Países africanos são alvos de protestos por venda do couro e da carne de jumentos

Países africanos são alvos de protestos por venda do couro e da carne de jumentos
No continente africano, os jumentos são usados ​​como animais de trabalho (Fonte: Reprodução/AFP)

O condado de Baringo, no vale do Rift no Quênia, é um lugar pobre, com escassez de água e uma vegetação de gramíneas e arbustos cobertos de poeira. Mas um novo empreendimento tem incentivado a economia local. Em Mogotio, centenas de jumentos pastam próximo às lojas que se espalham pelas ruas da cidade. Logo, eles serão vendidos para o matadouro. Ao lado de um caminhão, uma mulher com um vestido de uma cor berrante disse que havia trazido 100 jumentos de Moyale, uma cidade a dois dias de distância de carro, ao norte do país. Ela espera ganhar milhares de dólares com a venda.

No continente africano, os jumentos são usados ​​como animais de trabalho. A maioria dos quenianos torce o nariz ao pensar em comê-los. Mas para os empresários chineses o destino desses animais é bem diferente. Na China, o couro dos jumentos é usado para fazer ejiao, uma gelatina usada como um medicamento da medicina chinesa tradicional. A carne dos animais é muito apreciada na culinária chinesa. O matadouro em Mogotio foi inaugurado há quase dois anos e, desde então, abate centenas de jumentos por dia para atender a demanda chinesa.

O matadouro tem cerca de 400 funcionários. Isaac Kibengo veio de Kitale, um cidade a 200 km de distância, para trabalhar no empacotamento dos couros. Ele tem seguro de saúde, auxílio-moradia e recebe 20 mil xelins (US$200) por mês, um bom salário no Quênia. “Eles pagam pontualmente”, disse Isaac.

Mas a exportação de couro e carne de jumentos tem causado protestos. A ONG britânica Donkey Sanctuary preocupa-se com a diminuição dos rebanhos de jumentos em alguns países africanos, com os maus-tratos sofridos pelos animais, além do aumento de roubos. A Society for the Protection of Animals Abroad, outra ONG britânica, em uma visão parcial do problema econômico da África, afirmou que, “Na agricultura de subsistência de um país como a Etiópia a oferta de pagamento do equivalente a £150 (US$208) pela venda de animais é irrecusável. Porém, as consequências de longo prazo da venda do meio de geração de renda dos agricultores são extremamente preocupantes”. Pressionados pelos protestos, vários países africanos proibiram a exportação do couro e da carne de jumentos.

Porém, em vez de proibir, os governos deveriam ajudar os agricultores a aumentar seus rebanhos para lucrarem com as exportações. Proibir um comércio que beneficia uma população pobre, sem perspectivas nem de curto ou médio prazo de prosperidade econômica, revela falta de sensibilidade e senso de oportunidade em relação a um novo mercado que gera renda e trabalho.

Fonte: Opinião & Notícia


Nota do Olhar Animal: Qual a diferença moral entre assassinar jumentos para lhes roubar a carne e pele e fazer o mesmo com bois e vacas? Nenhuma. A ideia de que animais devem servir para propósitos humanos e que cada espécie tem uma utilidade específica é responsável pelo holocausto imposto aos bichos. Quem financia a matança comprando e usando couro é tão responsável por ela quanto quem a executa.

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