PI: Legalizada como esporte, vaquejada sofre críticas por maus-tratos a animais

PI: Legalizada como esporte, vaquejada sofre críticas por maus-tratos a animais

Quem pratica a atividade, analisa com frustração a iniciativa de propor a proibição da atividade. Já os defensores dos animais comemoram a ação.

Por Glenda Uchôa

Prestes a completar três anos de criação, a Lei 6.265 de 27 de agosto de 2012, que regulamenta a vaquejada como prática esportiva e cultural no Estado do Piauí, levanta polêmicas até hoje. Em nível regional, a capital piauiense também regulamentou a prática através da Lei Municipal de Teresina n.º4.381/2013. Contudo, em recente decisão, a Procuradoria-Geral de Justiça do Piauí propôs uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra ambas as leis alegando a contramão dos textos ao atual regime de proteção ao meio ambiente.

PI vaquejada

A cultura do vaqueiro é secular no Nordeste. O homem que, trajado como gibão, chapéu, guarda–peito, perneira e luvas, todas feitas de coro de animal, vai buscar o boi solto no sertão faz parte da constituição histórica das regiões nordestinas. Mais tarde, além do exercício cotidiano, os vaqueiros passaram a exibir suas habilidades na captura de animais como forma de diversão constituindo, assim, as primeiras vaquejadas.

Quem pratica a atividade, analisa com frustração a iniciativa do Ministério Público em propor a inconstitucionalidade das leis. Já os defensores dos direitos dos animais comemoram a ação como um passo a mais para a proteção da saúde dos bichos.

O MP propõe, através do Centro de Apoio Operacionalde Defesa do Meio Ambiente (CAOMA), que as leis afrontam a Constituição Federal (art. 237, §1º, VIII) e a Constituição Estadual (art. 225, § 1º,VIII), que incumbem ao Poder Público o dever de proteger a fauna e a flora,sendo vedadas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoque má extinção de espécies ou submetam os animais à crueldade.

A ação visa garantir o bem-estar dos animais envolvidos nos eventos de vaquejadas, que são realizados através das disputas em uma pista de areia, onde dois cavaleiros, sobre cavalos, enquadram e tentam derrubar o boi até um ponto determinado. Segundo associações de proteção aos animais, a conduta envolve uma série de riscos à saúde dos bichos.

“O estresse crônico estimula donos animais, através de suas várias participações nesses eventos, abre uma janela de possibilidade para doenças. O animal passa a ter liberação constante de adrenalina, de cortisona e isso vai influenciando toda sua estrutura fisiológica, deixando ele suscetível a doenças”, afirma a médica veterinária e diretora técnica da Associação Piauiense de Proteção e Amor aos Animais (Apipa), Roseli Klein.

Já o vereador Samuel Bezerra, um dos responsáveis pela defesa da lei de regulamentação da vaquejada em nível municipal, afirma que a atividade é um bem cultural para o Piauí e que muito tem evoluído nos conceitos de cuidados animais. “Entendemos que a vaquejada é um evento cultural há muito praticado no Piauí. Também entendo que a vaquejada tem evoluído com passar dos anos, tem se profissionalizado, é uma atividade esportiva que mais gera emprego e renda no Nordeste, além de estar primando também pela cultura de cuidado com os animais. Hoje, o gado que é colocado na vaquejada faz duas corridas, no máximo, sem falar nos aparelhos de proteção que têm se modernizado. A vaquejada é importante para a história, para o cunho econômico e é importante para o povo nordestino”, finaliza o vereador.

Fonte: Portal O Dia

Nota do Olhar Animal: É muita desonestidade afirmar que a vaquejada “muito tem evoluído nos conceitos de cuidados animais”, como se os maus-tratos e abusos não fossem inerentes à atividade, causando pavor e muitas lesões aos animais perseguidos, algumas fatais. Evolução virá é com banimento das vaquejadas e dos rodeios. Justificar algum tipo de violência por conta de ser uma tradição é o argumento obtuso usado pela maioria dos defensores dessa covardia contra os animais. Não há justificativa racional para se manter tradições que causam danos a terceiros. Elas e esta lei abjeta é que sejam derrubadas, não os animais. A vida e o respeito aos interesses deles é infinitamente mais relevante do que o entretenimento daqueles que se comprazem com o sofrimento e a subjugação de um animal.

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