Patrulha Ambiental já apreendeu 39 aves em cativeiro desde janeiro em Estrela, RS

Patrulha Ambiental já apreendeu 39 aves em cativeiro desde janeiro em Estrela, RS
Patram realiza fiscalizações diariamente para coibir crimes ambientais - Patram/divulgação

A Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar de Estrela realiza, diariamente, trabalho de fiscalização e repressão aos crimes ambientais que ocorrem no Vale do Taquari. Somente neste ano, 39 pássaros já foram apreendidos em municípios como Teutônia, Estrela e Lajeado. Em todo 2019, foram recolhidas 121 aves e, em 2018, 150.

A Patram tem abrangência em 39 municípios da região e costuma receber denúncias, principalmente de crimes ambientais de poluição, desmatamento e contra fauna e flora. Em Lajeado, na manhã de ontem, os policiais realizaram a apreensão de 18 aves, sendo nove no Bairro Montanha e nove no Bairro São Cristóvão. Entre os pássaros haviam azulões, trinca-ferro, pintassilgos e cardeais. Também foram recolhidas gaiolas e alçapões.

Segundo o comandante da Patram de Estrela, sargento Adilson Brum, o comércio de aves é bastante significativo no Vale e percebe-se que os animais são colocados para a venda porque os criminosos apresentam um “modus operandi” em comum na maioria das ocorrências. “A maneira como se apresentam as gaiolas, muito bem acabadas para acondicionamento dos pássaros”, diz o sargento.

Os suspeitos encontrados com os animais são enquadrados no artigo 29 da Lei Federal 9.605 de 1998, que diz que “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida” pode gerar pena de detenção de seis meses a um ano, e multa.

O comandante da Patram explica que, nas apreensões, é confeccionado o Termo Circustanciado, que é o boletim de ocorrência no qual a pessoa assina compromisso de comparecer ao Fórum em data notificada. “Após, é encaminhado um relatório de ocorrência ambiental para o Fórum junto com o boletim, que o autoriza a responder o crime. E também uma cópia para a Promotoria de Justiça para a reparação civil dos danos ambientais, se assim a promotoria entender”, detalha o sargento Brum.

Os pássaros apreendidos são devolvidos ao seu habitat natural depois da análise de um biólogo, ou são encaminhados para o Ibama de Porto Alegre devido ao grande tempo que permaneceram presos.

Tráfico de aves

O biólogo da Secretaria de Meio Ambiente e Saneamento Básico da Prefeitura de Estrela, Emerson Luís Musskopf, destaca que as aves mais frequentemente apreendidas no Vale do Taquari têm sido trinca-ferro (Saltator similis), azulão (Cyanoloxia brissonii), canário-da-terra (Sicalis flaveola), cardeal (Paroaria coronata), frade (Stephanophorus diadematus), coleirinha (Sporophila caerulescens) e sabiá-laranjeira (Turdus rufiventris). Nos últimos anos, a lista engloba mais de 40 espécies silvestres diferentes.

A maioria dos pássaros são nativos da região, mas alguns vêm de outros estados brasileiros, sendo capturados ilegalmente principalmente no Pantanal e na Amazônia. “Podemos encontrar aves de floresta, de borda de mato, aves de banhado, de campo, aves aquáticas. Quanto mais rara for a ave, ou quanto maior for sua capacidade canora (capacidade de cantar), mais intensamente os criadores ilegais procuram essa espécie”, completa Musskopf.

O biólogo também explica que, no Brasil e no exterior, o tráfico de animais silvestres é considerado a terceira maior atividade ilegal do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. “Do ponto de vista ambiental, a captura e tráfico de animais silvestres gera um grande prejuízo à biodiversidade, além dos maus-tratos impostos aos bichos pelos traficantes. Em geral os animais são armazenados em gaiolas compartilhadas, sem espaço para locomoção e, muitas vezes, acabam ficando desnutridos, tanto que na maioria dos casos a mortalidade durante o transporte fica em torno dos 75%.”

A captura ilegal de animais silvestres, de acordo com o profissional, gera impacto sobre a população local, diminuindo sua densidade e viabilidade reprodutiva. “Ao tirar um espécime da vida livre, abre-se uma lacuna, quebra-se um elo das teias de relações ecológicas onde estes animais estão inseridos e em geral não haverá outra disponível para desempenhar aquele papel, gerando o que chamamos de desequilíbrio ecológico”, salienta.

Musskopf reitera que é preciso denunciar tais ilegalidades.” Infelizmente em nossa região muitas pessoas consideram normal ter um animal silvestre em casa. Quem captura, compra ou recepta aves silvestres ilegais, ou mesmo deixa de denunciar quem o faz, contribui para a degeneração dos ambientes naturais, bem como está criando mecanismos para a ampliação do tráfico de animais, hoje já associado ao crescimento da criminalidade”, complementa o biólogo.

Denúncias

As informações a respeito de crimes ambientais devem ser encaminhadas para o e-mail [email protected]m.rs.gov.br ou informadas pelo número (51) 3720-1318.

Por Caroline Garske

Fonte: Informativo

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