Pesquisa dos EUA sobre algas marinhas para biocombustíveis ameaça baleias

Pesquisa dos EUA sobre algas marinhas para biocombustíveis ameaça baleias
Baleias francas do Atlântico Norte ameaçadas de extinção alimentam-se e subsuperficialmente nas águas de Cape Cod, nos Estados Unidos 27/03/2023 REUTERS/Lauren Owens Lambert reuters_tickers

Em Cape Cod Bay, a baleia Pilgrim, de 10 anos, e seu filhote deslizam pela superfície vítrea da água ao lado do navio de pesquisa Shearwater para se alimentar de pequenos crustáceos.

As duas estão entre as últimas cerca de 340 baleias francas sobreviventes do Atlântico Norte que migraram ao longo da costa leste dos EUA –abaixo das 480 verificadas em 2010.

As maiores ameaças enfrentadas por elas incluem ser atingidas por navios ou ficarem presas em cordas usadas para pescar lagostas na costa leste dos EUA –cientistas registraram 98 ferimentos do tipo ou mortes de baleias desde 2017.

Agora, as baleias enfrentam outra ameaça, conforme o Departamento de Energia (DOE, em inglês) dos EUA tenta aumentar a produção de energia limpa intensificando a pesquisa de algas marinhas como potenciais fontes de biocombustível, dizem cientistas.

O DOE canalizou dezenas de milhões de dólares para a pesquisa. Se comprovadamente viável, a alga marinha oferece uma alternativa mais ecológica ao etanol à base de milho, dizem seus defensores.

Mas biólogos especializados em baleias estão preocupados. Tal como acontece com a pesca tradicional da lagosta, fazendas de algas envolvem campos de cordas amarradas debaixo d’água para que as algas cresçam.

Embora ainda não haja um caso documentado de uma baleia emaranhada em cordas de algas marinhas, o biólogo marinho da Woods Hole Oceanographic Institution, Michael Moore, está preocupado: “Onde quer que haja corda na coluna d’água, há risco de emaranhamento”, diz ele.

Por Gloria Dickie

Fonte: SWI

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.