com rosto, focinho com focinho. Faça sempre de lado e com muito espaço. Pois essa interação de frente, cara a cara, é uma posição muito afrontosa para eles e pode dar muito errado, como quando um cão morde o rosto de uma criança e acontece uma tragédia. Pode dar certo uma vez ou outra, mas acredite, pode dar muito errado!

Nunca deixe um animal perto de um bebê

Não é seguro deixar nenhum cão perto de um bebê sem supervisão e, mesmo com supervisão, nunca deixe o acesso livre. Claro que existem muitos cães que amam crianças, mas não é recomendada a aproximação de livre acesso, pois, antes, o cão precisa aprender a respeitar o espaço do bebê. Quando falamos em espaço, estar próximo já é uma invasão de espaço para o animal. Ele precisa, primeiro, simplesmente existir na presença do bebê. Ele pode estar no mesmo ambiente, mas sem interação.

Conforme a criança for crescendo, ela também vai precisar aprender a respeitar o espaço desse cachorro e entender que existe um limite. Para as coisas darem certo, é preciso, antes, coexistir. Se haverá interação, depende do cachorro. Se o cão é mais reservado, não deve existir uma interação de correr, puxar, apertar e morder. A criança pode, por outro lado, aprender a conduzir o cão com a guia ou dar a comida. Com isso, o cão vai entender o respeito que ele deve ter por aquela pessoa, independentemente da idade dela. E isso tudo é construído.

Por fim, a especialista faz uma provocação: “Antes de pegar um cão, abraçar, beijar e agarrar, pergunte a si mesmo se você está fazendo isso para ele ou para você. A resposta, muitas vezes, será: ‘Pra mim mesmo’. Então, cabe aos adultos entenderem e organizarem melhor essas questões com as crianças. Cachorro não é brinquedo!”, finalizou.

Fonte: Crescer Online


Nota do Olhar Animal: A EUTANÁSIA é um ato de caráter misericordioso e que deve atender aos interesses de quem o sofre, e não aos interesses de quem o pratica. Só pode ser chamado de “eutanásia” o ato de abreviar a vida de um animal com doença incurável e em estado irreversível de sofrimento. Os órgãos públicos de saúde disseminaram o entendimento errado do termo “eutanásia” a fim de tentar minimizar a IMORALIDADE de suas ações de extermínio. Infelizmente, até mesmo protetores usam erradamente esta terminologia.

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