Pessoas pagam para matar leões criados para o “esporte”

Pessoas pagam para matar leões criados para o “esporte”
Foto: Gemma Carter/Flickr

Em 2012, o site de notícias TMZ clandestinamente obteve e publicou fotos de Eric e Donald Trump posando orgulhosamente junto aos animais que eles tinham assassinado em grandes caçadas na África, incluindo uma de um leopardo, um elefante, um crocodilo (que eles penduraram numa árvore), bem como uma civeta-africana, um antílope e um gamo.  

A caça por troféus na África é apoiada e patrocinada por caçadores milionários de todo o mundo, uma grande parte deles dos EUA, que pagam mais de U$70.000,00 por uma única matança. Porém, por mais criminoso que possa parecer que os últimos grandes mamíferos sejam abatidos e assassinados por esporte, a prática ainda é legal na maior parte da África.

Ignorando todos os argumentos pró e contra estas práticas, os animais que são caçados em safaris não são os que vivem em piores condições.  Estes animais vivem no meio ambiente selvagem antes de terem suas vidas cortadas desrespeitosamente, mas, através de uma prática chamada caçada enlatada, outros animais têm até mesmo esta liberdade negada. Vários tipos de animais são frequentemente criados em cativeiro, em fazendas ou jaulas, para o único propósito de serem caçados em um espaço restrito, garantindo assim que seu caçador o mate.

Caçada enlatada de leões: o jogo menos perigoso

Em 2015, os leões foram oficialmente colocados na lista de espécies ameaçadas de extinção, com sua população declinando aproximadamente 80% no último século, de 280.000 para apenas 20.000. Mas a caçada de leões ainda é legal, e aqueles que os caçam são rápidos em argumentar que uma percentagem dos lucros obtidos com a prática é alocada aos esforços de conservação, sustentando que eles se importam profundamente com os animais. Nem mesmo esta débil e falaciosa declaração pode ser aplicada à caçada enlatada de leões, que é um grande negócio na África do Sul.

O país tem 200 fazendas de criação citadas, com 6.000-7.000 leões em cativeiro. Para colocar estes números em perspectiva, há apenas 3.000 leões selvagens na África do Sul, e mais ou menos metade deles são manejados com o objetivo de preservar a diversidade genética.

Estes leões são manipulados desde o nascimento, frequentemente afastados de suas mães muito cedo para induzir um estado receptivo na fêmea mais rápido do que aconteceria na natureza.  Os filhotes, por seu turno, se acostumam aos humanos, perdem o medo,  o que se provará fatal mais tarde em suas vidas. Quando ainda jovens, estes animais servem como atração para turistas sem bom senso, que podem pagar uma pequena taxa para brincar e acariciar os filhotes, desconhecendo o que acontecerá com eles mais tarde.  Uma vez atingida a maturidade, caçadores pagam uma quantia exorbitante para caçá-los em espaços confinados, nos quais os leões não têm nenhuma chance de escapar.

Oposição Global

Antes de 2015, poucas pessoas sabiam alguma coisa sobre caçada enlata de leões, nem mesmo que elas existiam. Mas quando Pippa Hankinson visitou uma fazenda de criação de leões e viu os animais em jaulas sendo criados de tal forma que ficavam doentes, ela ficou determinada a trazer o assunto para o nível global. Pippa foi a força motivadora do documentário Blood Lions, que mostra detalhadamente a indústria nos seus bastidores.  Desde então, diversos países têm-se declarado contra a prática. Austrália e França agiram rapidamente para banir a importação de todos os troféus de leões, e mesmo a Associação dos Caçadores Profissionais da África do Sul (Professional Hunters Association of South Africa) se opôs à caça enlatada.  Somente no mês passado, os Estados Unidos baniram oficialmente a importação de troféus que venham de leões de cativeiro, o que deverá diminuir significativamente sua demanda.

Olhando para o Futuro

A despeito das declarações feitas pelos grandes caçadores, pagar para matar grandes mamíferos não é a maneira mais eficaz para ajudar na sua conservação. Caçadas por troféus representam apenas 1,8 por cento dos ganhos do turismo em vários países africanos, o que sugere que a maioria das pessoas visita o continente não para matar a vida selvagem, mas para ver e apreciar, sem interferir. A caça por troféus é um esporte de uma pequena elite que encobre sua luxúria por sangue como um ato de bondade para com os animais que eles penduram em suas paredes. Porém mais e mais países estão dando ouvidos a suas populações, que são contra a ilimitada exploração de espécies inteiras, o que pode finalmente terminar com a caçada enlatada.

Você pode ajudar a acabar com esta prática cruel compartilhando este artigo e encorajando outras pessoas a saberem mais sobre a verdade da caçada enlatada. Pode também conferir os esforços no documentário Blood Lions e se envolver em campanhas para fechar esta indústria para sempre.

Por Jerald Pinson / Tradução de Sônia Zainko

Fonte: One Green Planet


Nota do Olhar Animal: O uso de ações de caráter filantrópico para buscar validar uma ação imoral é comum aqui no Brasil também. Por exemplo, quando rodeios destinam parte da verba para hospitais. E a argumentação de que “a caça ajuda a conservação das espécies” revela mais que a hipocrisia dos caçadores. Pior, o discurso busca sensibilizar ambientalistas que veem com naturalidade o massacre de animais, desde que não afete o “equilíbrio ecológico”.

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