PETA pede à Espanha que investigue “prisão de orcas” em Tenerife

PETA pede à Espanha que investigue “prisão de orcas” em Tenerife

De acordo com a organização, os animais estão apáticos e assustados no Loro Parque.

Por Alejandra Torres Reyes / Tradução Alice Wehrle Gomide

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A organização PETA dos Estados Unidos, que promove o tratamento ético e os direitos dos animais, solicitou ao Serviço de Proteção da Natureza da Espanha que investigue o estado de um grupo de orcas que o SeaWorld, de Orlando, na Flórida, emprestou ao Loro Parque, de Tenerife, nas Ilhas Canárias. A associação internacional garantiu que os cetáceos apresentam feridas e cicatrizes de marcas de ancinho, além de mucosidade ao redor dos olhos, “provavelmente devido às substâncias irritantes que se encontram na água do aquário”, de acordo com a análise de um veterinário da PETA. O complexo canário rejeitou na última segunda-feira (24) as acusações e “especulações mal intencionadas” e “falsas”.

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A PETA difundiu imagens das orcas, supostamente tiradas em março. A associação garante que as feridas e cicatrizes evidenciam a “agressão entre os animais e, possivelmente, recintos inseguros”. As orcas, “apáticas e assustadas”, também apresentam “severos traumatismos dentais”, que normalmente são desenvolvidos “ao roer as paredes do tanque”. O Loro Parque, entretanto, garantiu em um comunicado que tais marcas de ancinho são “completamente normais em orcas, assim como em outras espécies de cetáceos”, já que – de acordo com sua versão – são encontradas na “imensa maioria” dos animais selvagens e “são resultado dos conflitos sociais”.

O Loro Parque possui seis orcas: quatro do SeaWorld, uma resgatada na Holanda e outra que nasceu no local. Cada animal pesa seis toneladas, no caso dos machos; e entre três e quatro toneladas nas fêmeas. Em liberdade elas percorrem dezenas de quilômetros por dia.

A organização WDC (Whale and Dolphin Conservation) sinaliza que 59 orcas, 35 delas nascidas em cativeiro, são utilizadas em espetáculos de entretenimento em ao menos 14 parques de oito países, entre eles Espanha, Argentina, Canadá, França, Estados Unidos e Japão.

A organização ativista cita que testemunhas garantiram ter visto as orcas flutuarem inertes na água, “um sinal de transtornos psicológicos”. A diretora da PETA, Mimi Bekhechi, afirmou que o SeaWorld e o Loro Parque “não tomaram providências para corrigir os problemas de saúde das orcas”, que – de acordo com a organização – foram “documentados amplamente” pela doutora Ingrid Visser, especialista em orcas, pelo menos durante quatro anos. A associação solicitou à Espanha a atuar e “acabar com esta horrível armadilha para turistas que causa sofrimento para os animais”.

A orca Morgan

A denúncia da PETA inclui Morgan, uma orca “muito magra” que foi “capturada” em 2012 com o compromisso de que seria devolvida ao oceano quando se recuperasse. Entretanto, de acordo com a organização, ela foi colocada em exibição e agora se encontra no Loro Parque, “onde é obrigada a atuar e até já foi atacada por outras orcas com as quais compartilha seu minúsculo tanque”.

O Loro Parque assegura que Morgan não foi capturada, e sim resgatada pelo Governo Holandês em 2010, e que permanece em Tenerife porque não é uma “candidata adequada” para a libertação por um “grave problema de ouvido”. O complexo canário assinala, além disso, que a introdução de um animal em um grupo social com uma hierarquia já estabelecida “sempre resulta em reajustes e conflitos”, e que, no caso de Morgan, tal processo ocorreu de maneira planejada, “minimizando os conflitos, que foram resolvidos rapidamente”.

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O parque canário acrescenta, mesmo assim, que os problemas dentais não são exclusivos dos animais em cativeiro, já que seus dentes são “muito mais débeis e fáceis de desgastar” que os de carnívoros terrestres. O complexo afirma que é falso que as orcas estejam assustadas, como garante a PETA, e acrescenta que as afirmações sobre uma suposta “agressão contínua” são baseadas em observações “parciais e tendenciosas” da doutora Visser, quando esteve por uma semana em Tenerife. Visser, o parque acrescenta, “não regressou nem forneceu informações que sustentem suas acusações”, desde a realização de uma audiência na Suprema Corte da Holanda em 2013.

Fonte: El País

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