Plano de classificar gatos sem microchip como pragas resulta em ameaças de morte na Nova Zelândia

Plano de classificar gatos sem microchip como pragas resulta em ameaças de morte na Nova Zelândia

Um funcionário do Conselho de Auckland, no comando da nova estratégia de gerenciamento de pragas, recebeu ameaças de morte.

Ativistas dos direitos dos animais reuniram-se com o conselho em 17 de setembro para expor suas preocupações sobre o plano da cidade de classificar qualquer gato sem um microchip como uma praga.

A estratégia, que deverá ser finalizada em março do ano que vem, significa que qualquer gato sem um microchip encontrado em áreas de biodiversidade marcadas pelo conselho, será eutanasiado.

As conselheiras Penny Hulse e Cathy Casey reuniram-se com grupos interessados, incluindo a SPCA e a Paw Justice, nesse dia, após as ameaças de morte.

Hulse disse que as ameaças foram feitas contra o principal conselheiro de biossegurança do Conselho de Auckland por meio das mídias sociais e canais oficiais do conselho.

“[Os grupos de defesa] realmente foram realmente bons; eles estão sendo colaborativos e prestativos. Isso não os vincula a nenhum desses comportamentos negativos. Porém, nós mencionamos o fato de que alguns de nossos membros à margem de grupos ou indivíduos estão fazendo esse tipo de ameaça à equipe, e todos concordamos que isso é completamente inaceitável”.

Hulse disse que as ameaças foram denunciadas à polícia e que o funcionário estava recebendo apoio.

Ela disse que o forte sentimento por trás da questão foi o que levou o conselho a se reunir com grupos de defesa animal.

“Nós não tínhamos nenhuma obrigação legal de nos reunirmos com esses grupos de defesa animal, mas pareceu-me que quando você lida com algo que é tão pessoal e passional como os animais de estimação, é uma coisa realmente importante a ser feita”.

Os gatos selvagens já são classificados como pragas na atual estratégia regional de manejo de pragas, mas o novo plano significará que qualquer gato sem microchip encontrado em locais se significância ecológica será considerado uma praga.

Estes gatos serão pegos com armadilhas para gatos e podem ser eutanasiados, como ratos e gambás.

Anne Batley-Burton, presidente da New Zealand Cat Foundation, disse que os animais de estimação estão em risco com a nova estratégia.

“Se for assim, você terminaria por matar os animais de estimação das pessoas, você acabaria por eliminar os pobres gatos perdidos, e isso seria uma situação terrível. Estes são seres sencientes e suas vidas não devem ser tiradas levianamente”.

Andrea Midgen, diretora-executiva da SPCA de Auckland, disse que o plano é muito amplo.

“Eles mapearam e disseram que essas áreas são ecologicamente sensíveis, mas na verdade não avaliaram se são ecologicamente sensíveis à flora, à fauna ou a ambos. Então, vamos direcionar as que são realmente críticas, talvez como os parques regionais, em vez da reserva da mata que fica na parte de trás de uma área residencial”.

O público precisava de tempo para fazer a transição, ela disse.

“Na Nova Zelândia, temos a situação em que os gatos vagam livremente… por isso precisamos fazer a transição das pessoas para poder administrar isso e colocar estratégias em prática. Fazer algo no próximo mês ou no próximo ano vai ser pedir muito, precisamos dar tempo para as pessoas se acostumarem a isso”.

Batley-Burton disse que não sabia nada sobre quem enviou ameaças de morte.

A reunião daquela tarde terminou com os conselheiros a pedirem aos grupos de defesa que usem sua influência para deter os culpados, disse ela.

“Eu acho isso bastante estranho, na verdade, porque não consigo imaginar ninguém a fazer isso, mas foi o que ela disse… se é verdade, é óbvio que essas pessoas precisam ser detidas”.

Hulse disse que o plano proposto pelo conselho será finalizado em março do próximo ano, depois que os conselheiros tiverem tempo para considerar o feedback recebido.

Depois disso, o conselho entraria em contato com as comunidades locais afetadas pela estratégia de controle de pragas, para garantir que todos os donos de gatos tenham tempo razoável para microchipar seus companheiros felinos, disse ela.

Por Anneke Smith / Tradução de Adriana de Paiva Correa

Fonte: RNZ

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